sexta-feira, 30 de julho de 2010

"Invictus" William Ernest Henley


I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

"Invictus"

William Ernest Henley

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.




WIKIPEDIA: "Invictus" é um pequeno poema vitoriano de autoria do poeta inglês William Ernest Henley (1849–1903). Ele foi escrito em 1875 e inicialmente publicado em 1888[1] no Book of Verses de Henley, no qual ele era o quarto de uma série de poemas intitulados Life and Death (Echoes)
Era o poema que Mandela recitava para os demais prisioneiros em Robben Island para dar força a eles.

"Invictus" William Ernest Henley

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Minha Vida em Cor de Rosa



“Minha Vida em Cor-de-Rosa” (Ma vie en Rose, 1997). O filme dirigido por Alain Berliner conta brevemente a história de Ludovic, um menino de sete anos que tem certeza de ter nascido no corpo errado. Ele sabe que tudo de que gosta é diferente do que gosta um menino (roupas ou jogos). O filme não apresenta soluções ou verdades, apenas discuste com carinho a compreensão entre pais e filhos em uma sociedade que tem dificuldades para aceitar o que não é padronizado, controlado e modelado.
No início é cômodo para todos encararem a situação como uma brincadeira que há de passar; mas o tempo passa e Ludovic apenas aprofunda seus desejos e busca suas respostas (ajudado pela irmã mais velha) Não há conversas de pai-filho ou mãe-filho, não se discute os sentimentos de Ludovic.
Instrumentos importantes para uma discussão sobre a questão das pressões sociais sobre aqueles que não se encaixam num corpo/padrão pré-definido e aceito, podem ser encontrados no filme.
A inocência de Ludovic e sua busca para desvendar a si mesmo faz deste filme um valioso instrumento para os pais, professores e mesmo para os adolescentes nas discussões sobre a sexualidade.


Minha Vida em Cor-de-Rosa
Título Original: Ma Vie en Rose
País de Origem: Bélgica/França/Inglaterra
Ano: 1997
Duração: 110min
Diretor: Alain Berliner
Elenco: Michele Laroque, Georges Du Fresne e Jean-Philippe Ecoffey

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Escola, Poder e Disciplina Michel Foucault e a construção dos paradigmas escolares

Dra. Adriana Oliveira Lima (não deixe de citar esta fonte)

Ao acessar esta página, torne-se seguidor e sugira temas em Foucault que gostaria de saber e discutir.
Este texto teve por objetivo fazer avançar as discussões relativas ao poder e a escola que foram por nós introduzidas nos estudos dos processos de avaliação (Lima, 1992). Este estudo que iniciou como um estudo dos processos de avaliação mostrou-se bastante útil para a compreensão de como se constituem os fundamentos da educação de modelo tradicional, quais seus objetivos e como se sustenta no contexto da evolução social.

Após estudos paralelos, eminentemente filosóficos, onde discutíamos a origem e a função dos intelectuais terminamos por descobrir uma fonte rica de respostas sobre a origem das disciplinas (moral, regras, valores) escolares e suas funções na educação. Passamos então a fazer um estudo mais detalhado de Michel Foucault naquilo que pudesse explicar a escola e suas "tradições".

Assim, pretendemos aqui desvendar a escola por meio dos estudos de Michel Foucault sobre a origem e o sentido de dispositivos tão cotidianos da escola, como os enfileiramentos das carteiras, as chamadas, as seriações e classificações, o controle dos espaços e do tempo. Este texto visa ajudar na reflexão sobre os aspectos organizacionais da escola tradicional e sua sobrevivência nos dias de hoje como a casca da cobra deixada para trás... oca, vazia...

I - A descoberta do corpo e a instituição da docilidade e obediência


Algumas pesquisas já mostraram a relação negativa entre a escola e a criança/adolescente, mas bastaria a realidade empírica de convivência entre pais e filhos para provar o quanto crianças e jovens não gostam da escola.
Qualquer motivo é razão para não ir para a escola... No aniversário um dos presentes é poder faltar a aula.

Numa era complexa de tecnologia e informação, nos perguntamos como esta instituição chamada escola sobrevive sem qualquer transformação de seu modelo primitivo (escola tradicional - autoridade e disciplina)? No âmbito sociológico é comum explicar este fenômeno através do que se chamou “mecanismos de controle social”, ou mais precisamente, na linguagem de Althusser "aparelho ideológico do Estado" que fazem funcionar um ciclo reprodutivo no âmbito macro-estrutural. Em outras palavras, a escola funciona como um mecanismo para garantir a reprodução das condições de dominação social.

