segunda-feira, 25 de junho de 2012

CHEGOU A HORA DA FOGUEIRA

Dra Adriana Oliveira Lima
O São João é uma festa que tem sua importância máxima no nordeste brasileiro. Entretanto, tornou-se uma festa nacional. Muito dela já está perdido nos centros urbanos que a cada dia é engolido pela violência, pelo medo e pelas limitações afeitas às grandes cidades.
        Festa junina era na rua. Criança brincava com fogos e fogueira. Olhávamos a brasa arder e aprendíamos a ter cuidado (entre todos os irmãos e amigos, nenhum se queimou nestes festejos de infância). Minha mãe organizava a quadrilha dançada na rua com todas as crianças da vizinhança. Tinha a comida típica e em alguns bairros as barraquinhas com jogos para ganhar quinquilharias.
 
Não podemos voltar às ruas e então cresce o papel da escola como a instituição social privilegiada para o resgate e a consolidação da nossa cultura. Torna-se de suma importância levar as crianças a participar desse evento cultural, experimentar as comidas típicas, conhecer seus jogos e tradições e, acima de tudo, aprender as músicas e danças típicas, seus autores e suas fantasias.
        A ajuda da família é fundamental nesta consolidação cultural. Aos pais cabe ajudar a escola em todos os sentidos - nos cantos, na visita a apresentações de quadrilhas, nas experiências com as comidas etc.
        Para os pais ajudarem a escola no desenvolvimento de projetos pedagógicos de resgate cultural é necessário compreender que a identidade de uma pessoa se forma na sua imersão numa cultura. São as referências musicais, alimentares, de vestimentas, de lazer e trabalho, entre outros tantos aspectos da vida social, que formam uma determinada sociedade e uma determinada cultura.


É necessária a referência cultural para o sujeito tornar-se cidadão e, acima de tudo, ser capaz de amar sua história e sua comunidade, orgulhar-se de si e de seus pares. Enfim, ser parte de uma sociedade, de uma determinada comunidade.

terça-feira, 19 de junho de 2012

FESTA JUNINA 2012

VENHA E NÃO DEIXE DE CHAMAR AMIGOS. tEM DANÇA, TEM COMIDA TÍPICA, TEM BRINCADEIRA. UM RESGATE DE NOSSA CULTURA E UMA HOMENAGEM AOS 100 ANOS DE GONZAGÃO.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

70 ANOS DO NASCIMENTO DE ANNE FRANK (FEZ DIA 12 DE JUNHO)

Dra Adriana oliveira Lima


Nesta última semana, mais precisamente no dia 12 de junho, Anne Frank completaria 70 anos (12 de Junho de 1929Bergen-Belsen, 31 de Março de 1945).
        Seu último aniversário foi comemorado em um esconderijo, no escritório da família em Amsterdam, local que a menina denominou, e assim ficou conhecido, como o “anexo secreto”. Na época ela completava apenas 14 anos.
        Por que falar em Anne? O que esta menina representa?
        Anne nos mostrou o caminho da esperança, da crença de que há o bem no ser humano apesar de sua prática ser, por vezes, tão perversa.
        Anne sempre representará o nosso compromisso em não esquecer a barbárie humana, a capacidade de realizar o mal. Precisamos desta memória para poder construir o bem, o amor e a amizade.
        Anne é a autora da mais dilacerante frase sobre o humano, em seu diário:

Apesar de tudo ainda acredito na bondade humana”.

