segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Jornal do Leitor - O POVO

http://www.opovo.com.br/app/colunas/educacao/2010/12/04/noticiaseducacao,2073075/escolhendo-a-escola-para-os-filhos.shtml

domingo, 5 de dezembro de 2010

O DESENVOLVIMENTO MORAL DA CRIANÇA Parte 2


O DESENVOLVIMENTO MORAL DA CRIANÇA
Parte 2

Dra Adriana Oliveira Lima (não deixe de citar esta fonte)

6. Só muito mais tarde, na adolescência, a criança liga as ações (infração) às suas intenções, evoluindo consideravelmente na construção da moralidade. As crianças julgam os fatos por critérios “que estão longe de serem, moral e juridicamente, aceitáveis... Ela, por exemplo, não percebe a ação dolosa”.

7. Antes da adolescência, ela não é capaz de fazer compensação, considerar atenuantes, julgando que a igualdade equivale à justiça.

8. Somente após 12/13 anos, e, dependente da aquisição do pensamento hipotético-dedutivo, o jovem é capaz de construir uma justiça de equilíbrio, que considera vários pontos de vista, superando não apenas a centração em seu ponto de vista como o igualitarismo típico dos mais jovens.

9. O respeito mútuo, o sentimento de reciprocidade e a cooperação são a base afetiva correspondente às operações abstratas no campo cognitivo. Assim torna-se capaz de comparar pontos de vista, superando o EGOCENTRISMO.

10. Verbalização não significa nível cognitivo ou moral. Piaget mostrou como uma certa “verbalização adulta” típica das crianças não tem relação direta com o desenvolvimento cognitivo ou moral.


Não há nada tão equitativamente distribuído no mundo como a inteligência: todos estão convencidos de que têm o suficiente.
René Descartes

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O DESENVOLVIMENTO MORAL DA CRIANÇA


O DESENVOLVIMENTO MORAL DA CRIANÇA
Parte 1

Dra, Adriana Oliveira Lima (não deixe de citar estafonte)

1. Os sentimentos morais da criança constroem-se num longo processo que depende, intimamente, do desenvolvimento da inteligência. O grupo, a socialização, é fundamental na construção da moralidade, dos valores, regras, sentimento de justiça e afetividade de modo geral.

2. Os sentimentos morais precisam, como a inteligência, libertarem-se do egocentrismo, da centração em seu próprio ponto de vista, para construir o respeito mútuo, a reciprocidade, solidariedade e o sentimento de justiça.

3. A moral está para o desenvolvimento afetivo como a lógica está para o desenvolvimento cognitivo. Assim, o processo da construção moral é tão longo quanto o desenvolvimento cognitivo.

4. O fabuloso desenvolvimento das informações em nossos dias leva a uma falsa interpretação dos julgamentos morais das crianças. Os julgamentos morais das crianças não são iguais a de um adulto.

5. Piaget mostrou, por exemplo, que uma criança antes dos 7 anos julga uma infração de acordo com seus aspectos quantitativos sem considerar as intenções. Como, por exemplo, crê mais culpado e merecedor de maior castigo, uma criança que ajudando a mãe quebrou vários copos que uma segunda criança que tenha quebrado apenas um copo quando roubava biscoitos.


"O método comum de educar as crianças nas escolas parece-me ser o seguinte: a alguém teria sido dado o encargo de excogitar um método segundo o qual, paralelamente, os preceptores levassem os discípulos e estes fossem levados a conhecer com imensa fadiga, grande tédio e infinitas penas, e isso nunca antes de transcorrerem muitíssimos anos (...) quando penso nisso, convenço-me de que esses métodos foram introduzidos nas escolas por um gênio mau e invejoso, inimigo do gênero humano"

Comenius - Didática Magna

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Escolhendo Escola para os filhos

Neste período as escolas, revistas e jornais publicam sucessivas matérias falando sobre a escolha da educação que se quer para os filhos. O que fazer frente a tamanho assédio de informações? Fico olhando em volta e me perguntando até quando o Brasil permanecerá na mania discursiva já tão magistralmente descrita pelo grande Anísio Teixeira. Vejamos em nosso sistema educacional o que devemos considerar ao escolher e analisar escolas para nossas crianças e jovens.