Entretanto este mecanismo de controle social não explica a sobrevivência do cotidiano da escola no que diz respeito a realização pedagógica (aprendizagem) assim como o conjunto de suas normas internas que continuam sendo executadas ainda que não tenham mais o sentido social que um dia tiveram! Os sistemas disciplinares da escola permanecem respondendo a uma época que já passou e não respondem as demandas das sociedades modernas.

Neste sentido é que buscamos os elementos intra-escolares, suas teias microssociológicas, seu funcionamento para, neste contexto, entender-lhe os mecanismos de sustentação e sobrevivência. Os mecanismos disciplinares constituem um dos parceiros nesta microssociologia que garante a reprodução, entre outras, do próprio poder disciplinar, fazendo os pais crerem que a escola é necessária para subordinar e adestrar a criança e o jovem a um sistema de submissão que controla e garante esta reprodução contínua do poder nas sociedades. As disciplinas, no âmbito da escola, são os mecanismos mais concretos da reprodução social.

Michel Foucault, em “Vigiar e Punir”, estuda os mecanismos da Disciplina em sua capilaridade, ou seja, o poder exercido sobre os corpos. Neste sentido, pode ser esclarecedor para a escola compreender as técnicas e mecanismos disciplinares que organizam o sistema poder-submissão em sua versão micro, do dia a dia, do corpo a corpo.

“... houve, durante a época clássica , uma descoberta do corpo como objeto e alvo de poder. Encontraríamos facilmente sinais dessa grande atenção dedicada então ao corpo - ao corpo que se manipula, se modela, se treina, que obedece, responde, se torna hábil ou cujas forças se multiplicam”.

O poder em todas as sociedades, segundo Foucault, está fundamentalmente ligado ao corpo uma vez que é sobre ele que se impõem as obrigações, as limitações e as proibições. É, pois, na “redução materialista da alma e numa teoria geral do adestramento” que se instala e reina a noção de docilidade. É dócil o corpo que pode ser submetido, utilizado, transformado, aperfeiçoado em função do poder.

Os estudos de Michel Foucault mostram estes mecanismos capilares de poder que têm sua origem nos séculos XVII e XVIII. Estes mecanismos aparecem com a descoberta do corpo como objeto de arte, e o renascimento será o símbolo máximo desta descoberta, assim como do estudo do corpo enquanto anatomia e medicina . Foucault mostrará que houve também a descoberta do corpo como objeto transformável em eficiência e alvo de controle e produtividade. E este momento foi o que Foucault chamou de "momento das disciplinas" que consistia num conjunto de dispositivos de controle sobre os indivíduos. Desde então, tem-se apenas variado as técnicas e os dispositivos de submissão e controle sobre os corpos.

O que Foucault desvendou, descreveu e detalhou no estudo das prisões, hospícios, quartéis e escolas toma forma social e amplia-se em uma sofisticada e sutil tecnologia de submissão dos corpos, onde o tempo e o espaço são controlados por minuciosos dispositivos (controle dos movimentos, gestos, rapidez, tempo, manobras) e a vigilância aliada ao saber fecha um circuito de poder microssociológico. Este poder que se exerce sobre o corpo é ininterrupto (contínuo) chegando mesmo a instalar-se como coerção interna (introjeção dos mecanismos de autocoerção) e suas tecnologias (dispositivos) alcançam este feito através do que Foucault chamou DISCIPLINA, isto é, aquilo que conduz os corpos à relação docilidade-utilidade.

Os estudos de Foucault contribuem sobremaneira para a compreensão da evolução da idéia de "obediência", tão importante na escola, que teve origem neste momento em que se descobriu e se organizou o poder sobre os corpos e que em sua evolução constitui o imaginário das sociedades modernas. Este imaginário consiste de complexos mecanismos simbólicos (crenças, valores) que induzem comportamentos tanto individuais quanto coletivos não sendo, quase sempre, conscientes. A obediência está de tal forma introjetada nos indivíduos que a confissão aparece como parceira indissolúvel permitindo aos indivíduos o alívio necessário para manutenção da integridade física ou mental.

