segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Ignorância em TABLET








Dizem que os tablets substituirão os livros. As escolas anunciam “salas equipadas com tablets”. As lojas de tecnologias de material didático iniciam campanhas de lousas virtuais. Os pesquisadores não chegaram a qualquer conclusão sobre questões como as que ditam o fim próximo de uma tecnologia, substituída por outra (pintura e fotografia, teatro e cinema, etc.). Este é uma questão relevante do ponto de vista da educação. Tem-se estudado bastante que tecnologias serão substituídas por novas e até mesmo o tempo que cada tecnologia nova demora a “morrer” ou ser substituída, desde as fitas cassetes e VHS até os CDs e DVDs e destes para os arquivos digitais em HDs ou “nuvens”. O desaparecimento do livro, aparentemente inevitável a longo ou médio prazo, é um tema bastante atual e discutido.

As propagandas das escolas estão equivocadas quando esquecem que tudo isto é tecnologia a ser manipulada por uma mente. Onde está o livro ou seu conteúdo, ou ainda de que ele é feito, parece, do ponto de vista do educador, irrelevante. Continuamos na estaca zero: o essencial continua sendo ensinar a ler e interpretar; cultivar o gosto pela leitura e a responsabilidade do pesquisador.

A ingenuidade desta colocação só é comparável à dos pais, ao acreditarem que o processo de qualificação da educação passa pela simples aquisição de novas tecnologias. Os pais são leigos e têm o direito de imaginar que estão “comprando” o que tem de mais moderno no mercado. A Noruega deu um netbook para cada aluno do sistema público e os pais ainda estão insatisfeitos. A montagem de uma sala de aula na França ou Inglaterra inclui todos os recursos materiais, de mobílias especiais a jogos didáticos. Na Califórnia uma escola chega a ter orquestra sinfônica.

No entanto, todos estão insatisfeitos e identificam um declínio no nível da educação, da cultura, da moral e das capacitações necessárias para o exercício profissional. O fato é que as tecnologias “materiais” importam muito pouco. O que realmente importa são as novas tecnologias metodológicas, ou seja, compreender a epistemologia, a construção de cada conhecimento. A matemática tem uma parte concreta que responde às demandas mais imediatas da vida social e uma parte absolutamente abstrata. A geografia pode ser “vista” e em grande parte “visitada”. A história só pode ser apreendida por meio da pesquisa, da dramatização e da discussão. Em outras palavras, cada “tipo” de conhecimento demanda uma metodologia específica.

A avalanche de “informação” disponível na internet não deixa dúvidas de que a era da “decoreba” acabou. Hoje a “decoreba” perde espaço para a “pesquisa” graças à facilidade de acesso à informação gerada pela internet e demais tecnologias modernas. Mais do que nunca, é mais importante saber consultar, saber ler, interpretar e, acima de tudo, saber APLICAR os conhecimentos amplamente disponíveis pela tecnologia moderna. Os alunos precisam aprender a pensar, a buscar o conhecimento, analisar dados, sintetizar, criar e recriar. Estes mecanismos são instrumentos da inteligência e não dependem de maneira alguma da escola ter ou não um tablet. Se tiver, bom, mas o fundamental está na metodologia de apreensão do conhecimento e não dos meios tecnológicos que possam estar disponíveis.

Qualquer pessoa com bom senso sabe que os computadores, iphones, ipods, ipads, etc. são parte da vida das novas gerações. Complicado é que pais e educadores entendam que ter um iphone na mão não significa ter para quem ligar. Um computador não é útil se a pessoa não souber pesquisar ou compreender uma rede e, acima de tudo, se não tiver interesse e curiosidade para pesquisar, antes de tudo.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