PARA ESCOLHER UMA ESCOLA
1- Não matricule sua criança tendo como critério a proximidade da escola em relação à sua casa. Não estamos no primeiro mundo onde as escolas se equivalem. O melhor pode ser mais distante. Você esta escolhendo não um simples lugar para deixar seu filho, mas um lugar que pode determinar grande parte do que ele será no futuro. Como fazemos com o médico, procuramos onde está o melhor.
2- Não se apoiar na grandiosidade dos aspectos físicos da escola. Quase sempre escolas com grandes estruturas físicas têm também muitos alunos e quando se divide o tempo escolar pelo número de alunos, descobrimos que nossa criança não usará esse benefício.
3- Lembre que a escola deve ser um lugar INTIMISTA. Mais de 20 alunos na sala de aula inviabiliza qualquer boa intenção pedagógica – basta que se divida o tempo escolar pelo número de alunos e estabeleça um tempo de 2 minutos, por exemplo, para cada criança se expressar. É possível ver que não haverá opinião alguma formulada e emitida pela criança, menos ainda a possibilidade de todos se expressarem.
4- Ao visitar a escola, exija uma explicação de tudo que a escola diz fazer. É importante saber os meios através dos quais os objetivos definidos pela escola são realizados. É muito fácil listar belos objetivos como o desenvolvimento do espírito crítico, a criatividade ou a cidadania, difícil é desenvolver uma metodologia capaz de dar conta dos mesmos efetivamente na prática diária escolar.
5- Não aceite uma escola onde é comum o aluno ter “reforço escolar”. Estas escolas são as que menos assumem sua responsabilidade sobre a aquisição do conhecimento por parte de seus alunos.
6- Não confie em materiais físicos como o livro didático, a apostila ou joguinhos. Para usar bem um material e usar jogos como recurso didático o professor deve ser continuamente capacitado e conhecer seus objetivos e metodologias. O jogo pelo jogo ou o livro pelo livro não são suficientes no processo pedagógico – o professor e o domínio metodológico dos mesmos são fundamentais.
7- Procure saber a formação das pessoas que vão lidar com as crianças. Quais as habilidades técnicas das pessoas que dirigem sua escola, quais suas experiências de vida ou suas referências teóricas e sociais. Ter uma metodologia clara, saber o rumo que a escola deve tomar e ter firmeza nos valores e ideais é fundamental para a formação do caráter das crianças. Os adultos são modelos. A moralidade é uma existência e não um discurso.
8- A escola tem que ter VASTO material concreto como as escolas em TODO o primeiro mundo. É inaceitável uma escola com carteirinhas coloridas, giz e quadro. A criança e o jovem precisam de materiais concretos em TODAS as áreas do conhecimento.

9- A liderança da escola deve dominar conhecimentos culturais básicos de todas as áreas. Pergunte que cursos ou congressos o staff da escola participou ou que livros têm lido. A formação continuada é fundamental na pedagogia.

10- O tamanho da escola: Uma criança só pode aprender a ser crítico se tiver espaço, tempo e liberdade para se expressar. Um aluno só pode aprender quando o educador o conhece. O educador deve conhecer não apenas o seu desempenho intelectual por meio de provas e trabalhos, mas também seu lado social, afetivo. O jovem só pode tornar-se um cidadão se tiver um ambiente propício e acolhedor para se sentir seguro na árdua tarefa de expressar suas opiniões e tornar-se responsável por suas escolhas. Para tudo isso se realizar, uma escola não pode ser grande, não pode comportar centenas e centenas de alunos, pois em tal ambiente o conhecimento de cada um deles será sempre periférico e superficial e jamais será propício para o pleno desenvolvimento das capacidades cognitivas, sociais e morais dos seus filhos.

domingo, 26 de setembro de 2010

A Criança e a Sociedade de Consumo


Não percam. Este video mostra como as crianças estão sendo forçadas a performances precoces em função da venda de produtos.
Após o video uma debate com a Profa. Inês Vitorino