Mas, retomando nosso tema, como se deu a construção desta obediência no processo histórico? Na domesticidade escrava pode-se dizer que a obediência se inscrevia (inscreve-se) no controle sobre a operação do corpo, isto é, sobre as ações do corpo em função dos resultados produtivos, e a punição é o regulador da obediência. Na vassalagem, a obtenção do controle se fazia pela produção, isto é, o que importava era o resultado do 'trabalho dos corpos' e era nesta produção que se instalava o controle que, assim, não era direto sobre os corpos. De um outro ponto de vista, ainda medieval e constituindo um modelo próprio que se reproduz socialmente sob a inspiração dos modelos religiosos a obediência tem lugar e pode realizar-se, também, por meio da renúncia, ("renúncia monástica").

Ao contrário deste processo histórico, é na modernidade que Foucault vai encontrar a construção desta maquinaria de poder através do controle dos corpos e que ele chamou de anatomia política, isto é, o corpo para fazer não o que se quer, mas para operar como se quer. É a tecnologia da disciplina fabricando os corpos submissos pelo controle dos gestos, do tempo, dos espaços, das estratégias... É o aparecimento de uma nova dimensão do poder, do controle.

Esta anatomia política desenha-se aos poucos até alcançar um método geral "que está em funcionamento nos colégios, muito cedo; mais tarde nas escolas primárias; investiram lentamente o espaço hospitalar; e em algumas dezenas de anos, reestruturaram a organização militar”. A disciplina que Foucault mostrará é, pois, uma política do detalhe e é desta forma que se desenha uma microfísica do poder que vem evoluindo em técnicas cada vez mais sutis, sofisticadas, com aparente inocência, tomando o corpo social em sua quase totalidade. É assim, pois, no contexto disciplinar dos regulamentos minuciosos, do olhar das inspeções que o controle sobre o corpo toma forma nas escolas, quartéis, etc., esta é a microfísica do poder, a que nos dedicaremos a detalhar um pouco mais.

II - Disciplina e a arte das distribuições

É preciso agora esmiuçar esta tecnologia disciplinar em seus diferentes componentes para estudar-lhe como esta se insere na escola. Em primeiro lugar analisemos a organização e controle do "espaço", isto é, o quadriculamento celular dos espaços, onde perdura a idéia do enclausuramento na organização física e que se expressa por: “Cada indivíduo em seu lugar e, em cada lugar, um indivíduo”. A organização do espaço vai evitar as distribuições por grupos e decompor todas as aparições coletivas. A circulação difusa, sem grupamentos, permite saber onde e como encontrar os indivíduos. Preservar apenas as comunicações úteis (sic!) e interromper todas as demais. Este é um espaço analítico onde o quadriculamento permite a vigilância contínua e de conjunto, uma vez que o todo não se decompõe em grupos, mas em movimentos coletivos vigiados. Veja a marcha de alunos, soldados...

É a disposição dos corpos no espaço que permite o OLHAR, isto é, a vigilância. Assim é que encontramos nas escolas minuciosa organização dos espaços onde, por exemplo, os corredores entre carteiras que permitem o movimento contínuo, ainda que ele não se dê. As seriações são feitas distribuindo os corpos em carteiras por idade, conhecimento ou comportamento, colocando o indivíduo, assim, em espaços definidos por sua localização na série. Esta arquitetura funcional e hierárquica é mantida por esta disciplina organizada em “celas”, “fileiras” ou “lugares”.

Este modelo de disciplina dos espaços introjeta-se nos corpos e esta introjeção ganha prolongamento social que se expressa nas ações dos corpos, na vida cotidiana, produzindo as “arrumações” de todos os espaços que, em última instância define-se pelo poder pela visibilidade. A subordinação à vigilância contínua é reproduzida pela coerção interna do indivíduo, isto é, o próprio indivíduo coloca-se no espaço possível de vigilância, que é o lugar da submissão e reproduz esta distribuição sem que seja necessário, de fato, ser vigiado.

Em segundo lugar a "disciplina" organiza o tempo que consiste no controle e regulamentação sobre os ciclos da repetição. O ritmo em que é exercida a atividade torna-se mais importante que os horários propriamente ditos. Este ritmo da ação é imposto de fora sobre os corpos: “À última pancada do relógio, um aluno baterá o sino e, ao primeiro toque, os alunos se porão de joelhos, com os braços cruzados e os olhos baixos...”