UMA REDE INCONTROLÁVEL DE PERIGOS




Dra Adriana Oliveira lima
Lendo colunas de educadores e psicólogos e acompanhando programas na TV, muito se ouve sobre os limites que se devem impor às crianças, sobre o combate ao consumismo por meio de educação financeira e outros milhares de conselhos que são dados aos pais. Fico a pensar o que torna tantos conselhos inócuos? Os pais continuam tão perdidos quanto “cegos em tiroteio”. Aí penso que se Piaget tivesse dito apenas que cada idade tem uma estrutura distinta da outra e que a compreensão e a capacidade operatória variam de acordo com sua idade (cada estágio do desenvolvimento), já seria responsável por uma verdadeira revolução na educação. Ele precisa ser lido e considerado.
De que adianta uma psicóloga dizer que a criança deve ter uma mesada para aprender a lidar com o dinheiro se ela não informa de qual idade está falando? Seria aos 02 anos? Aos 07 anos? Aos 15 anos? Esta é a questão, este é o ponto vital que, se discutido, pode efetivamente ajudar os pais em suas decisões e intervenções.
Não seria muito mais produtivos para os pais se lhe explicarmos que a criança aprende efetivamente a lidar com o dinheiro nas operações concretas (7 a 12 anos), sendo este o momento propício para as primeiras semanadas (iniciar por semana devido a compreensão do tempo). Já com 9 anos a criança é capaz de incluir as classes, estando apta a fazer os desdobramentos da moeda com bastante competência. Assim, os conselheiros e educadores em geral devem focar sua contribuição em desvendar para os pais as capacidades dos filhos em cada momento de seu desenvolvimento.
Nesse nicho da idade é que entra a internet. O “facebook”, por exemplo, é uma rede, instrumento intelectual de uma criança entre 07 e 12 anos, nas suas versões mais simples. Este fato pode levar à atração da criança pela compreensão e manipulação da rede. Mas ela de forma alguma tem a maturidade emocional e experiência de vida para lidar com esta rede complexa. Não é sem razão que as redes sociais proíbem crianças. Os pais devem “ouvir” esse conselho.
Experimentei fazer uma pagina para uma criança e pude ver que, ainda que um adulto esteja ao lado da criança, se torna INCONTROLÁVEL o acesso de contatos multiplicativos das redes sociais ou mesmo de um ”youtube”. Assim, os pais devem limitar radicalmente o aceso a computadores antes dos 12 anos, ocasião em que os pais, participando junto com os filhos, podem lhes dar acesso a alguns recursos dos computadores.
Antes dos 12 anos BRINQUEM com seus filhos, CONVERSEM com seus filhos, LEIA para e com os seus filhos, JOGUEM com os seus filhos. Nunca ache “inteligente” o fato de ele sabe acessar “coisas” no computador. Nada desenvolve tanto a inteligência ou os aspectos afetivos das relações humanas como simplesmente BRINCAR COM OUTRAS CRIANÇAS.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O PONTO FRACO DO ENSINO FORTE






O PONTO FRACO DO ENSINO FORTE
Como este assunto foi abordado sucessivas vezes por nós em diversos artigos, sugerimos a todos a leitura do artigo de capa da revista Época desta semana (01 a 07 de agosto de 2011) com o título acima, sobre o qual ressalto os seguintes tópicos:

1- O desejo de ser “invisível” não é apenas da criança citada, mas de milhares de outras crianças que gostariam de não ser vistas. Lembro-me da “Escolinha do prof. Raimundo”, onde um personagem costumava dizer: “Ah meu deus do céu, já me descobriu eu aqui”.

2- As boas colocações em vestibulares podem ter um custo muito alto, incompatível com a vida moderna. Passar no vestibular não garante sucesso profissional e ainda pode deixar marcas emocionais (medos, inseguranças e raiva).

3- Este modelo de escola do século XVIII, representada por nossa educação tradicional, supervaloriza o acúmulo de conhecimentos, embora o mesmo não tenha caráter permanente, sendo esquecido logo após o vestibular, deixando o espírito vazio.

4- Está em alta no mundo este modelo tradicional de educação porque os pais, com menos filhos e mais comprimidos em pequenos espaços, perderam a autoridade sobre seus filhos, que ficam à mercê do social, da violência e das drogas, lavando os familiares a recorrerem ao autoritarismo imposto por terceiros, no caso, a escola.

5- Os pais fazem sua opção apoiando esta escola que pressiona a criança e destrói seus processos de autonomia e de criatividade. Vemos minguar os alunos das escolas pequenas, alternativas e com metodologias mais sofisticadas, diante do crescimento da “educação de quadro e discursos”, ministrada a dezenas de crianças numa mesma sala.

6- Quando a reportagem diz que cresce no “primeiro mundo” esta visão autoritária de escola, esquece que as escolas na Inglaterra ou Estados Unidos são altamente equipadas e com professores mais bem formados academicamente. Uma sala de aula na Inglaterra não tem ponto de identidade com as salas de aula do Brasil.

