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UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO

Dra Adriana Oliveira lima
Há um ano atrás publicamos artigo sobre a escolha da escola par os filhos, no link a seguirA primeira coisa que temos que compreender é que esta escolha ainda é muito insípida em nossa sociedade. O fato é que os pais, sem qualquer análise mais detalhada, procuram colocar os filhos nas escolas em que estudaram deduzindo (erroneamente) que se deu certo (?) para eles, também dará para seus filhos. Buscam igualmente o que é perto de casa. Muito poucos são os que realmente buscam ESCOLHER uma escola para os filhos.
Mas o que é escolher uma escola? Muitos constroem um rol de “exigências”. Colocam em suas listas critérios que vão desde a localização até os métodos pedagógicos.
Até os 12 anos as crianças apresentam as melhores oportunidades para seu desenvolvimento em todo o seu sentido e amplitude. Não podemos perder estas janelas. Assim, a escolha da escola correta para as crianças de até 12 anos é fundamental para o futuro delas. A escola corresponde a 50% da vida em vigília de uma criança.
Vejamos alguns pontos a considerar:
1. O NÚMERO DE ALUNOS POR SALA DEFINE O PRIMEIRO PASSO DA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO. Lembrar que não se trata da quantidade de adultos para cada criança em sala. Muitas escolas costumam pagar uma professora e um monte de babás para “pastorar as crianças. A Professora é uma liderança para qual a criança se volta e só pode ter uma pessoa dando ordem na criança. Os demais funcionários são para auxiliar a professora a seu pedido.
2. A distância de casa pode ser tudo, menos critério de qualificação de uma escola. Atravessamos muitos obstáculos para termos o que queremos. Escola e distância não se complementam como critério de qualificação. Ser perto significa apenas conforto para os pais, não tem qualquer relação com a escola e sua qualidade.
3. O transporte escolar deve ser desmistificado. Em quase 40 anos como educadora não soube ou vi um acidente com transporte escolar (salvo as aberrações do interior). É um meio seguro, pois os profissionais da área têm tudo a perder.
4. A escola deve cuidar da criança em seus aspectos físicos e psíquicos (emocionais e cognitivos). O que vai mudar é a forma: como “tomador de conta” ou como um processo educativo.
5. A educação em nosso país ainda é muito barata. Se comparada com a saúde já se pode ver. Mas se compararmos ao gasto num simples restaurante, a educação fica baratíssima (dois almoços em família pagam quase cem horas da criança em escola!).
6. O espaço físico deve ser adequado em termos de recursos. Não importa ter milhares de quadras e com elas milhares de alunos. Vão sobrar apenas segundos por dia para cada criança (basta dividir). O número de alunos define o elitismo nos times, as seleções e a inutilidade de ter tanto recurso para tão poucos “selecionados”.
7. Observar a relação entre o discurso e a prática não é obtido por uma visão “desconfiada da escola” (chegando em horários inesperados, “interrogando” funcionários, invadindo as classes). A relação entre o discurso e a prática está nos resultados efetivos das crianças. Tentar “pegar’ a escola já estabelece uma relação desrespeitosa e desconfiada (além de extremamente agressiva). Será que se faz isso nos hospitais? Nas lojas? Nos restaurantes?
8. Ficar dentro da escola para avaliar é o caminho mais seguro de não ter escolha. Mães não são capazes de isenção e a escola trabalha com o coletivo. Mães querem a total atenção aos seus “pimpolhos” e a escola trabalha com o grupo. Mãe só vê os perigos de um ambiente. Já a escola se preocupa com a adaptação da criança ao meio. Mães só podem ficar dentro da escola depois que os filhos já estão adaptados.
9. Olhar as outras crianças não leva a nada. TODAS as crianças tem o potencial de adaptar-se Criança fica em qualquer escola principalmente se os pais querem, por pior que sejam tais escolas. Crianças ficam em qualquer “bomba” por que sequer sabem que poderia ser diferente.
10. Não se escolhe escola em função dos “amiguinhos”. Os grupos são flutuantes e quase sempre os grandes amigos são moldados no ensino médio. Famílias mudam de bairros, de cidade, de país. Não se escolhe a escola pelo “amigo” que o filho tem. A capacidade de fazer amigos é que é o grande objetivo da escola. Amigos de verdade são os que o jovem fará em ato volitivo de escolha e investimento. As crianças precisam que os pais saibam o que estão escolhendo. Cada família deveria passar a segurança de sua escolha, nunca permitir que o filho ache que esta numa escola só porque o amigo tal ou qual está.