        Anne Frank foi uma entre o milhão de crianças judias assassinadas durante o Holocausto e hoje representa todas elas. Filha de Otto (único sobrevivente da família) e Edith Frank, Anne ganhou de presente em seu 13º aniversário um pequeno caderno para escrever seu diário, por meio do qual ficamos a par da devastação e da barbárie da Segunda Grande Guerra vista através dos olhos e sentimentos de uma criança.
        Depois que os nazistas chegaram ao poder, em 1933, Otto Frank e sua família fugiram para Amsterdã, mas os alemães ocuparam a Holanda em maio de 1940. Em julho de 1942, as autoridades alemãs começaram a concentrar os judeus e os deportar para os campos de extermínio de Auschwitz e Sobibor.
        Anne e sua família viveram escondidas por dois anos no sótão de um prédio que ficava atrás do escritório da família, com a ajuda de amigos que haviam preparado o esconderijo e providenciavam alimentos e roupas para a família. Em 4 de agosto de 1944 a Gestapo, polícia secreta alemã, descobriu o esconderijo após receber uma denúncia anônima.
        Em setembro de 1944, foram enviados para Auschwitz, um conjunto de campos de concentração na Polônia ocupada. Devido à sua juventude e capacidade de serviço, no final de outubro de 1944, Anne e sua irmã Margot foram transferidas para o campo de concentração de Bergen-Belsen. Ambas morreram de tifo em março de 1945. As forças soviéticas libertaram Otto, pai de Anne, no dia 27 de janeiro de 1945.
        Durante o tempo em que ficou escondida, Anne manteve um diário no qual registrava sua vida no esconderijo e os sentimentos de uma jovenzinha que brotava com força e ímpeto, cheia de amor, indignação e esperança.
        O livro sobreviveu graças a uma amiga do pai e foi publicado em 1947. Ele foi publicado em diversas línguas após o fim da guerra e ainda é usado em milhares de escolas ao redor do mundo. Anne Frank tornou-se o símbolo da esperança diante da barbárie que assassinou milhares de crianças no Holocausto. Sua obra marcou o século XX e é hoje leitura fundamental para nossos jovens em sua formação histórica, cultural e moral.

Consulte este site para ver uma interessante linha de tempo da história de Anne Frank.
http://www.annefrank.org/pt/Subsites/Linha-do-tempo/Segunda-Guerra-Mundial/O-esconderijo/1942/Fotos-do-interior-do-Anexo-Secreto/#!/pt/Subsites/Linha-do-tempo/Segunda-Guerra-Mundial/A-prisao/

domingo, 10 de junho de 2012

PIAGET E A NEUROCIÊNCIA - 4 Sem Pressa...Quanto mais largo o tronco mais alta árvore!

  Drª Adriana Oliveira Lima


Embora as referências americanas nestas pesquisas da organização e desenvolvimento do cérebro estejam restritas a critérios de QI, acabam por concordar com as hipóteses desenvolvidas por Jean Piaget quanto ao desenvolvimento geral da inteligência e do conhecimento. Enfim, de uma forma ou de outra coincidem os critérios de mais ou de menos inteligentes. O que ficou comprovado é que o desenvolvimento das regiões responsáveis pelos mais complexos e humanos pensamentos (a razão e a emoção) acontece de maneira diferente entre os que apresentam maior inteligência e os de menor inteligência. Nas crianças mais inteligentes o córtex pré-frontal atinge seu tamanho final por volta de 11/12 anos ao passo que nas menos inteligentes isto ocorre aos 8 anos! A densidade do córtex progride nas mais inteligentes até por volta dos 12 anos ao passo que nas menos inteligentes isto ocorre quatro anos antes Jean Piaget em seus estudos mostra que o tempo, isto é a precocidade não significa maior inteligência e pode mesmo ser prejudicial. Ele cita as crianças com alto desenvolvimento da linguagem, que “como papagaios” falam parecendo adultos sem, contudo isto, significar uma vantagem qualitativa da inteligência. Piaget talvez tenha sido o primeiro a dizer que a velocidade de uma resposta não tem qualquer relação com a inteligência, pois o que importa é a estratégia usada na resolução dos problemas. Como pais e educadores devemos nos preocupar com qualquer tentativa de acelerar o desenvolvimento das crianças (como queria Jerome Bruner), pois quanto mais amplo cada estágio, mais sólida a estrutura que se segue. Quanto mais larga a base mais alta a torre. Os pais, particularmente, buscam insistentemente fazer seus filhos avançarem precocemente,. Ficam contentes se o filho está um ano adiantado na escola(!). Esta pesquisa vem mostrar o que Piaget chama de limite maturacional do desenvolvimento: é necessário esperar que a própria biologia esteja pronta e ela pode precisar de mais tempo que a aparência, que o visível.

sábado, 2 de junho de 2012

Não somos todos iguais

                Este é apenas um mito sociológico. De fato, do ponto de vista biológico poder-se-ia dizer que somos semelhantes, vez que possuímos as mesmas estruturas básicas (os mesmos órgãos: coração, cérebro...), o mesmo podendo-se dizer dos aspectos psicológicos (se pensarmos nas estruturas do desenvolvimento). Entretanto somos absolutamente diferentes, tanto fisicamente quanto, e principalmente, psicologicamente (emocional e cognitivamente).