A regularidade, o ritmo, “é proibido perder o tempo que é contado por Deus e pago pelos homens”. Poder-se-á dizer que os dias atuais apenas escondem o cinismo explícito, mantendo os rituais escolares bastante semelhantes: as campainhas, os ritmos de repetição da atividade, a cronometragem em função da submissão dos corpos. Igualmente à distribuição dos espaços, o controle sobre o tempo dos corpos permanece introjetado na realização social da vida cotidiana e em todos os setores, inclusive na vida “pessoal e íntima” dos corpos. O tempo que não é controlado pelo indivíduo, mas pelo poder, será sempre algo inexorável que lhe determina a ação. O tempo, assim, não é próprio, individual, mas coletivizado pelo sistema de controle e a ele subordinam-se os corpos dóceis.

Em terceiro lugar, compondo os mecanismos da disciplina, a Vigilância, que aparece como algo que deve ser contínua, ininterrupta, pois precisa ser vista pelos indivíduos que a ela estão expostos como contínua, perpétua, permanente, ainda que não esteja presente efetivamente; é necessário que não tenha limites, que penetre nos lugares mais recônditos, esteja presente em toda a extensão do espaço: ”Olhar invisível que deve impregnar quem é vigiado, de tal modo que este adquira de si mesmo a visão de quem o olha”.

O poder sobre os corpos (docilidade), exercido por meio destes mecanismos, atinge o ápice da submissão quando o corpo não distingue mais entre si mesmo e o "olho" que o vigia ("olho do poder"). Os tabus, os preconceitos, as verdades morais, as religiões... produzem nos indivíduos as renúncias ao prazer tornando-os dóceis e prontos para a submissão. O palco sobre o qual caminha o professor, as fileiras que lhe dão acesso a todos os alunos, as portas com janelas em vidros por onde o supervisor pode olhar, as campainhas, os horários, as chamadas... produzem, na estrutura da escola, a constância necessária para submissão/controle que se interioriza e se estende na vida social dos indivíduos.

Por fim, um quarto dispositivo garante o controle disciplinar: a produção do saber, isto é, a disciplina produz saber. Este saber é produzido pelo registro contínuo do que se conhece dos indivíduos na "clausura" (ainda que simbólica como a escola), dos eventos e suas participações, em suma, do que o supervisor "vê" por meio da vigilância. Este conhecimento gera poder e gera poder porque é manipulado (eu sei algo sobre você). Em nossas sociedades a busca do anonimato cresce em função da libertação dos corpos do domínio deste saber. O caderno de anotação, a ficha secreta, a prova surpresa, a correção, a nota... o mistério do que o professor sabe sobre cada aluno constitui o mecanismo que, na escola, transforma o saber em poder.

Estas técnicas disciplinares (Espaço, Tempo, Vigilância e Saber) acrescidos de outras tantas técnicas sutis de aprisionamento são os instrumentos identificados por Michel Foucault para o adestramento, para a subordinação dos corpos. A educação vai desempenhar importante papel na organização, reprodução, submissão e produção destes "corpos dóceis" que culmina, no contexto social, na subordinação, na dominação e na alienação.

Foi neste contexto da modernidade, entre os séculos XVI e XVIII, que Foucault analisou o aparecimento concomitante destes dispositivos descritos e a conseqüente aparição da figura do "técnico", do "supervisor", daquele que olha, que vigia, que controla, que acumula saberes. É, pois, no contexto da vigilância que se inserem as primeiras definições da "figura" e do "papel" do supervisor. É consciente desta origem e seus desdobramentos contemporâneos que é necessário refletir novas funções, novo papel e uma nova articulação dos "saberes", elemento fundamental no contexto de uma era da informação, onde o conhecimento transforma-se mais e mais em riqueza.