11. Enfim, o projeto pedagógico deve ser uma prioridade. Claro que o tempo levará os pais a uma maior familiarização com a metodologia. No início eles devem ter claro alguns tópicos gerais. O método deve condizer com o que os pais desejam para seus filhos.
DENTRO DA METODOLOGIA, OBSERVAR:
Uso de materiais concretos.
Acervo de material pedagógico e livros.
Material psicomotor
Material de todos os conteúdos.
Professores em contínua capacitação pedagógica.
Nível cultural das pessoas que comandam a escola.

O ENEM não é uma novidade. Amigos, o Brasil trabalhou por anos com sistemas UNIFICADOS de seleção e portanto tem “algo de podre no reino da Dinamarca”. Por três anos sucessivos o ENEM tem problemas. Não. O ENEM pode até ter problemas, mas não os que apontam.
Ocorre uma resistência absurda a renovar sistemas em nosso país. As redes sociais mostram a “raiva incontida” de escolas e professores que não querem mudar. Sistemas de privilégios que vão por terra pois em última instância o ENEM termina por democratizar um pouquinho mais o acesso as FEDERAIS, antes reféns dos cursinhos milionários e das “crianças” ricas que após estudarem a vida toda na rede privada pagando bem as ditas boas escolas especializadas em passar alunos nesta o naquela opção, querem agora, no momento mais caro para o país o ensino superior gratuito.
Sabotar o ENEM é um objetivo tão ferrenho que começo a pensar que ele deve ter algo muito bom. Não debrucei sobre a questão no seu âmago, no seu coração, mas sei que, o tipo de seleção escolhida pelo Brasil tende sempre a exames “maratônicos” - milhares de questões e a exigência que para acesso a qualquer área do conhecimento tem que se saber TUDO! –Leia-se VESTIBULAR!!!!!! (na minha época tinha o científico e o clássico (bons tempos!- mas nem sabíamos!).
O Vestibular tem como objetivo final fazer um pente fino não de competências mas de classe social... mais ricos garantem mais vagas. A confirmação disto é a quantidade de alunos nas federais que são oriundos de escolas públicas serem irrisórias.
O sistema educacional bem acostumado a “ensinar” questões que caem no vestibular, fórmulas viciadas e “pegadinhas” grotescas, aliado a professores atores, especialistas em aulas-show e apostilas rentáveis está realmente assustada de perder seus guetos regionais de vendas e arrecadação de lucros.
A TV Globo começa a falar sobre o absurdo de três anos seguidos com erros... Erro é a corrupção neste país e o poder econômico tentando o retrocesso onde ele apareça. VIVA o ENEM (ainda que longe de ser um processo seletivo ideal) que permite a filha da minha funcionária fazer o exame cheia de esperança. VIVA a esperança e que o Brasil seja capaz de resistir aos ataques dos tubarões cuja ganância não tem limite nem fim.

Quando o conjunto das escolas tradicionais começa uma briga absurda para ver quem tem mais tecnologia na sala de aula, acreditem, algo esta profundamente errado. Creiam na experiência e na história. Elas não mudarão em um milímetro sua forma viciada de encarar a educação.
Por que estas escolas não se posicionam sobre o número absurdo de alunos que colocam em cada sala? Isso não importa para elas. Estão ocupadas na competição acirrada entre elas.
Tem cabimento um aluno assistir aula com óculos 3D quando se sabe tão pouco sobre os efeitos a longo prazo desta tecnologia? Depois de anos lutando para evitar o uso de óculos escuros em salas de aula, as escolas irão disponibilizar esse “maravilhoso instrumento para não prestar atenção às aulas”? Bonequinhos e imagens saltando de um quadro em 3D vão fazer os adolescentes se interessarem pela matéria exposta? Eles vão passar a aprender em 3D?
Alguém em sã consciência acredita que uma escola tem condições econômicas de estar atualizada nas tecnologias que mudam diariamente? O Estado deveria presentear com um computador cada criança no Brasil? Disponibilizar salas de “Informação” em bibliotecas virtuais ou tablets nas salas, talvez... Mas tudo tem um limite. E afinal de contas, toda esta tecnologia não passa de mero instrumental.
A questão nunca esteve na informação. A tecnologia disponibiliza informação e neste sentido os professores tradicionais SEMPRE foram jurássicos, pois até as enciclopédias feitas de papel eram melhores que eles. O fato da escola nunca ter usado a enciclopédia não tira dela a competência frente aos limitados conhecimentos dos professores tradicionais.