             Somos singulares. O igualitarismo pregado pelo sociologismo não resulta uma verdade aplicável aos seres humanos. Nenhuma sociedade humana dispensou as hierarquias nas construções sociais. Entretanto nos acostumamos a achar que “somos iguais” e terminamos mesmo achando este, um ideal humano.

               Todo igualitarismo é uma redução, pois se um nível inferior não é apto a igualar-se ao superior provoca a redução do superior ao inferior, em outras palavras, todo nivelamento reduz o nível geral do grupo. Nivela-se por baixo. Assim devemos aprender a distinguir o que significa OPORTUNIDADES IGUAIS (direitos dos cidadãos) de um igualitarismo mediocrizante.

              A educação, sendo um direito igualitário, deveria ser a arte de distinguir, ser capaz de fazer prevalecer a convivência das diferenças, promover as possibilidades de cada cidadão singular e sua socialização no grupo social. Entretanto, ao contrário disso, nossa educação procura a redução do indivíduo ao coletivo baixando o nível geral dos indivíduos em processos de massificação.

                As crianças são colocadas nas escolas tardiamente, são superprotegidas, ou negligenciadas, educadas segundo uma subordinação da inteligência ao desenvolvimento biológico (é mais importante comer que desenvolver a inteligência e o espírito)... na suposição de que somos todos iguais... Na vida adulta parecemos ser todos iguais . Não somos!

              A inteligência mais desenvolvida pode significar empregos melhores, relacionamentos melhores, criatividade maior, melhor articulação da língua, melhor performance lógica... MUITAS pessoas (mesmo nas universidades!) são incapazes de compreender um pensamento hipotético ou uma formulação filosófica. Os pais, entretanto, crêem poder preocupar-se com a inteligência somente por volta dos sete anos(!) quando já se passaram os mais preciosos anos para a formação das conexões cerebrais e a oportunidade das variações de experiências.

            A maioria das escolas, pelo seu lado, na mesma crença de um igualitarismo, negligencia os primeiros anos da criança fazendo da escola um lugar onde as prioridades são as mamadeiras e um brincar repetitivo, sem plano pedagógico. As crianças são freqüentemente, tanto nas escolinhas como em casa, apenas “tomadas de conta”, olhadas em um conjunto de ações repetidas, vez que dependente da iniciativa da própria criança.
NEM GÊMEOS UNIVITELINOS SÃO IGUAIS......