7- Quando os pais escolhem as escolas em que estudaram para colocar seus filhos, isso não significa reconhecer a competência social da escola. Antes, isso representa seu próprio medo de arriscar, sua incapacidade de empreender, de diferenciar-se, de criar novidades e agregar-se à evolução social. Agarrar-se ao conhecido é um padrão comportamental e não significa uma escolha consciente.

8- As escolas que selecionam a entrada de alunos são de fato competentes porque o aluno selecionado é competente. Em 1992, em minha tese de mestrado, fiz um capítulo de pesquisa mostrando que a competência de algumas escolas não está nela, mas no aluno que a frequenta. A qualidade só é reconhecida quando se atinge padrões bons em um grupo mais amplo de alunos (não nas elites).

9- A dificuldade dos pais em conhecer e determinar o perfil de seus filhos é imensa. Basta olharmos para a total incapacidade em reconhecer dificuldades de aprendizagem. Qualquer profissional escolar sabe o quão tarde os pais procuram atendimento especializado para seus filhos. Ninguém quer aceitar ter um filho que precise de atenção especial.

10- Os sintomas, cada vez mais comuns, mostram que está se criando uma geração de crianças com medo, inseguras, assustadas e nervosas, que se sentem incompetentes. Os consultórios vão se enchendo e as pequenas escolas vão recebendo cada vez mais crianças “ditas” com dificuldades de aprendizagem.

11- Todo este sufoco no sistema tradicional não garante o sucesso e o que é pior, não garante sequer a aquisição do conhecimento. Se fizermos uma prova de conhecimentos gerais após dois anos de ensino superior, quando está consolidado o esquecimento, o fracasso seria estrondoso. Cada um dos leitores deste artigo deve se perguntar o que sabe de história, geografia, química, de orações subordinadas ou de logaritmos, e verão o quanto a escola marcou sua memória e lhe transmitiu conhecimentos ou conteúdos verdadeiramente.

12- Pessoas bem sucedidas podem vir de escolas alternativas. O que é mais comum é ter egressos deste tipo de escolas alternativas mais bem sucedido. Isto porque hoje a sociedade necessita, cada vez mais, de tomadas de decisões, empreendedorismo, versatilidade e habilidades diversificadas. O mundo moderno precisa cada vez mais de pessoas com estas características que são mais trabalhadas em pequenas escolas alternativas e totalmente esquecidas nas grandes escolas tradicionais, sempre preocupadas com conteúdos rígidos.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

MAMÃE, VOVÓS, CRECHE-ESCOLA OU BABÁ ?

Dra Adriana Oliveira Lima

Quando a mãe tem que trabalhar, ou mesmo quando se sente realizada e feliz trabalhando fica a questão de com quem deixar os filhos, em quem confiar longas horas da educação das crianças.
A primeira opção é sempre as avós pela total confiança, particularmente quando são ainda bebês. Entretanto cada vez mais esta instituição avó esta acabando, as avós têm suas próprias vidas, suas amigas, trabalho ou outros interesses e, cada vez menos, estão disponíveis para tomar conta dos netos.

As avós, nos primeiros meses de vida desempenham papel importante por conversarem com os bebês e ensinar-lhes um cem número de imitações importantes no processo de desenvolvimento cognitivo. Por outro lado quando assumem esta tarefa têm grande dificuldade em impor limites, ou estimular aspectos cognitivos dos mais velhos pelo excesso de zelo e atenção despendidos aos pequeninos. Sem dúvida, entretanto, os avós são uma boa opção para deixarmos os bebês.

As babás ou enfermeiras são a opção de muitos pais que devem, no entanto, ter, antes de tudo, boas referências para entregar-lhes os bebês. A babá, por mais competente que seja não possui a formação necessária para estimular o desenvolvimento da criança criando com a criança relação de dependência e superproteção. O maior inconveniente das babás para os pequeninos é a incapacidade de tomar decisões em ocorrências fora da rotina.

As creches devem ser observadas, deve-se certificar de que existem espaços e programações para as crianças fora do berço, particularmente para as crianças acima de seis meses. Muitas vezes as crianças permanecem “presas” em berços por longos períodos. Deve-se verificar a existência de recursos para estimulação do desenvolvimento e a competência da equipe. A grande vantagem é o estímulo ao desenvolvimento e a competência na tomada de decisão.