A reorganização da escola passa, pois, não apenas pela mudança destes dispositivos de poder, mas, fundamentalmente, pela própria mudança das funções que lhe davam sustentação, ou seja, aquela da supervisão como vigilância e punição. É possível e necessária tal mudança. É possível porque nenhum poder é absoluto ou permanente. O poder é transitório e circular, o que permite a aparição de fissuras e de rupturas. É necessário por que se precisa repensar este modelo de escola tradicional que se funda em tão primitivos mecanismos de poder.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Vale dar uma olhada no resultado do ENEM e pensar um pouco sobre qualidade de educação.Logo vamos discutir.
veja este site.
http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2010/07/veja-o-resultado-do-enem-2009.html

sábado, 17 de julho de 2010


Impulsividade
Titulo original: (Thumbsucker)
Direção: Mike Mills
Duração: 96 min.
Gênero: Drama

Justin Cobb seria um adolescente comum se não fosse o fato de que nunca conseguiu parar de chupar o dedo até os 17 anos. Mas este esta longe de ser o foco deste filme sutil e sensível ao tratar questões como o uso de medicamentos para responder as dificuldades de pais e mestres de gerir crianças que saiam dos padrões. A moda dos remédios, à moda do TDA e TDAH. O filme mostra de quebra, as diferenças entre as relações entre PAI X filho e MÃE X filho. Psicólogos, pedagogos e pais em geral devem ver este filme que aborda a diferença e o amor.

quarta-feira, 14 de julho de 2010


Preciosa

Simples, honesto. Sem abuso de imagens que possam ser insuportáveis. Para os educadores, uma lição de esperança. Preciosa é a síntese de todos os abandonos que os educadores convivem no dia a dia de uma escola. Até o exagero é plausível e não incomoda por sua veracidade. Os educadores podem compreender que é muito difícil mudar uma família, que é necessário fazer o que for possível nas fronteiras da escola. Talvez os educadores possam parar de reclamar das famílias e começar a fazer alguma coisa.
Veja sinopse em sites na internet, entre eles:

http://www.adorocinema.com/filmes/preciosa/

domingo, 4 de julho de 2010

UM PLANO DE SALVAÇÃO NACIONAL


VEJA 30 DE JUNHO DE 2010.
Sem novidade na intenção a revista publica uma síntese de um plano de educação elaborado por educadores para ser entregue aos candidatos à presidência da republica. Mas não é novidade. Quem militou em eleições sabe que este é um ato comum em quase todas as eleições. Poso Lembrar claramente o grupo de trabalho de Brizola e de Moreira Franco, entre outros, no Rio de Janeiro. Em alguns deles cheguei a participar. Mas falta de novidade não é o principal. Trágicas são as poucas e fracas idéias para a salvação nacional. Agrupadas e, sete tópicos que valem ser comentados:
1-Se a lei de responsabilidade fiscal ajudou o Brasil, que seja estendida para a educação. Entretanto dizer que “cobrar, premiar e punir” é um avanço “notável” é um atraso igualmente notável. O Brasil precisa sair do esquema de concurso público com significado de “fazer o que quer” tendo emprego vitalício. Esta talvez seja nossa pior doença. Não se cura com premio, mas com mercado (demissão/admissão).

2- Se há um avanço na educação brasileira ele é o que se chamou de “Parâmetros Curriculares”. Primeiro porque suprimiu esta discussão e segundo porque mostrou o que seria básico para a educação nacional deixando um país continental com flexibilidade para contemplar a cultura local. O Brasil tem seu sistema montado sobre o material didático o que invalida a idéia de que existe ai um vazio curricular. Não é possível um currículo universal, existem apenas as possibilidades de aprendizagem em cada momento do desenvolvimento. O que se pode ter de universal é a atitude, o comportamento baseado na INTELIGÊNCIA. Sé a Inteligência é universal.

3- A flexibilização do ensino médio é de fato um objetivo a ser perseguido. Os modelos americanos e europeus são bons focos. Entretanto a questão esta desfocada. Não se trata apenas de diminuição de currículo. Precisamos, e isto não é novidade, aumentar os investimentos no ensino médio tornando-o alternativa profissional para a maciça população que nele deve integrar. Precisamos superar o “cacoete” de achar que todos devem fazer o ensino superior (lugar atual da única profissionalização no Brasil). O ensino médio poderia ter diversas opções para a vida profissional além de possibilitar o acesso ao ensino superior. O mercado procura profissionais técnicos e não encontra...

4- A gestão democrática já tem mais de 20 anos de discussões. A questão não é se elegemos ou não diretores, se o diretor tem ou não autonomia, se ele foi professor, se ele tem poder. A questão principal é a própria gestão do serviço público no Brasil. Todos querem ser servidor público. Entenda: fazer o que se quer com emprego vitalício e vantagens “preguiçosas”. O Brasil deveria respeitar a criança e o adolescente. Um professor deve integrar uma equipe conforme sua competência e sua dedicação. No momento em que a demissão for um instrumento disponível não serão necessárias premiações. Só é possível discutir competência num sistema de mercado, o paternalismo do serviço público no Brasil deixa a inércia e a mediocridade vencer.