sexta-feira, 18 de maio de 2012

NEUROCIÊNCIA- 3 AS REDES SOCIAIS Dra Adriana Oliveira Lima


Diana Tamir é estudante de graduação junto ao laboratório de neurociência de Harvard. Ela estuda questões sociais e afetivas e as respostas cerebrais.  Estuda as relações egocêntricas e auto referenciadas nas comunicações sociais.     
Recentemente publicou num jornal científico (PNAS) os resultados de pesquisas sobre redes sociais e o prazer da exposição individual. Nelas, Diana mostra que essa exposição aparece entre os estímulos cerebrais nos mesmos níveis da comida e do sexo.
Evidente que tal publicação espalhou-se por tudo que é jornal
(O POVO - Ceará
 Correio Brasiliense
O fato é que publicar pensamentos e opiniões, fotos ou piadas, revelando a si mesmo, é um prazer cerebral do mesmo nível da comida e do sexo.  
Falar sobre si próprio libera dopamina, substância química vinculada aos sentimentos de prazer ou à antecipação de uma recompensa.  Sabe-se que as pessoas despendem até 40% dos discursos falando de si. Nas redes sociais este índice chega a dobrar, alcançando cerca de 80%. Nesta pesquisa observou-se que falar de si podia ser trocado por ganhos menores (dinheiro oferecido) para obter forte resposta cerebral (nas áreas de prazer).
Foi o que mostrou a pesquisa de Tamir, usando tecnologia de ponta para escanear o cérebro e suas reações ao falarmos de nós mesmo com os outros. Pesquisa cujo propósito era verificar se esta exposição de si tem um valor intrínseco, isto é, se faz as pessoas se sentirem bem com isso e se o prazer de se expor atingia áreas iguais às da comida, sexo ou dinheiro.
Cerca de 300 pessoas participaram da pesquisa e algumas tinham que colocar suas opiniões sobre diversos temas enquanto eram monitoradas cerebralmente (ressonância magnética e outros recursos). Outros deviam cumprir tarefas em troca de dinheiro:
"When you look at the neural regions generally associated with rewards like money or sex or food, those same regions seemed to respond more robustly when people were engaging in self disclosure than when they were not," says Tamir.
O fato é que postar no “FacebooK” um pensamento, um sentimento, uma piada ou uma foto, é uma fonte de prazer. Precisamos apenas lembrar a dinâmica inversa: a necessidade de ter muitos amigos – a quantidade revelaria uma popularidade -, a necessidade de “ser visto” por meio do “curtir” ou dos “compartilhamentos”. A frustração da inexistência na rede pode existir. Mas estar nela é uma forma prazerosa de ampliar relações e partilhar experiências.
Afora isso os níveis de informação elevam-se substancialmente, de novos encontros e possibilidades. Precisamos apenas ver mais os outros, observar mais, participar mais.

Veja mais

sábado, 5 de maio de 2012

PIAGET E A NEUROCIÊNCIA - 2

Compreendendo a Adolescência e a abertura para todos os possíveis 

Profª Drª Adriana Oliveira Lima
Um outro estudo da neurociência que nos interessa diretamente é a constatação de que ocorre, por volta dos 11, 12, 13 anos (essa idade não é fixa depende de maturações intelectuais) até em torno dos 18 anos, na região do meio do cérebro (área do córtex frontal - área especifica da socialização), um amadurecimento que ocasiona um transtorno geral no cérebro, uma reorganização fisiológica. Coincidentemente, Piaget afirma

que as maturações biológicas vão até por volta dos 16 anos, ocasião em que todo o desenvolvimento cognitivo se reestrutura nas operações abstratas. Nesse estágio de maturação fisiológica acontecem varias transformações comportamentais. Esta reorganização cerebral altamente qualitativa e ligada a processos hormonais intensos, coincide, precisamente com a reorganização causada pela aquisição do pensamento operatório abstrato, ou hipotético dedutivo, que ocorre por volta dos 12 anos. Verifica-se assim, o desenvolvimento até por volta dos 16anos como dizia Piaget... verdadeira reconstrução do cérebro”, diz Sergio Ojeda•. São estas conexões sinápticas que são responsáveis pelas emoções e pelo pensamento lógico. É como se fosse uma racionalização do funcionamento cerebral. E são os hormônios, no caso os femininos para ambos os sexos, que são responsáveis por tal revolução. Assim é que podemos compreender a reviravolta na vida dos adolescentes. Até os 20 anos se reorganiza as vias neurais que perdurarão pelo resto da vida.
Jean Piaget demonstrou por meio de inúmeras pesquisas que os indivíduos passam por diferentes estruturas em seu processo de desenvolvimento. Sem dúvida as operações abstratas, última destas estruturas, que é alcançada por volta dos 12anos, consiste na transformação radical da maneira de perceber e se relacionar com o mundo, sendo uma revolução cognitiva. O sujeito é capaz de dispensar o objeto e pensar o real por meio de hipóteses, proposições altamente operatórias, probabilidades e outros mecanismos formais. Piaget estudou estes processos por meio do método clínico (observação e perguntas) e os vemos agora comprovados por sofisticadas pesquisas da neurociência. “Quando a mente está pensando, está falando consigo mesma.” (Platão)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