Assim que a criança for aceita em regime escolar (em alguns casos por volta dos 18 meses) esta será a melhor opção, pois terá o conjunto de vantagens das creches acrescidas do fato do leque de atividades ser sempre mais amplo e diversificado.

Afinal de contas esta é uma decisão difícil que depende dos pais ponderarem diversos aspectos em questão, desde aqueles econômicos até os relativos ao desenvolvimento do seu(a) filho(a).

Lembramos apenas que nesta discussão levem em conta a proposição do Prof. Lauro de Oliveira Lima: “ O melhor brinquedo que se pode dar a uma criança é outra criança”. Assim, se em casa com a babá a criança sofre menos doenças, também perde importantes momentos do seu desenvolvimento afetivo e cognitivo e, portanto, a escola passa a ser o lugar “ótimo” o mais rapidamente possível.



A inteligência da criança observa amando e não com indiferença - isso é o que faz ver o invisível.
MARIA MONTESSOURI

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O Laço e o Abraço


MARIA BEATRIZ MARINHO DOS ANJOS


Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... Uma fita... Dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola. Vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
...
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando... Devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.


Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah, então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.

Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço.

Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.

Então o amor e a amizade são isso...

Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!


agradeço a Ana Beatriz Albuquerque pela lembrança de tão bonitos versos.

terça-feira, 19 de julho de 2011

IMPASSES NA APRENDIZAGEM

Maria das Graças Soares
Psicanalista.



Para Piaget a aquisição do conhecimento se dá pela via dos processos de equilibração e desequilibração, caminhos que levam à assimilação do conhecimento pela criança.
Tais processos na rotina de um aluno seriam naturalmente simples não fossem as contingências que afetam a relação sentir/pensar no sujeito.
Um número considerável de crianças na idade escolar apresenta dificuldades no processo de aprendizagem, cuja solução mais comum que os pais e educadores encontram é o reforço escolar, que sem alcançar as causas mais plausíveis desse transtorno, não passa de um paliativo, além de sobrecarregar a já tão pesada rotina que as crianças de hoje são submetidas.
As dificuldades de atenção e conflitos no relacionamento com colegas e professores são diagnosticados pelos profissionais da saúde como “déficits”, onde prevalece hoje o diagnóstico generalizado de TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, negligenciando-se a singularidade de cada um.
Portanto, salvo as crianças autistas e aquelas que sofreram algum tipo de danos cerebrais, o referencial orgânico e/ ou neurológico deve ser excluído no tratamento dos distúrbios de aprendizagem.
A visão organicista dessa problemática deve dar lugar à concepção da família como uma estrutura na cultura, da qual a criança faz parte.
Tomar a família como uma estrutura implica necessariamente em atribuir “lugares” que serão ocupados por seus componentes. E aqui entra a questão do desejo em sua relação com a linguagem e a lei. Lei intimamente relacionada com a função paterna, que irá operar no sentido de determinar um lugar para cada um na estrutura: lugar do pai, lugar da mãe e lugar do filho. Aqui já entramos no universo simbólico, onde as relações de parentesco tem lugar. O pai – através de seu discurso e lugar no desejo materno, é quem faz a função de atribuir e assegurar o lugar de cada filho na estrutura. Isso faz parte da tão conhecida função paterna.
Se essa função claudica demasiadamente, os membros da família podem ficar à deriva, e a criança , freqüentemente, lança mão do sintoma como defesa. Sintoma que pode surgir sob várias identidades: déficits, agressividade, hiper-atividade e outros tantos, aqui inumeráveis.
Enfim, impossível de esgotar tais questões em tão poucas linhas vou concluir, lembrando que, freqüentemente os problemas de aprendizagem no escolar tem origem na dinâmica familiar e nele está implicado uma recusa inconsciente da criança pelo saber. Toda ela, nesse ponto do seu desenvolvimento, nutre naturalmente, como bem o disse Freud, um ímpeto pela investigação intelectual, uma curiosidade inata, só contrariada pelas contingências no seio da família.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Capacitação de professores – PARTE II Esta acabando a profissão “PROFESSOR” ?