5- Mudar a formação dos professores nas universidades é sem dúvida o principal tópico levantado pelo artigo. Mas sobre este tema já falamos em outros artigos. É preciso sair do “lero-lero” e formar professores que não apenas domine os conteúdos programáticos como a metodologia de ensino de cada ciência.

6- Quanto à premiação não se pode levar a sério. Seria mais uma “bolsa alguma coisa”. Não tem cabimento se premiar financeiramente alguém que esta apenas cumprindo sua tarefa de trabalho. O que gera o compromisso é a competitividade que, ao mesmo tempo eleva os salários. O que atrai os melhores são sem dúvida a dignidade da profissão e seu retorno econômico. Não tem prêmio que resolva o absurdo salarial dos professores. Ainda temos que lembrar que no Brasil pode-se temer a deturpação e o risco dos prêmios serem negociados.

7-Ampliar a jornada escolar é sem dúvida o ideal da educação numa sociedade avançada onde homens e mulheres despendem muitas horas no mercado de trabalho. Não é novidade, nas eleições de 1982 (18 anos atrás!) Darcy Ribeiro e Leonel Brizola pretenderam dar conta disto no Rio de Janeiro com os chamados “Brizolões”. O custo é alto. Mas devemos perseguir este objetivo. Entretanto devemos olhar para as mudanças necessárias na escola de forma a levar as crianças e jovens a GOSTAR da escola. Hoje mal suportam 4 horas!!!!!

sábado, 3 de julho de 2010

A formação ética é prerrogativa da Escola ou da família?

Fazer esta escolha é um equívoco. A escola nos últimos tempos passou a fazer um discurso (apenas um discurso) de seu total comprometimento com as questões éticas e morais sob a égide da “formação da cidadania” – muito correta se não virasse um exagero discursivo (e veja o fracasso por ser mero discurso de venda).
De fato tanto escola quanto a família devem estar comprometidas com a formação moral e ética da criança e do adolescente.

Antes de tudo é preciso entender que os comportamentos éticos são absolutamente sociais. No isolamento não precisamos ser éticos ou morais. Aprendemos os comportamentos morais ou éticos no contexto de uma sociologia e neste sentido é que tanto a família como a escola tem papel a desempenhar.
Se à família cabe a transmissão dos valores, símbolos e referências que permitam a inclusão social do indivíduo à escola cabe o papel propriamente sociológico: o confronto das idéias (democracia) e \ prática da cidadania (moral e ética).

É na escola que juventude pode discutir e confrontar suas diferenças, a condução moral de cada família e o comportamento ser ajustado á ética social e a referência da lei (normas). As crianças menores têm na escola o lugar próprio para o exercício da obediência à lei , que é típica e necessária ao desenvolvimento entre os 7 e os 12 anos.

Entretanto não são “aulas” de ética que formam cidadãos. É necessária uma prática democrática onde a própria ação educativa propicia esta aprendizagem. É através das dinâmicas empregadas em cada aula, do acompanhamento das competições de toda natureza (cognitivas e físicas) vez que ganhar e perder é estruturante nesta empreita.

Participar das atividades escolares, os pais estarem presentes, o respeito as autoridades educacionais...são estas relações que constroem o cidadão. Não existem “aulas” teóricas ou práticas para inserir os indivíduos no conjunto social. Inclui-se, vivendo. São as experiências morais e éticas que formam as pessoas. Os índios não dão aulas de inserção social na tribo, vão introduzindo cada indivíduo segundo regras específicas para cada momento da vida. Todas as comunidades são assim... os índios são apenas mais evidentes por sua maior simplicidade social.

À família cabe PARTICIPAR, precisam estar junto aos filhos em cada momento de suas vidas, orientando, partilhando, fazendo escolhas e após os 7 anos verbalizando, conversando, explicando, justificando. Pais que participaram desde muito cedo terão bom campo de diálogo na difícil fase da adolescência.

Os filhos têm que aprender o que é certo e o que é errado, precisam ouvir dos pais, precisam respeitar as regras familiares e admirar aqueles com quem convivem (pais e mestres). Crianças assim terão mais solidamente construídas as referências morais e um comportamento ético.