PIAGET E A NEUROCIÊNCIA - 1 Importância da estimulação dos bebês

Profª Drª Adriana Oliveira Lima




É fascinante acompanhar as pesquisas mais recentes da neurociência constatando cada vez mais uma profunda cientificidade dos estudos de Jean Piaget. Imaginar que o método por ele criado, o método clínico, como ele esperava, era capaz de desvendar processos interiores da construção do conhecimento. Este método, grosso modo, consiste na pesquisa por meio da observação exaustiva e de perguntas feitas às crianças no decurso de uma situação proposta pelo investigador. Piaget e seus auxiliares dedicaram muito tempo fazendo anotações das conversações espontâneas das crianças na “Casa dos Pequeninos”, bem como suas reações e “reflexões” diante de situações cuidadosamente propostas pelos investigadores. Por este meio desvendou muito de como se estrutura o conhecimento, fazendo avanços relevantes no campo epistemológico e contribuindo para melhoria da educação na medida em que nos oferecia um grande número de pesquisas na área da psicologia do desenvolvimento. Algumas destas pesquisas chamam nossa atenção, como, por exemplo a descoberta por meio dos tomógrafos e outros equipamentos de controle cerebral, utilizados pela neurociência, sobre a coincidência entre o lugar da motricidade e o lugar da semiótica, e a chamada “segunda chance” ou uma espécie de “reordenação” geral do cérebro na adolescência.
Estas pesquisas mostram como é precisamente da sofisticação máxima das habilidades sensório-motoras que se faz a reordenação neurônica para o aparecimento da Função Semiótica (capacidade de representar). Veja, por exemplo, que nestes estudos observou-se que um objeto apanhado com os dedos faz os cérebros de primatas mostrarem atividades enquanto se este objeto for apanhado por meio de uma pinça, não aparece qualquer atividade, o que mostra que as mediações, fonte das invenções e da semiótica NÃO são sequer percebidas pelos macacos enquanto é executado com facilidade pelo ser humano. São as cadeias de ações ritmadas em sequências indefinidas (tocar piano, por exemplo) que diferencia o sensório-motor do homem dos primatas e animais em geral. Ora, se as estruturas semióticas se colocam sobre as estruturas motoras mais sofisticadamente desenvolvidas, fica mais claro entender que a estrutura sensória motora engendra a semiótica, como afirma Piaget. Pode-se também compreender a existência de um pensamento sem linguagem, o que revoluciona as dúvidas existentes sobre esta questão. Para nós, educadores, é fundamental esta compreensão para que as estruturas sensório motoras sejam mais valorizadas por pais e educadores vez que será sobre ela que se engendrará a Função Semiótica. A pesquisa reforça a enorme valorização dada por Piaget aos dois primeiros anos de vida e o potencial de desenvolvimento da inteligência nele contido.

domingo, 22 de abril de 2012

MONTEIRO LOBATO




APÓS A SEMANA DO LIVRO, A BIENAL EM BRASÍLIA, VALE DESTACAR UM PROJETO TÃO BEM DESENVOLVIDO COMO ESTE. ESCOLA NOVA DE PARABÉNS.
 QUE NOSSAS CRIANÇAS TENHAM SEMPRE MONTEIRO LOBATO COMO FONTE DE CULTURAE DIVERTIMANTO

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.198770243559239.27587.149320901837507&type=3

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A CONSTRUÇÃO DO PENSAMENTO CIENTÍFICO: A criança e a FÍSICA