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Filme: A CRIANÇA


Direção: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne

Elenco: Jérémie Renier (Bruno), Déborah François (Sonia),

Sonia tem 18 anos e é casada com Bruno, de 23. O jovem casal vive de subsídios do governo e de pequenos roubos. Quando Sonia descobre que está grávida Bruno entra em desespero e sugere a venda do bebê.
Jovens de 18(ela) e 23 (ele) anos vivem as custas de subsídios governamentais e pequenos delitos. Sonia esta grávida e Bruno tem dificuldade de aceitar esta nova ordem na relação e vende o filho na primeira oportunidade.
Diante do desespero da namorada, explica que os dois “poderiam fazer um outro” a qualquer momento. Sonia entra em colapso e o denuncia à polícia. Não resta outra alternativa ao rapaz senão recuperar o bebê. E assim o faz.
"A CRIANÇA" do título não é, certamente, o bebê. O bebê consiste apenas no moto do filme e das questões discutidas. O filme se movimenta em torno do bebê, mas a criança são seus pais. O Bebê é uma mercadoria que pode ser fabricada e não vale mais que a motocicleta ou o seu carrinho.
Extremamente atual o filme não faz julgamentos morais, não trata de crime e castigo. De fato trata de possibilidades do mundo atual, de inconsequência comportamental, imaturidade e incapacidade de ajuste social pela prevalência do desejo sobre a regra.

sábado, 4 de setembro de 2010

PAIDEIA DESVAIRADA Antonio Valente


É uma alegria apresentar meu grande amigo Antonio Valente que me mandou este artigo que ora publico. Trabalhamos juntos por muitos anos. Antonio é professor da UFMG, tem diversos artigos publicados. Comente. Dê sua opinião sobre este momento que vivemos.
Se quiser falar direto com o Antonio: antonio__valente@hotmail.com




Edouard Claparéd perguntou certa vez, e ele próprio respondeu, por que a Pedagogia não sofria as transformações necessárias e possíveis como produto de avanços da pesquisa científica, a exemplo de outras áreas do conhecimento: é por que a educação sempre foi o apanágio de políticos e religiosos. E concluía, com ironia: Por certo, não foi Luiz XIV quem derrubou a Bastilha nem o Papa quem promoveu a Reforma.

Cito de memória, já que me desfiz há muito tempo da minha biblioteca pedagógica, evadido que sou dessa área, embora, certamente, permaneça dentro do sistema, já que, se os alunos evadidos são parte dele, por que não também os professores.

Sempre me recordo dessa citação em época de campanha eleitoral. A época em que todo político declara a prioridade que dará a educação durante o seu mandato. A cada declaração dessas – e são muitas! – sinto um arrepio, mas nada mais que isso, nada mais que incomode a minha prudente indiferença. Sinto pena é daqueles que estão na labuta diária e que terão que aturar mais uma avalanche de idéias geniais e mirabolantes interferindo no seu trabalho.

A propósito, por que será que nunca vi nenhum político dos Estados Unidos ou da Europa, incluir problemas educacionais em suas plataformas de campanha? Pode até ser que algum vereador (ou equivalente lá deles) ou prefeito incluam alguma medidazinha nesta área. Mais governadores e até presidentes da república (ou Primeiros Ministros)? Ou eles ou nós, alguém, está muito atrasado nesta área, é o que concluo.

A grande novidade aqui no Rio de Janeiro, e parece que também em São Paulo, é o candidato declarar que acabará com a “promoção automática” nas escolas públicas. Logo, supõem-se que professores e pais de alunos – a sociedade, de um modo geral – estão insatisfeitos com a tal promoção a ser revogada.

Também com um título desses: “promoção automática”! Como é que se pode premiar alguém automáticamente, independentemente do seu mérito. Isso é, verdadeiramente, um escândalo!

A discussão toda, como se vê, é um verdadeiro samba-do-crioulo-doido nessa geléia geral em que patina a educação brasileira.

O engraçado é que me lembro de uma discussão deste assunto num artigo de Anísio Teixeira (não me peçam referências, pelas razões expostas acima). Argumentava o grande educador, que a educação básica (por isso seria básica) é uma educação para todos, universal, e que, portanto, não fazia nenhum sentido reprovar alguém, pelo menos, neste ciclo. Todos, indistintamente, deveriam recebe-la, de maneira igualitária.

Pois foi esta reflexão que transformaram em “promoção automática”. Não sei se é para rir ou para chorar. E, diga-se de passagem, uma medida que os políticos da época abraçaram com entusiasmo, no afã de apresentar novidades em seus mandatos, o mesmo entusiasmo e com as mesmas intenções com que agora anunciam a sua revogação.

Na época em que Anísio Teixeira escreveu, ou, talvez, alguns anos depois, o sistema educacional do Rio de Janeiro reprovava cerca de 50% dos alunos no primeiro ano da escola, então chamada, primária. O outro “gargalo” era na quinta série. Ou seja, metade das crianças – criancinhas de sete anos de idade! – que pela primeira vez, animadas e sorridentes com seus caderninhos e uniformes imaculados, buscavam a escola, eram impiedosamente reprovadas e tinham que “repetir” o ano, iniciando aí uma via crucis de “repetições” repetidas, até serem atiradas ao limbo educacional, frustradas e, naturalmente, analfabetas.