Adriana Oliveira Lima

O segundo grande problema que temos que encarar na educação quanto a capacitação dos professores é a fluidez, a rotatividade, a evasão. Se por um lado o descaso com a educação foi a principal causa da evasão dos quadros de profissionais desta área, por outro a própria sociedade ajuda a consolidar uma visão desvalorizada da educação e da escola. A escola pública paga mal e pode-se ver o desvinculo completo entre a sociedade e o professorado, quando deixa-se que greves durem meses (sic!!!).
Do ponto de vista da escola privada os custos trabalhistas e o controle de mercado, impedem possibilidades de estabelecer relação trabalhista como outras empresas privadas podem fazer, ficando a educação sempre sob o controle do estado.
Assim é que o maior contingente dos poucos professores que se formaram nos últimos anos buscaram os concursos públicos que lhes dará em contrapartida ao baixo salário, a estabilidade e uma menor exigência de trabalho. Evadem-se assim os quadros formados, na maioria nas redes privadas, deixando estas instituições (privadas) no ciclo vicioso: “recrutar, capacitar e perder”.
As grandes empresas educacionais, com uma quantidade abusiva de alunos por sala pagam pouco mais dão a ilusão do prestígio fazendo assim, um garimpo sociológico que retira das pequenas escolas seus quadros quase anualmente.
Na dança das cadeiras as pequenas escolas são as que mais investem nas capacitações, na aceitação do profissional de primeiro emprego e no investimento em treinamento em serviço. Mas é delas que os tubarões se alimentam e, sem investir nada em capacitação, distribuem alguns reais a mais (mas muito longe de sua real possibilidade) para captar professores. Mas deles também os professores partem, e com razão, o sistema público termina por ser o mais limitado e menos criativo, mas o que oferece melhores soluções trabalhistas.
Sempre trabalhando em pequenas escolas tenho visto este rito ininterrupto de formar professores e perde-los e recomeçar, sempre....Mas o mercado de professores esta minguando...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Capacitação de professores – PARTE I Adriana Oliveira Lima


Compreender a capacitação é compreender uma questão bastante ampla que envolve todo o processo educacional. É preciso, antes de tudo, compreender os problemas, principalmente este vício brasileiro que desconecta os discursos e as práticas.
Primeiro problema: Falta de TOMADA DE CONSCIÊNCIA sobre a incompetência e as necessidades de mudança:
a) Das escolas que nos modelos tradicionais não mudam nenhum fator estrutural, apenas agregam um ou outro “valor” da modernidade (computador, tablets etc.).
b) Das escolas pequenas que na maioria das vezes monta um discurso e conduz sua prática pedagógica com “atividades legais”, ou seja, sem um contexto teórico que conduza o conjunto das práticas pedagógicas.
c) Dos pais que procuram reproduzir suas próprias vidas ou atender seus desejos através dos filhos e não se dão conta das mudanças sociais, tornando-se assim o sustentáculo da reprodução incompetente da escola.
d) A incapacidade da sociedade se perceber como “fracasso” para então tomar posição mais clara para fomentar reais mudanças no sistema (mas esta é uma característica das sociedades em geral).

Segundo problema: A questão que tem relação direta com os dois únicos aspectos da prática da educação: a) o conteúdo (que os professores ou não dominam ou dominam muito pouco) e b) a metodologia (história das ciências, ou como se aprende cada “tipo” de saber - igualmente desconhecido pelos professores).
O problema é muito sério, passando por uma reestruturação da própria formação de professores, pois a incompetência do ensino superior que não responde às necessidades da sociedade termina por deixar concluir o curso milhares de profissionais sem a menor condição de exercer a contento sua profissão.
Não bastassem as dificuldades que já se acumulam, os “discursistas e legisladores”, apoiados pelas patrulhas do “politicamente correto” de plantão, desejam uma capacitação dos profissionais em diversas áreas, tais como: Educação Ambiental, Educação para o Trânsito, Educação Sexual, Artes, entre outras, sem falar na INCLUSÃO (Libras, braile, dislexias, descalculias, TDAH etc.).
No discurso é valorizada a “autonomia intelectual”. A inclusão empurra para as metodologias mais participativas e subjetivistas, mas a escola brasileira permanece majoritariamente nos esquemas tradicionais, com enormes quantidades de alunos em sala, discursos “legais” e práticas hipócritas.
Para INICIAR qualquer pensamento com foco na qualificação da educação brasileira, temos que tomar algumas iniciativas de longo prazo:

1- A radical mudança na quantidade de alunos por sala de aula – interessante que os interessados na inclusão não lutem por esta medida tão básica para que a inclusão possa vir a ser contemplada.
2- A inclusão da Epistemologia genética (o conhecimento sobre como o sujeito aprende) em qualquer curso de formação de professores.
3- A aprendizagem, nos cursos de formação de professores, da metodologia específica de cada ciência.
4- O estudo do uso de recursos didáticos para facilitar as aprendizagens.
5- A garantia de que o professor domine os conteúdos que pretende ministrar.
6- O fim da distribuição de diplomas na área da educação - impensáveis em qualquer outra área.
7- A obrigatoriedade das escolas terem um conjunto de recursos didáticos (jogos, materiais concretos) que facilitem a aprendizagem.
8- A formação da compreensão moral, dos valores de nossa sociedade, de forma que capacite os professores a acompanharem fenômenos como o bullying.
9- A formação geral para identificação de possíveis problemas de aprendizagem e seu encaminhamento.
10- A capacitação para o PLANEJAMENTO (elaborar, realizar e avaliar).
11 - A curto prazo, adentrar as escolas e capacitar os professores basicamente para os conteúdos e métodos de ensino.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O PAPEL DO JOGO NA APRENDIZAGEM


(VEJA EM PÁGINA ANEXA: Exemplos de jogos Pedagógicos)

O jogo exerce uma fascinação sobre as pessoas que lutam pela vitória, procuram entender seus mecanismos ou simplesmente divertem-se. Em todas as culturas os jogos estão presentes, quer nos grandes espaços, quer nas manipulações de peças em pequenos tabuleiros. Podem estar ligados ao canto, à poesia, às mímicas ou a instrumentos como bolas e armas.
Os gregos chegaram ao ápice do fascínio pelo jogo, com os Jogos Olímpicos, competições tão importantes que faziam as guerras serem suspensas.
Do ponto de vista da criança e dos jovens o jogo é o próprio esquema de assimilar do mundo - elas transformam tudo em jogos. Jean Piaget identifica em seus estudos pelo menos seis tipos diferentes de jogos. Assim, as escolas deveriam fazer do jogo o fundamento das metodologias de ensino para desta forma garantir aprendizagens relevantes e duradouras.
O jogo caracteriza-se pelo uso e manipulação das REGRAS (salvo os jogos simbólicos) e, nesse sentido, é fundamental na construção da moralidade. Mas é preciso saber usar os jogos, pois em cada idade o interesse da criança e do jovem varia, envolvendo-os em diferentes tipos de jogos.
O jogo: 1) Forma o pensamento lógico por meio de suas regras. 2) Forma o comportamento MORAL pela aquisição da regra. 3) Forma a atitude social pela convivência com o outro.
Neste contexto, TODOS OS JOGOS SÃO PEDAGÓGICOS, e as crianças deveriam jogar diariamente em suas escolas. Deveriam ter à disposição toda sorte de jogos que permitam a compreensão de certos conteúdos, que ajudem a sistematizar um conhecimento ou mesmo que simplesmente desenvolva suas capacidades mentais.
Entretanto, o material concreto não possui uma magia em si. Não é a “coisa” que em si resolve os problemas de aprendizagem. O tônus envolvido, a teoria dos jogos (alcançar o que empolga a criança em cada etapa do seu desenvolvimento) terá vital importância. Podemos visitar mil museus e continuarmos na mesma ignorância, enquanto um objeto simples pode tornar-se um grande instrumento de conhecimento dependendo do condutor do processo de aprendizagem.

sábado, 25 de junho de 2011

O Plantio e a Colheita


O Investimento que os pais fazem na educação dos filhos desde muito pequenos, com certeza, será colhido na idade adulta. Deve-se, entretanto não confundir o investimento real na educação com o simples desejo de realização dos pais. Colher os frutos do investimento não consiste em ter como resposta o filho idealizado... Os pais deste tipo estarão sempre insatisfeitos com os resultados dos filhos.

Mas, então, o que estamos chamando de investimento na educação? Longe de ser o cumprir de normas institucionalizadas, como pertencer a um determinado clube ou estudar numa determinada escola, investir na educação é investir na RELAÇÂO, no cuidado diário com cada tomada de decisão. É estar JUNTO nos diversos momentos de crescimento dos filhos. Alguns pais jamais conversam ou sentam no chão para brincar com os filhos quando pequenos e surpreendem-se de desconhecê-los quando estes se tornam adolescentes.