Dra Adriana Oliveira Lima



      Jean Piaget fez pesquisas exaustivas sobre o desenvolvimento do pensamento científico. Jean Piaget estudou as medidas, o peso, a massa, o volume e a velocidade, entre outros conceitos da física. O que se torna particularmente interessante é levar essas descobertas acerca da construção destes conhecimentos para o interior da escola.
        Respeitar o desenvolvimento da criança e ser “piagetiano” não consiste simplesmente em fazer testes e identificar estágios. Demanda, acima de tudo, elaborar um leque de atividades que possam estimular a criança em suas relações com o pensamento científico.
        Utilizando materiais bastante simples como tampas e copos, bem como alguns recursos estruturados como balanças, podemos promover atividades altamente estimulantes para o desenvolvimento cognitivo das crianças.
        No primeiro estágio das conservações precisamos levar a criança a fazer avaliações intuitivas (desde os 05 ou 06 anos). Essas avaliações devem versar sobre os conceitos de quantidades contínuas (massa e líquidos) ou descontínuas (elementos contáveis como bolinhas, laranjas etc.). As avaliações podem compor um instrumental com dezenas de atividades que levem a criança a pensar sobre as quantidades e medidas. Podemos perguntar-lhes quantas bolas de gude cabem num copo de água, quantas jujubas estão dentro do saco, que dois objetos lhes parecem ter o mesmo peso etc.
        Durante a ESCOLA DE PAIS da Escola Nova procuramos demonstrar para os pais algumas destas atividades para que eles compreendam como ocorre efetivamente a construção do conhecimento tão “cantada” pelo construtivismo.
        Na figura ao lado podemos ver bonecas e suas camas. A criança deve antecipar que boneca corresponde a cada cama. Temos também materiais para as avaliações de quantidades contínuas ou descontínuas. Na página CONSTRUÇÃO DAS QUANTIDADES FÍSICAS (CLICK AQUI) publicamos alguns vídeos feitos na Reunião de Pais da Escola Nova, (18-05-2012) onde é possível ter uma amostra de possíveis atividades que podem ser feitas com as crianças.

       
        

terça-feira, 3 de abril de 2012

As palavras e as coisas


 Piaget fez vasto estudo sobre a Representação do Mundo na Criança. Entre temas como os sonhos e o animismo, estudou os "nomes e as coisas". Qual a origem dos nomes? Quem deu nome as coisas? Podemos mudar os nomes das coisas?
Neste curto video temos parte da atividade sobre as Palavras e as coisas com crianças de 9 e 10 anos.


http://youtu.be/S7XRu2MBpIs

sexta-feira, 30 de março de 2012

Eike Batista, um superpai?

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/03/eike-batista-um-superpai.html


Eike Batista, um superpai?

O comportamento do pai de Thor nos leva a refletir sobre o que é a paternidade em nossa época

ELIANE BRUM

Rudolf Steiner, a pedagogia Waldorf - EDUCADORES E REVOLUÇÕES NA EDUCAÇÃO


A Pedagogia Waldorf foi criada pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner e a 1ª escola a utilizá-la foi fundada em 1919 em Stuttgart, na Alemanha. Essa pedagogia preocupa-se com o desenvolvimento global do indivíduo e suas diferenças individuais, tendo por objetivo descobrir as capacidades dos mesmos a fim de realizar plenamente seu potencial.
        Seu currículo é desenvolvido em bases antropológicas/antroposóficas. A antroposofia, do grego “sabedoria humana”, foi fundada por Rudolf Steiner, que presidiu a Sociedade Teosófica da Alemanha.  Ela tem como objetivo a evolução física, emocional e espiritual do ser humano.
        A proposta pedagógica de Steiner divide o desenvolvimento em três etapas (setênios):
De 0 a 07 anos Característica: O bom. A criança está na fase do desenvolvimento motor e do aprendizado por imitação.  O educador Waldorf deve ser digno de ser imitado, pois representará a moralidade futura.

De 07 a 14 anos (maturidade sexual) Característica: O belo. Fase de emancipação da vida corporal; Interesse pela admiração que as coisas causam; a puberdade (12/14 anos) perturba sua harmonia.

De 14 a 21 anos (maturidade social) Característica: O verdadeiro. Liberdade das forças anímicas; desenvolvimento do pensamento lógico, analítico e sintético. Nesta fase o professor Waldorf deve ser digno de respeito.
       
        Não existem grandes diferenças no detalhamento do trabalho entre este método e a ideia construtivista de uma maneira geral. Entretanto, alguns tópicos metodológicos são objeto de um olhar mais crítico e, a título de exemplo, tomarei duas destas propostas.

        Primeiro, cada grupo de alunos desde o primeiro ano terá um(a) professor(a) de classe, que acompanhará essa turma durante os 8 anos de ensino fundamental. Supõe-se com isso que o professor, devido à intensa convivência com seus alunos, os conheceria em profundidade podendo realizar um trabalho extremamente individualizado.