Agora, já que tudo que se compreendeu das reflexões liberais de Anísio Teixeira, foi traduzido no termo “aprovação automática”, e que, políticos como os nossos não estão absolutamente interessados em sugestões trabalhosas, em reformas profundas, coisas que gastam muito e levam algum tempo para serem realizadas, mas tão somente numa palavra de ordem simples que traduza o desejo imediato do eleitorado, e, sobretudo, que possa ser anunciada na brevidade do horário eleitoral da TV (isso os executivos, porque os legislativos preferem outro esporte, o de empanturrar os currículos escolares com matérias esdrúxulas, ao sabor da moda) revoga-se a indesejada medida e, supõe-se, volta-se ao que era antes.

Ao que era antes, sempre e até quando.

Podemos certamente esperar mais uma grande leva de meninos e meninas andrajosos, sujos, analfabetos e violentos, circulando – desorientados, desprotegidos e ignorados – pelos morros, palafitas e ruas da cidade, apenas porque não souberam responder em uma prova quais são os afluentes da margem esquerda do rio Amazonas. Ou coisa parecida.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010



Billy Elliot (Jamie Bell) um garoto de 11 anos que vive numa pequena cidade da Inglaterra, onde o principal meio de sustento são as minas da cidade. Obrigado pelo pai a treinar boxe, Billy fica fascinado com a magia do balé, ao qual tem contato através de aulas de dança clássica que são realizadas na mesma academia onde pratica boxe. Incentivado pela professora de balé (Julie Walters), que vê em Billy um talento nato para a dança, ele resolve então pendurar as luvas de boxe e se dedicar de corpo e alma dança, mesmo tendo que enfrentar a contrariedade de seu irmão e seu pai sua nova atividade.
Um filme para discutir as diferenças, os preconceitos. A divisão das "!profissões" por sexo - isso é de menino, isso é de menina.
O filme é sensível, apaixonante. Bom para pais, professores e para instrumento de discussão com os adolescente.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

OS VIDEOGAMES, A TV E OS COMPUTADORES. O QUE FAZER? Parte 2


Estes recursos são fundamentalmente unilaterais, ainda que se diga que são interativos. Interação é um termo complexo que implica múltiplas influências, desafiadoras, transformadoras do sujeito e do objeto e, assim sendo, estas máquinas estão longe de apresentar atividade interativas.

A visão de interatividade atribuída aos joguinhos é ainda bastante primitiva e ligada a idéia de estimulo-resposta. Para provar esta pobreza de relação entre o sujeito e a máquina veja-se como facilmente as crianças vencem os objetivos, e os jogos tornam-se “ bobos” ou enfadonhos.

Evidente que não se quer dizer que seja ruim de todo a TV, os computadores e os vídeos games, pois estes fazem parte da vida moderna. Entretanto, e é o que queremos demarcar, é necessário contrabalançar esta “compulsão” moderna com outras atividades e outros jogos que impliquem as relações complexas que se fazem entre seres humanos. Deve-se, pois limitar o tempo de uso destes equipamentos e, diversificando as atividades das crianças, ter-se-á desenvolvida a inteligência em sua amplitude máxima e dinâmica.

Jogos clássicos de trilhas, gamão, xadrez... os insubstituíveis blocos de construção, carrinhos, bonecos e outros brinquedos capazes de desenvolver livremente o pensamento simbólico, jogos de grande espaço, como bandeira, pique, caça ao tesouro... Cantar, tocar um instrumento, aprender uma dança, uma língua estrangeira... Praticar um esporte... É enorme a diversidade de atividades que podem preencher a vida de uma criança. O que torna bastante limitado, e terrivelmente pobre, ao seu desenvolvimento é deixá-la horas a fio em frente à máquinas tão pouco inteligentes.

sábado, 28 de agosto de 2010

OS VIDEOGAMES, A TV E OS COMPUTADORES. O QUE FAZER? Parte 1




Na revista “ Isto É “, n0 1757, em artigo denominado “ De vilão a mocinho”, há um relato de uma pesquisa da Universidade Rochester de Nova Iorque, que mostra como os vídeos games desenvolvem certas habilidades nas crianças. A psicologia americana, radicalmente distinta dos estudos piagetianos, baseia-se em estatísticas e seus critérios de “ inteligência” recaem sempre em velocidade de pensamento e no desenvolvimento das percepções (psicologia clássica behaviorista).