Quando compramos um sapato alto para nossa filha de 4 ou 5 anos ou quando deixamos que predomine em seu mundo a devastadora onda do consumismo, da futilidade que marca as sociedades modernas, estamos de fato investindo na formação de uma pessoa fútil. Se sairmos com nosso filho(a) e conversamos, assistirmos a filmes, passearmos no parque, construímos juntos, contarmos histórias, desenharmos, jogarmos... Construiremos uma pessoa mais rica, plural e, certamente, mais inteligente.

Se os pais têm dificuldade em dizer não, com certeza, terão dificuldades no futuro em conhecer e impor limite aos filhos e terão com os adolescentes as dificuldades das relações permeadas por mentiras e silêncios. Se os pais permitem a ingerência em assuntos adultos, poderão mesmo chegar a temer os filhos.

Se os pais não podem impedir que os filhos alimentem-se de forma irregular e inapropriada, vistam-se inadequadamente, que façam o que querem... Terão dificuldade em fazê-los pessoas independentes e capazes de refletir e de discerni sobre o melhor.

Não pensem os pais que ao encher a criança de guloseimas; roupas e atitudes inadequadas; pouca consciência sobre os papeis sociais; sobre a velhice; a pobreza; as diferenças... Encontrarão um adolescente e, mais tarde um adulto, consciente, amigo e aberto ao diálogo.

Ora, o fato é que o caráter, a ética, a moralidade são construídas no dia a dia desde a mais tenra infância. São, de fato, os detalhes que constroem a vida. Se não faço a intervenção, não ocupo o espaço educacional aberto por cada detalhe da vida social da criança. Sem os detalhes não se colherá a totalidade desejada.

Os pais deveriam ter uma atitude educativa desde as roupas até os brinquedos ou os alimentos que compram para os filhos. Os pais devem ter claro o seu objetivo e buscar as atitudes e os investimentos necessários para consecução dos mesmos. Não se planta feijão para colher arroz.

A escolha da escola é sem dúvida a busca de uma parceria nesta construção e os pais precisam da escola porque este é um processo muito lento e longo que necessita ser partilhado. Assim, a escola não é uma formalidade que se observa nos seus aspectos mais exteriores, mas uma escolha ideológica, uma parceria na educação mais profunda e básica das crianças e jovens.

O conselho mais geral que se pode dar aos pais é para que deixem as crianças serem apenas crianças, preserve a infância, evitem roupas e comportamentos muito adultos, deixe seu filho(a) ter a idade que tem, não permita acelerações ou vivências não apropriadas para sua idade, não deixe os irmãos, primos e amigos mais velhos serem a referência dos mais novos, exerça liderança. Os pais devem ser admirados, respeitados e a principal referência para a criança e para o adolescente. A criança muda de referência quando os próprios pais confirmam esta “outra” referência (irmãos, primos, vizinhos...).

quinta-feira, 23 de junho de 2011

COLÔNIA DE FÉRIAS PODE SER UMA BOA OPÇÃO



Dra Adriana Oliveira Lima
Os pais costumam pensar que Colônia de Férias não é uma boa opção para as crianças. Como suas memórias de escola foram muito ruins pensam sempre que, nas férias, quanto mais distante das escolas melhor. Devem ter razões que ainda perduram, pois as escolas são realmente enfadonhas nos modelos que se apresentam na sociedade.
Mas teremos que também ponderar que a opção é deixar as crianças em casa na TV e/ou computadores. Esta é pior de todas as opções. Mas deve-se procurar alternativas de atividades para as crianças mas férias. Não existem férias cognitivas ou físicas. Criança gosta de estar em atividades e com os amigos. Resta pois fazer uma programação de férias para as crianças incluindo parques, caminhadas, cinemas, teatro e muita brincadeira de teatro , ouvir histórias e jogos.
Outro ponto de vista é começar a ver a “Colônia de Férias” com bons olhos. Claro que precisa saber qual a diversidade de ações propostas e certificar-se de que não é uma reprodução da escola ou o abandono por horas em piscinas ou futebol. Boas Colônias de Férias encantam as crianças que geralmente as preferem que ficar em casa.
Uma colônia de férias deve contemplar principalmente a atividade de espaço físico (corridas, circuitos psicomotores, bolas, e outros jogos motores) e a atividade artística em TODAS as modalidades (plástica, construção, dança teatro, música, etc.). Complementando com horta, culinária e outras aprendizagens sociais que podem ser uma boa brincadeira.
Tenha segurança que estar com os amigos, conhecer novos amigos, participar de atividades sem qualquer stress social das notas pode ser o melhor presente para as crianças nas férias.