INDICAÇÃO DE FILMES para PAIS E MESTRES

Dra. Adriana Oliveira Lima

O Senhor das moscas

Clássico da literatura Inglesa onde é possível discutir a desagregação social – valores, moral e símbolos- quando se perde o sentido das instituições sociais. Ocorre particularmente a desagregação por tratar de crianças e pré adolescentes.

Pais e professores podem compreender uma série de atitudes que podem ocorrer em seu dia a dia quando lidam com os adolescentes que deixam momentaneamente as referências familiares para ingressar no grupo social.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Repudio a VEJA

Carta do Prof. Lino de Macedo a VEJA

São Paulo, 10 de maio de 2010.

Ao Senhor Diretor de Redação

VEJA

Caixa Postal 11079

CEP 05422-970

Fax: (11) 3037-5638

São Paulo, SP

Prezado Senhor

Como antigo assinante desta revista e estudioso do Construtivismo, segundo Piaget, venho lamentar a publicação, em 12 de maio, da matéria “Salto no escuro”, escrita pelo Senhor Marcelo Bortoloti. Três semanas atrás, esta mesma revista, já publicara matéria contra o Construtivismo, escrita pelo Senhor Cláudio Moura Castro.

O texto do Senhor Marcelo Bortoloti é superficial, tendencioso e mal orientado. É isto que a Veja entende por jornalismo científico? Como posso continuar assinando esta revista e sustentar minha confiança em suas matérias, sobretudo naquelas em que me sinto ignorante, se - a respeito do que venho estudando desde 1968 -, o que observo é algo totalmente sem respeito?

Indico abaixo os pontos de minha divergência como Senhor Botoloti:

1. Não há dogmas no construtivismo;

2. O construtivismo se caracteriza pela visão de enfrentamento (via realização ou

compreensão) de problemas que requerem conclusão; se errada, o desafio é aprender com os erros:

3. Culpar os professores que se dizem construtivistas e não compreendem o que significa, para dai concluir que o construtivismo é responsável pelo fracasso da educação brasileira é simplificador e torpe, próprio de quem escreve sobre aquilo que não entende e, pior que isto, escreve com a motivação de confundir e “desconstruir”;

4. O quadro “A desconstrução do construtivismo”, em que este autor compara “pedagogia tradicional” X “construtivismo”, é de uma banalidade e falta de informação que causa dó e desrespeito em alguém minimamente informado sobre o assunto.

5. Meu pressuposto, pautado no excelente trabalho da Editora Abril, com a Revista Nova Escola e outros projetos educacionais, era que ela valorizava e somava forças com esta imensa tarefa de defender uma escola para todos, apesar das dificuldades deste projeto. Com a publicação deste artigo e do anterior percebo que a Veja é contra esta idéia, sendo favorável ao “melhor da escola tradicional”, com sua visão determinista, favorável à seleção dos mais aptos, o que exclui a maioria de nossa população de crianças e jovens. Que pena!

Culpar, enfim, professores e gestores por suas dificuldades em aplicar idéias construtivistas, no Brasil, é injusto, superficial e tendencioso, pois não considera a complexidade de se transpor princípios teóricos e epistemológicos à prática pedagógica; ignora, também, o muito que se tem feito e conseguido, apesar de tudo. Pior de tudo: minimiza, vulgariza e desengana todos aqueles que, apesar da complexidade desta imensa tarefa, não desistem e aceitam o desafio de uma escola para todas as crianças e jovens. Concluo informando que vou cancelar minha assinatura desta revista, porque perdi o respeito e a confiança que tinha por ela.

Atenciosamente

Lino de Macedo

Professor Titular do Instituto de Psicologia, USP.



segunda-feira, 17 de maio de 2010

REPÚDIO A VEJA

O DESESPERO PARA ENTENDER O ESTRONDOSO FRACASSO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Dra., Adriana Oliveira Lima

As revistas semanais têm sistematicamente publicado artigos sobre educação tendo como foco a busca de culpados e de soluções mágicas. Se não dão a receita do “bom aluno” ou do “bom professor” procuram um culpado nas metodologias empregadas.