Ora, diz o artigo que as crianças que jogavam videogames tinham melhor percepção e maior velocidade em tomar decisão. Em primeiro lugar, para Jean Piaget, a percepção é o grande obstáculo à inteligência, que consiste, precisamente na superação das impressões perceptivas ( a realidade não é apenas o que vejo, apesar de parecer predominância das avaliações lógicas sobre as perceptivas).

Em segundo lugar, para Jean Piaget, a velocidade tão apreciada pelos americanos, não tem significado maior quanto a qualidade da inteligência, não importando, para ele, quem responde primeiro, mas sim a forma, o raciocínio empregado para resolver o problema proposto.
Assim, nada justificaria, e com esta pesquisa menos ainda, que se permita que a criança despenda longo tempo em frente a vídeo games, computadores ou TV. Não se pode, obviamente, evitar a existência e os benefícios dos computadores, jogos e TV para a diversão, informação e pesquisa. Entretanto não ultrapassa este valor frio de estruturas sem desafios à inteligência.

A inteligência é ampla, precisa de desafios cada vez mais complexos, o que só é possível entre seres humanos. Nada é mais desafiador para uma criança que outra criança. Crianças normais, com bom desenvolvimento abandonam TV, computador e vídeo game para brincar com os amigos.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O SAPO E O ESCORPIÃO


Certa vez, um escorpião aproximou-se de um sapo
que estava na beira de um rio.
Oescorpião vinha fazer um pedido:
"Sapinho, você poderia me carregar até a outra
margem deste rio tão largo?"
O sapo respondeu: "Só se eu fosse tolo!
Você vai me picar, eu vou ficar paralizado e vou afundar."
Disse o escorpião: "Isso é ridículo! Se eu o picasse, ambos afundaríamos."
Confiando na lógica do escorpião, o sapo concordou e levou o escorpião nas costas,
enquanto nadava para atravessar o rio.
No meio do rio, o escorpião cravou seu ferrão no sapo.
Atingido pelo veneno, e já começando a afundar, o sapo voltou-se para o escorpião e
perguntou: "Por quê? Por quê?"
E o escorpião respondeu: "Por que sou um escorpião e essa é a minha
natureza."
ALGUMAS "NATUREZAS" SÃO IMUTÁVEIS.

PENSAMENTOS
"Ciúme é querer manter o que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é querer que o outro não tenha."
Zuenir Ventura

"A competição é a paixão das almas nobres; a inveja, o suplício das almas vis."
Jean-François Marmontel

"Os homens de mérito não precisam cuidar da sua fama; a inveja dos tolos e dos petulantes se encarrega de propagá-la."
Cándido Nocegal y Rodríguez de la Flor