        Sobre isto precisamos apontar a complexidade das relações humanas, onde simpatias e antipatias, identificações e mesmo incompetências deixaria bastante comprometida a ideia de uma criança estabelecer uma relação com uma professora tão duradoura (imagine se ela tiver pontos fortes de controvérsias). Acredito que a diversidade de pessoas lidando com as crianças ao longo da escolaridade fornece um conjunto de modelos capazes de formar uma personalidade individual e nova e bastante saudável.
       
        Outro ponto a se destacar é que a pedagogia Waldorf utiliza o ensino em épocas para possibilitar aos alunos um maior aprofundamento nos grandes temas propostos. “Assim, por exemplo, é dada uma época de história por 03 ou 04 semanas, durante a qual o aluno vivencia uma integração de matérias em torno do tema abordado. Pode-se seguir uma época de matemática ou de português e assim, sucessivamente”.
       
        Piaget nos mostra que a inteligência é global. A abordagem do real se faz com todos os sentidos. As estruturas são de “conjunto”, o que torna muito pouco natural uma abordagem pontual e extensa no tempo. A criança deve ter à sua disposição uma gama rica de atividades para desenvolver novos esquemas para assimilar o real.


EDUCADORES JÁ PUBLICADOS:

Anísio Teixeira
Paulo Freire
Celestin Frenet
Montessouri
Makarenko
Rudolf Steiner

quinta-feira, 22 de março de 2012

ESTÁDIO OPERATÓRIO CONCRETO - 7 A 12 ANOS

 
“Dicas” para OS PAIS

            1. Assistam filmes de aventuras juntos. Procure mostrar filmes clássicos, fale de sua infância e dos filmes e aventuras que viveu (na adolescência você não terá esta chance). O aspecto cultural da educação depende muito de você (a TV contribui muito pouco).
            2. Leia histórias que, agora, podem dispensar inteiramente as figuras. Peça que imagine ou desenhe que ilustração seria adequada a cada passagem da história. Procure livros que dificilmente seu filho leria sozinho.
            3. A ausência de limites é desestruturadora, uma vez que a criança é rigorosa com as regras e sabe que errou. Discutir é sempre um caminho positivo. A introjeção da LEI é característica desta etapa. A criança precisa organizar a Lei para alcançar a autonomia na adolescência.
            4. Entenda que ela prefere estar com os amigos. Há muito que fazer, há muitas aventuras. Ela preferirá sempre ter um amigo convidado ou ir para a casa deles. Gostam de estar com o "bando", na "rua".
 
5. Procure fazer atividades que envolvam alguma aventura ou descoberta como andar em trilhas, caçar insetos, procurar esconderijos, brincar de esconde-esconde, fantasmas (gostam de histórias de terror - apropriadas à idade) etc.
            6. Realizar experimentos científicos é de alto interesse deles e uma maneira de estar junto. Acampar, caminhar na praia recolhendo diferentes materiais são ações típicas desta idade e que os pais podem fazer junto aos filhos. Sente com eles e façam maquetes, dobraduras, brinquedos
7. Jogue diferentes jogos. Seu filho é capaz de aprender cada vez mais facilmente uma grande quantidade de regras. Lembre que até o xadrez, que é um jogo complexo, já pode ser aprendido. Procure diversificar, pois vai depender muito dos pais a criança aprender a variar de atividades. Quando deixados sozinhos elas tendem a ficar horas a fio na frente da televisão.
            8. Sempre que possível convide amigos de seus filhos para sua casa para jogar e brincar. Seja um promotor de encontros entre a sua criança e as demais. Os pais têm menos trabalho quando seu filho está com amigos do que nas ocasiões em que esta sozinho. “O melhor brinquedo para uma criança é outra criança” .
com sucatas, construções com blocos etc.

