
Não sou de pensar que tudo começa e termina na educação, mas não pude deixar de pensar nela assistindo ao jogo Barcelona e Santos. O jogo me impressionou em muitos aspectos, como na beleza dos passes corretos, do domínio de bola e do senso de equipe, onde todos têm o mesmo valor e todos participam intensamente no desempenho de seus papéis.
Em todos os jogos que assisto (e sou torcedora de acompanhar futebol), os narradores brasileiros sempre mencionam a esperança na qualidade individual de um ou outro jogador (e no do Barcelona não deixaram de “torcer pelo Neymar”). Esperam sempre que uma “jogada de gênio” resolva a partida. Mas já não há esses gênios – ou já não é mais suficiente apenas essa genialidade individual. Neymar entrou na roda de uma equipe com profundo espírito de grupo.
Nossos ídolos egocêntricos (tudo gira em torno de seus egos) e com sérias lacunas na educação saem correndo pelos campos tentando marcar um gol como nos idos tempos. O futebol, como mostrou o Barcelona, é um esporte coletivo. Cada um tem seu papel. O professor Lauro de Oliveira Lima não cansou de usar o futebol como analogia em sua “dinâmica de Grupo” - um jogo onde o “professor” (técnico) não joga e no qual o resultado final depende do desempenho do papel de cada um dos jogadores. A equipe tem qualidades que não existem e superam aquelas dos jogadores individualmente. Lauro se inspirava na seleção de 1970 e tinha franca razão em tão apaixonada analogia.
Os europeus são mais disciplinados. A lei ali vale para todos. A regra subordina a todos igualmente. Desta forma, Messi coloca sua genialidade no contexto do grupo e todos caminham em harmonia disciplinar. Ninguém pode negar o espetáculo que foi este jogo e como fomos humilhados.
As empresas, cada vez mais, trabalham em equipes. Nossa educação está cada vez mais individualista e competitiva. Precisamos educar para o trabalho em grupo e para o coletivo para sermos vitoriosos.