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

PENSAMENTOS


Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo..."
Abraham Lincoln

Aquilo que não me mata, só me fortalece
Friedrich Nietzsche

Nenhuma herança é tão rica quanto a honestidade.
William Shakespeare

domingo, 22 de agosto de 2010

OS SONHOS NUNCA ACABAM



Esta semana alguém me falou sobre o fim dos sonhos. Mais precisamente se eu não lastimava o fim de um sonho. Demorei um pouco para compreender de onde partia tal análise e sentimento de perda que levava uma pessoa a alocar o sonho de forma tão exterior ao CORPO.
Não existem sonhos fora dos corpos. Aos dois anos, uma criança de maneira geral começa a construir e organizar imagens. A mente representa as coisas e mais tarde suas relações. A organização da memória imagética precisa de contextos e, assim, a mente as organiza dentro de contextos (histórias) buscando criar sentidos cada vez mais complexos conforme a idade.
Assim, nossa mente nos níveis simbólicos é um arquivo de histórias e relações emocionais que fazem vir à tona as vivências com alta carga de teor emocional. Mais tarde será uma rede de relações lógicas que trarão à baila as memórias.
Nossa mente mistura as lembranças emocionais com as lógicas, criando histórias e recriando-as, lembrando e esquecendo, conforme vamos vivendo. Nos contextos vamos agregando lembranças a símbolos que representam toda sorte de sentimentos: bruxas, mágicos, palhaços, cheiros, impressões sensoriais, amor, inveja, raiva, melancolia, saudade, alegria...
Como os símbolos estão nos estratos mais profundos da mente eles podem se manifestar na vida diurna como desejos incontroláveis, levando os sujeitos a confundir estas emoções primitivas com fatos reais, ou depositar fora de sua própria ação o que imagina ser seu sonho (no sentido de objetivo e desejo de vida).
Isto é o que vamos chamar de "sonho acordado" que se traduz como uma fome psíquica através da qual o homem projeta, faz planos futuros, define seus objetivos de vida e seus ditos “sonhos”. Neste sonho acordado pode, também, aparecer o “devaneio”, que consiste na construção simbólica da realidade para atender o desejo mais particular do indivíduo. Seja qual for o sonho, entretanto, ele só se faz na mente humana.
O único grande impasse da situação dos sonhos e devaneios é quando ele, pela inércia do “sonhador”, é depositada na ação de outrem!!!! Não pode, desta feita, ser jamais realizado de maneira satisfatória. Um sonho acordado só tem uma saída: REALIZAR! FAZER! Há os que lideram seus sonhos e os que se “amalgamam” aos sonhos alheios. E há aqueles que deslocam seus sonhos para um ambiente de fantasia, e os acalentam no plano do simbólico, tentando empurrar os outros para seus desejos sem fazer qualquer esforço de realizar seus próprios desejos.
Assim, amigos, os sonhos vão onde as pessoas forem e morrem apenas quando elas deixam de sonhar.
Os sonhos são ANDANTES...

“Talvez não sonhar mais seja uma das primeiras evidências de que abandonamos a vida e esperamos a morte”

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O Cortesão – Baldassare Castiglione



O Cortesão é uma obra renascentista, um dos “livros de cabeceira” da civilização ocidental. Diálogo em tom elegante, dotado de uma atmosfera serena e grande refinamento intelectual na construção do “perfeito cortesão”. Ele ficou conhecido como “um código da elegância do pensamento e do gosto que se tornam elegância e refinamento dos costumes”.

Reproduzo abaixo um célebre trecho da obra, tão importante então quanto agora e sempre, que trata da questão da amizade:
“Mas creio que há outra coisa que dá e diminui muito a reputação: é ela a escolha dos amigos com os quais se há de ter uma relação estreita; porque sem dúvida a razão quer que aqueles que têm amizade profunda e companhia inseparável tenham também as vontades, os espíritos, os juízos e as inteligências conformes. Assim, quem conversa com ignorantes ou maus, é tido por ignorante ou mal; ao contrário, quem conversa com bons, sábios e discretos, como tal é considerado; pois parece que por natureza tudo facilmente se conjugue com seu semelhante. Por isso creio ser necessária muita atenção ao começar tais amizades.
(...)
Portanto, creio que é bom amar e servir mais a um do que a outro, conforme os méritos e o valor. (...) e entendo que tudo isso se passa entre homens bons e virtuosos, pois a amizade dos maus não é amizade.”
B. Castigilone – O Cortesão (1528)

domingo, 15 de agosto de 2010

LINGUAGEM: A FALA




A criança acompanha sua ação com fala.
Diferente dos macacos, nas crianças, por volta de 2 anos, aparece a Função Semiótica. Para Piaget, superando Vigotsky e a psicologia clássica, ela se constitui como a capacidade de representação (característica tipicamente humana) onde a fala vai aparecer como um dos seus aspectos mais visíveis. A Psicologia clássica acreditava na linguagem sendo pensamento. Piaget vai mostrar que é relação e que existiria, inclusive, um “pensamento sem linguagem”.
A ação da criança agora (por volta dos 2 anos) será "acompanhada da fala" o que caracterizará para Vigotsky, por exemplo, o “tipicamente humano" ou as "funções superiores do homem". Também Piaget encontra esta fala acompanhando as ações. Vigotsky dirá que não se trata de simples descrição da ação, mas de uma função psicológica complexa e que quanto mais complexa é a ação maior é a importância da fala.
Para nós educadores é essencial a compreensão deste fato, pois a tentativa de fazer parar a fala da criança pode ser não apenas inútil (fracasso no pedido de silêncio) como, e principalmente, provocar a "paralisação" da ação da criança (sucesso no pedido de silêncio). Ora, sem a permissão da fala a criança pode simplesmente não resolver os problemas propostos.
Por outro lado, o uso espontâneo da fala nesta idade (pré-escolar) leva a criança a construir os instrumentos básicos do planejamento de suas ações, pois ela torna-se capaz de "irradiar" suas tentativas aproximando-se mais e mais de um plano prévio para sua ação.
No plano do desenho ocorrerá o mesmo, as crianças muito pequenas precisam antes desenhar para depois dizer o que desenharam. Como os macacos de Koeler, elas são escravas do contato visual. Ao crescerem um pouco mais serão capazes de dizer o que vão desenhar e efetivamente fazê-lo. Aqui, novamente, é mostrada a função planejadora da fala.
Jean Piaget mostrará, para além desta função, a capacidade, por meio das representações, de distanciar-se mais e mais do objeto no espaço e no tempo, o que constitui a capacidade simbólica do homem.
A pré-escola, pois, não poderá ser um lugar de enfileiramento, de silêncio, de tirocínio... deverá ser um espaço em que a fala possa desenvolver-se por seus exercícios naturais e o corpo possa acompanhar estas manifestações com movimentos harmônicos. Estudos recentes têm mostrado um "balbucio" gestual antes mesmo do aparecimento da fala, mostrando uma linguagem gestual pelos ritmos dos movimentos dos bebês. Não é possível, pois, uma escola sem estímulo à ação e à fala que acompanhará naturalmente esta ação.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Gabriela Mistral.