 
9. Nas tarefas escolares de casa seja um desafiador. Não se comprometa com a aprendizagem, que é papel da escola e onde, freqüentemente, entram em conflito. Faça destes momentos algo positivo na relação entre você e as crianças. Os pais desgastam suas relações com os filhos tentando fazer as tarefas escolares. Deixe que a criança aprenda a fazer sozinha e use o tempo disponível para outros conhecimentos a serem partilhados entre pais e filhos.
            10. Se quiser ensinar, procure revistas, novos livros, curiosidades, filmes. Há uma infinidade de coisas interessantes para serem partilhadas, que não sejam do conteúdo escolar.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Estádio INTUITIVO - de 4 a 6/7 anos





Este é o período em que o egocentrismo chega ao seu apogeu, sendo, um período PRÉ-CONCEITUAL por excelência. Piaget identifica nesse estádio a formação dos preconceitos sociais (cor-raça, gênero, pobreza etc.) facilmente adquiridos pela incapacidade operatória em colocar-se no ponto de vista do outro, observar preceitos legais etc. A justiça neste estádio é quantitativa e igualitária, isto é, a lei do “olho por olho, dente por dente”. A criança nesse só considera devidamente punido aquele que recebe castigo igual e inverso. Toda decisão do adulto parece-lhe justa, mesmo quando obviamente injusta.
O mundo da criança ainda está centrado no próprio ponto de vista, resultando em uma enorme dificuldade em objetivar-se.
A criança intuitiva não logra uma boa relação com o ponto de vista do outro por não ter o pensamento lógico que consiste na precisa capacidade de corrigir os erros da percepção e, assim, superar suas “impressões” (“ainda que as árvores pareçam mover-se quando estou no carro, é o carro que se move”). É a idade dos PORQUÊS e "fogo". 
“Dicas” para OS PAIS das crianças de 4 a 7 anos
1. Livros de histórias ou "revistinhas" podem ser manuseados diretamente sem a dependência do adulto. Se estimulado, concentra-se olhando as figuras longamente. Pode começar a interessar-se pela leitura e a escrita, o que deve ser visto com naturalidade sem qualquer pressão.

2. A criança inicia a escrita escrevendo como imagina as palavras, algumas vezes usando símbolos próprios, não convencionais. Mistura a representação escrita do objeto com o próprio objeto e, assim, escreve, por exemplo, formiga com poucos símbolos, “porque ela é pequena”, e elefante com muitas “por que ele é grande”. Evolui para a representação por meio de letras e vogais, mas de maneira casual e sem organicidade. Passa então a fazer correspondência entre letras e sílabas, representando o ritmo da palavra (um símbolo para cada sílaba). Por fim, representa os fonemas corretamente
 
3. Leve-a junto com você sempre que for FAZER coisas (lavar um carro, consertar uma torneira, ver uma obra, limpar a cozinha, cuidar do jardim, fazer compras etc.). A criança nesse estádio tem grande interesse por todas as ações e torna-se assim um bom "ajudante".

4. Aproveite momentos. Construa com ela brinquedos de sucata, faça desenhos, abra um relógio velho ou um telefone para ver o que tem dentro. Os brinquedos de construção devem ser particularmente estimulados. Faça dobraduras, experiências etc.

5. Responda o “porquê", mas sempre questionando. Faça seu filho pensar e dar sua opinião também. O pensamento científico se constrói quando se reflete e opina. Faça experiências (ou deixe-a fazer), desde simples misturas de sobras num restaurante até aquelas mais estruturadas que podem surgir quando ela fizer uma pergunta. Seja um cientista junto com sua criança. A curiosidade e o espírito científico são facilmente destruídos nos sistemas tradicionais de ensino.

6. Discuta os preconceitos, leve-a a partilhar os trabalhos domésticos, independentemente do sexo. Ensine-a como lidar com o diferente. O racismo e todas as discriminações são proibidos por lei. Ensine seu filho (a) a conviver socialmente. Não subestime os comportamentos preconceituosos desta idade, pois é neste momento que os preconceitos se constituem.

7. Assista a filmes ou outros programas juntos e partilhe opiniões. Critique e elogie a televisão, mostrando que o que ali está é questionável e não imutável.

8. Jogue com ela jogos populares como "damas", "loto", "memória", "dominó" e outros similares. Estabeleça seu tempo e imponha limites, pois ela pedirá sempre mais.

9. Conte histórias completas, com início, meio e fim. Pergunte sobre a história. Os livros podem ter menos figuras e pode ser lido o texto que o livro traz.

10. Colecione alguma coisa (ou várias): tampinhas, papel de bombom, chaveiro, postais etc. Aqui se origina o que serão as coleções da criança entre os 07 e 12 anos (operações concretas).