EM FORTALEZA

domingo, 19 de junho de 2011

UMA SUPER-ROTINA: INVESTIMENTO OU MERA OCUPAÇÃO ?



Educadores e psicólogos são unânimes em considerar a diversidade de aprendizagens fundamental para o desenvolvimento das crianças e adolescentes. Fazer um esporte, uma arte, aprender uma língua estrangeira ou trabalhar aspectos específicos do desenvolvimento quando aparecem distúrbios (fala, escrita ou emocional) deve fazer parte da vida das crianças e jovens.

Ora, sem dúvida a diversidade no processo educacional é fundamental para o desenvolvimento afetivo e cognitivo e a escola deve dar conta de grande parte desta diversidade, assumindo estes aspectos do desenvolvimento (arte, corpo, expressão etc.) como parte do desenvolvimento pleno da cidadania e, portanto, incluso em seu papel de educar.

Evidente que algumas habilidades demandam cursos específicos impossíveis de serem efetivados na escola. Os pais devem, então, procurar escolher cuidadosamente em que atividade investir, ou seja, qual a atividade extra escola será mais proveitosa para seus filhos em cada idade do desenvolvimento. Antes de mais nada deve estar atenta em não sobrecarregar a agenda da criança e do jovem sob pena de obter um fracasso generalizado em seu desenvolvimento e mesmo estados de esgotamento psicológico ( estresse infantil).

Após a compreensão de que educar é investir, o que varia de lugar para lugar, os pais devem procurar classificar por idade, o que poderia ser interessante seu filho(a) fazer, compatibilizando os seus desejos com as reais possibilidades dos filhos, tirando assim, de cada atividade o maior proveito..

Alguns artigos publicados em revistas de grande circulação mostraram os níveis de tensão e prejuízos para a criança e o jovem provocados pelo excesso de atividades, não apenas pelo tempo ocupado como pelas expectativas dos pais do sucesso dos filhos nestas atividades. Os pais devem ter nas atividades extras uma fonte de prazer dos filhos, pois a criança apresentará melhores resultados quando têm prazer no que está fazendo. Não esquecer que o desenvolvimento do corpo e do espírito é mais importante que um campeonato de natação.

Os pais devem procurar adequar as atividades que desejam para os filhos e suas reais possibilidades. Por exemplo, a natação antes dos 4 ou 5 anos é mero lazer pois a criança precisa uma certa maturidade sensório motora para realmente nadar (coordenação complexa de movimentos). A expectativa de resultados antes desta idade pode ser desgastante e levar a criança a não gostar da atividade.

A introdução musical livre, com vários instrumentos e movimentos coordenados podem ser explorados bem cedo, mas um instrumento específico deve aguardar um pouco mais, até por volta dos 7 anos. O contato lúdico com a língua estrangeira pode ser riquíssima atividade, mas a estruturação da fala como aprendizagem efetiva ocorrerá num processo que, quando começado por volta dos 2 anos, pode estar concluído por volta dos 12 anos.

A dança, ginástica artística ou outra expressão corporal deve ser lúdica entre os 4 e 8 anos mais ou menos para só então iniciar um processo de disciplina mais rígido. O esporte regular deve variar dependendo de sua modalidade. O Vôlei, por exemplo, é bastante tardio (por volta dos 10 anos), precisando de pulsos fortes, enquanto o futebol pode iniciar muito cedo em escolinhas, pois suas regras podem ser compreendidas por volta dos 7 ou 8 anos.

Ora, o fato é que as atividades devem ser vistas como tendo dois aspectos, um lúdico, que a criança deve experienciar e um disciplinado que deve aguardar a idade adequada para não exercer pressões sobre as crianças e jovens.

Dê ao seu filho a oportunidade de aprender: uma língua, a nadar, introduzir-se no mundo da música e da dança, mas não faça desta experiência maravilhosa uma forma a mais de pressionar seu filho(a) a apresentar resultados...