Somos culpados de muitos erros e muitas falhas,
mas nosso pior crime é abandonar as crianças,
desprezando a fonte da vida.
Muitas das coisas que precisamos podem esperar.
A criança não pode.
É exatamente agora que seus ossos estão se formando,
seu sangue é produzido, e seus sentidos estão se desenvolvendo.
Para ela não podemos responder "Amanhã"
Seu nome é "Hoje"

Gabriela Mistral, pseudónimo escolhido de Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga (Vicuña, 7 de abril de 1889 — Nova Iorque, 10 de janeiro de 1957), foi uma poetisa, educadora, diplomata e feminista chilena.
Foi agraciada com o Nobel de Literatura de 1945.

domingo, 8 de agosto de 2010

Mordaças e Palmadas - Lia Luft


Este é um pequeno segmento do artigo de LIA LUFT publicado na veja.
Esta postagem visa ampliar as visões e interpretações.

Mordaças e palmadas
Lya Luft Veja - 02/08/2010

(...)
"Outro tema, agora atualíssimo, é a interferência em assuntos tão pessoais quanto a educação dos filhos. A mim o tema "palmada" parece um pouco ridículo, num momento de eleições iminentes. quando precisamos estar sérios, lúcidos, focados no assunto "quem vai nos governar nos próximos quatro anos. Como, com que ideias e meios". Crianças e jovens. filhos em geral, já são protegidos por leis suficientes. Se elas não forem respeitadas, e sua quebra não for punida, não vai adiantar nada inventar novidades. Vamos aplicar e vigiar o que já existe. E não acho que o "projeto palmada" funcione sem grande confusão. Primeiro problema, o do controle: quem vai denunciar pai ou mãe que derem palmada (e não pode nem aquela branda, carinhosa chamada de atenção por cima da gorda fralda): o vizinho intrometido, a vizinha invejosa. a babá em aviso prévio. a comadre neurótica, a sogra chata, o ex-cônjuge vingativo? Eu gostaria de saber, só para começar, quem vai lidar com a avalanche de denúncias loucas. injustas e irreais que vão atravancar delegacias, postos de polícia e semelhantes.

Violência às vezes se justifica, sim, como para controlar violência, segurar alucinados, prender bandidos, dominar violentos assassinos. Mas nem mesmo violência verbal deveria reinar nas famílias: um insulto pode doer bem mais do que um tapa, brigas entre os pais fazem mais mal do que uma palmadinha, acreditem. Então, o conceito de que violência em casa é negativa e tem de ser punida já existe. Basta aplicar as regras e leis. Mas a tal lei da palmada, me perdoem: parece-me irreal, inexequível, geradora de muita confusão e de indevidas intromissões no lugar que deveria ser o mais nosso, o mais pessoal. nosso refúgio, nosso reino, nosso santo dos santos: a casa, a família, o lar.

Mas como as coisas entre nós. e neste vasto mundo, andam mais para confusão e doideira do que para lucidez e serenidade, como estamos mais violentos, policialescos, alucinados, assustados e assustadores do que firmes, elegantes, sábios, pacíficos e ordenados, tudo pode ser ser esperado, tudo é possível, e vamos nos habituando a viver na estranheza, na esquisitice, protegendo-nos como podemos de atos, fatos e idéias bizarros."