Dizer que o “professor” é mediador e não o centro do conhecimento como se isso fosse uma novidade mostra uma resistência atávica ao estudo. Em 1961, em FORTALEZA (pasmem!) o prof. Lauro já dizia isso... Este é assunto abordado em vasta literatura pedagógica nos últimos 20 anos!
Ter acesso à informação não garante o raciocínio, a lógica, o pensamento, a criatividade ou a MORALIDADE. Jogar “coelho sabido” no computador não ensina as operações do pensamento. Sozinhos diante de computadores, as crianças e jovens já ficam em casa e/ou em “lan houses”. Nisso os pais são competentes, deixam seus filhos por horas diante dos computadores como deixavam, e ainda deixam os pequenos, diante da TV. Os celulares, iphones, tablets etc. são tecnologias dominadas naturalmente pelas crianças e jovens, que não precisam, realmente, da escola para isso. A escola, aliás, apenas tornaria essas tecnologias em coisas “chatas” com “pontos” para decorar.
Assim amigos, a escola precisa realmente começar a humanizar suas estruturas, reeducar seus professores para o uso das tecnologias da informação, para sua auto-capacitação e prepará-los em tecnologias de aprendizagem. A escola precisa ensinar a ler e a gostar de ler. Precisa ensinar o raciocínio e a resolução de problemas, a criatividade e o empreendedorismo. A escola precisa ensinar a amar o próximo, a ser solidário e a não fazer “chacota” de coisas sérias. Ajudar as crianças a aprenderem um comportamento moral e ético. Superar o narcisismo infantil, o egoísmo adolescente e formar cidadãos melhores para um mundo melhor.
As escolas deveriam buscar medidas mais profundas de mudança, mais comprometidas com a educação e com a cidadania. A tecnologia é cada vez mais barata e disponível. Ela não depende, graças a Deus!, da escola.

O terceiro educador de quem gostaria de falar é Anton Makarenko. Ucraniano, viveu entre 1888 e 1939. Makarenko não nos deixa uma metodologia pedagógica instrumental, mas princípios fundamentais para uma boa e sólida educação. Vivendo na Rússia em uma época repleta de guerras e revoluções, é difícil imaginar um poeta-filósofo tão cheio de fé, esperança e crença no ser humano. Seu livro fundamental é um romance pedagógico intitulado “Poema Pedagógico”.
Por que ele me parece tão importante? No mundo cada vez mais individualista e hedonista, ele apresenta uma resposta, um pensamento coletivista. Makarenko acredita na vida coletiva, no GRUPO e na autogestão pela participação e disciplina. Participando, votando, decidindo, assumindo tarefas e deveres, contribuindo com a coletividade... Assim Makarenko vê a construção da cidadania e a
educação, particularmente dos jovens.
Makarenko está inserido num tempo histórico e muito de suas posições, como o trabalho na educação, podem parecer superadas por novas concepções de educação. Entretanto, seus princípios filosóficos e indicações metodológicas permanecem atuais. Formar nos jovens personalidades fortes, conscientes, cultas, sadias e capazes de se tornar trabalhadores preocupados com o bem-estar do grupo compunha o rol de seus ideais.
“Foi a primeira vez que a infância foi encarada com respeito e direitos”, diz Cecília da Silveira Luedemann, educadora e autora do livro Anton Makarenko, Vida e Obra – A Pedagogia na Revolução.
A mais marcante experiência de Makarenko deu-se no período de 1920 a 1928, na direção da Colônia Gorki, uma instituição rural que atendia crianças e jovens órfãos, geralmente infratores, que viviam na marginalidade e mal sabiam ler ou escrever. Nesta experiência, ele desenhou seus princípios educacionais: vida em grupo, autogestão e disciplina.
A idéia do coletivo baseia-se no respeito a cada aluno, oposta à massificação que despersonaliza a criança e o jovem. O grupo estimula o desenvolvimento individual. Os alunos “complexos” da Colônia Gorki tornaram-se cidadãos responsáveis, trabalhadores, homens de bem.
Podem
os dizer que Makarenko apontou o que viriaa ser a “Dinâmica de Grupo” (e de certa forma a “Tomada de Consciência”) que mais tarde seriam desenvolvidas em detalhes tecnológicos pelo Prof. Lauro de Oliveira Lima em seu método Psicogenético.