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O Milagre de Anne Sullivan



Titulo original: (The Miracle Worker)
Lançamento: 1962 (EUA)
Direção: Arthur Penn
Atores: Anne Bancroft , Victor Jory ,
Inga Swenson , Andrew Prine ,
Kathleen Comegys
Duração: 107 min
Gênero: Drama

A incansável tarefa de Anne Sullivan (Anne Bancroft), uma professora, ao tentar fazer com que Helen Keller (Patty Duke), uma garota cega, surda e muda, se adapte e entenda (pelo menos em parte) as coisas que a cercam. Para isto entra em confronto com os pais da menina, que sempre sentiram pena da filha e a mimaram, sem nunca terem lhe ensinado algo nem lhe tratado como qualquer criança.
Para os educadores e PAIS é muito importante discutir a questão da disciplina e do limite na organização do conhecimento.
Do ponto de vista mais teórico é fascinante ver a distinção entre o reconhecimento MOTOR e o aparecimento da semiótica, a descoberta das representações. IMPERDÍVEL!!!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A LINGUAGEM ESCRITA: ORTOGRAFIA E CRIATIVIDADE




Pais e professores costumam ter um "olhar ortográfico" sobre os trabalhos escritos da criança. Mesmo as mais jovens, na primeira ou segunda série, têm seus textos analisados pelo "susto" que seus erros ortográficos provocam nos adultos. Entretanto o olhar do adulto deveria centrar-se na originalidade, no volume de escrita, na criatividade e na logicidade dos textos produzidos pelas crianças. A criança, por seu lado, deve sentir total liberdade para expressar seus sentimentos e deixar fluir sua imaginação com espontaneidade.

Fazer ditados e riscar de vermelho os erros das crianças não contribuem para a melhora ortográfica. As escolas conseguem apenas reduzir o vocabulário usado pela criança restringindo seus textos de tal forma que conseguem uma "aparente" boa performance ortográfica. Se pedirmos, entretanto, que escrevam de forma livre e sobre temas mais complexos (tempos verbais não usuais) percebemos o limite alcançado por esta metodologia.

Se a professora dá maior ênfase aos erros cometidos pela criança, nestes primeiros momentos, termina por tirar-lhe a espontaneidade, provocando o empobrecimento intelectual da linguagem, que vem dificultando a aparição de escritores brasileiros. Os alunos nas nossas universidades recusam-se a escrever, copiam quase tudo, não formulam conceitos, não emitem opinião... Não fossem os livros didáticos, estaríamos entre os países mais pobres em quantidade de títulos publicados.

A correção ortográfica será progressiva, sendo grande parte alcançada pela "tomada de consciência", possível com a maturidade intelectual, e também pela leitura, que marcará a gestalt das palavras. Para tanto é necessário formar leitores. Pode-se também, como fazemos desde cedo em nossa escola, melhorar a linguagem falada, pois uma boa pronúncia das palavras resultará em considerável melhoria na escrita. Por fim, pode-se fazer aos poucos correções por meio de pesquisas, dicionários, jogos e a "tomada de consciência" sobre os textos produzidos, quando as crianças alcançam o 4º e 5º ano.

Não podemos esquecer, entretanto, que cada ação deverá estar adequada ao nível de desenvolvimento da criança, vez que muitas das convenções não são passíveis de ser aprendidas em qualquer momento, sendo, assim, necessário trabalhar o "possível" em cada estádio do desenvolvimento.

É necessário corrigir progressivamente os textos das crianças de forma que um dia elas sejam capazes de dominar de forma superior sua língua. Lembramos, no entanto, que a ortografia, como o cálculo, é uma atividade inferior da mente, sendo mesmo possível transferi-la para as máquinas (calculadoras e computadores). Assim, deve-se trabalhar a originalidade e a logicidade na escrita, características unicamente humanas, intransferíveis para uma máquina, e sermos mais pacientes com os erros ortográficos e em esperar a construção da escrita formal das crianças.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

"Invictus" William Ernest Henley


I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

"Invictus"

William Ernest Henley

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.




WIKIPEDIA: "Invictus" é um pequeno poema vitoriano de autoria do poeta inglês William Ernest Henley (1849–1903). Ele foi escrito em 1875 e inicialmente publicado em 1888[1] no Book of Verses de Henley, no qual ele era o quarto de uma série de poemas intitulados Life and Death (Echoes)
Era o poema que Mandela recitava para os demais prisioneiros em Robben Island para dar força a eles.