Ora, sem qualquer inibição todos este artigos referem-se a pesquisas mirabolantes que de fato não dizem de onde nem quem as fez (sic!). Falam de metodologias sem qualquer conhecimento mais profundo do que estão falando. Sem falar o baixo nível ao fazer analogias absolutamente impróprias para quem fala de educação (“Isto esta mais longe de Piaget do que Madona da castidade” – SIC!).

Afirmar que um mero discurso é uma prática pedagógica em nosso país é desconhecer minimamente nossa história. Em nosso país a “fazeção” de leis e as mudanças somente nos discursos é a grande realidade. Vejam que o Império foi quem mais promulgou leis para educação, entre elas a que deveria existir uma escola pública em cada província do país. Ao chegarmos a Republica nem sequer uma única escola havia sido construída. O número de teses sobre a “mania” de discurso no Brasil é enorme. Qualquer aluno sabe que nosso forte é teoria e não prática. Assim o chamado “construtivismo” não teria nenhuma chance de ser implantado no Brasil só por conta de uma avalanche discursiva.

A VEJA desta semana ensandece de horror ao suposto construtivismo implantado no Brasil. Sem falar da interpretação absurda dos princípios didáticos proferidos pelas teorias de Jean Piaget o artigo se coloca exatamente na zona do desespero de encontrar um culpado. Quando falam dos países desenvolvidos nunca falam de suas salas de aula super equipadas e muito menos dos salários dos professores.

Mas comecemos por examinar outro tipo de informação que possa ser útil para desvendar o mistério da incompetência educacional brasileira:

“Os dados fazem parte do estudo Estatísticas dos Professores no Brasil, produzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), com base em dados do Censo Escolar, Censo da Educação Superior, Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/IBGE). O texto está disponível no endereço http://www.inep.gov.br/estatisticas/professor2003/ e apresenta uma radiografia bastante ampla da situação do docente brasileiro.

O estudo mostra que um professor que atua na educação infantil ganha, em média, R$ 423. Docentes que lecionam em turmas de 1ª a 4ª série recebem R$ 462 e de 5ª a 8ª, R$ 600. Já um professor que atua no nível médio ganha, em média, R$ 866.”

(...)A remuneração de um professor do ensino médio, de R$ 866, é quase a metade do saláriode um policial civil e um quarto do que ganha um delegado de polícia no Brasil. Entre o menor salário, o de professor da educação infantil, e o de juiz, a diferença chega a ser de 20 vezes.”

(...)Nas escolas públicas brasileiras, 45% dos professores atuam em escolas sem biblioteca.

(...)A existência de laboratório de Ciências, para aulas práticas, configura-se no pior indicador de infra-estrutura. No País, 80% dos docentes trabalham em escolas que não contam com esse suporte pedagógico. Nas Regiões Norte e Nordeste, esta situação atinge 94% dos profissionais.

(...)O número de alunos por turma também é considerado elevado em todos os níveis de ensino. Na creche, por exemplo, a média é de quase 18 alunos por turma. No ensino médio é de mais de 37 sendo que mais de 20% das turmas desse nível de ensino no País possui mais de 40 alunos.

(INEP-Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira)

Devemos compreender que os dados objetivos de miseráveis salários vem desestimulando a formação de professores. Devemos lembrar que as universidades (USPs, PUCs, UNICAMP etc) vem fazendo uma formação de docentes absolutamente acadêmica onde um aluno de pedagogia sabe mais sobre a Reprodução social na educação do que um método para alfabetizar uma criança. Alunos saem das universidades cheios de teorias sociológicas e filosóficas. Mas não sabem as quatro operações ou como ensina-las as crianças. Nunca encontrei em curso algum um professor que não fosse sincero ao afirmar que a faculdade lhes ensinou somente teorias!

A formação de nosso professorado foi contaminada por um intelectualismo absurdo e sociológico, proveniente do fato de educadores verdadeiros terem perdido seus postos de comando para um “bando” de sociólogos que se apoderaram da educação e não sabem nada sobre sala de aula. Basta olharmos a formação do corpo docente das universidades, ou mesmo olharmos a formação dos chamados expoentes da educação nacional. Que são porta vozes em da educação em semanários como a VEJA.. Muito poucos são pedagogos!

A deformação da formação de educadores foi um processo muito longo, de quase 30 anos! Este é o produto que estamos colhendo. Professores sabem nomes de educadores que estão na moda acadêmica, que variou de Gramisci para Vygotsky, Perrenout e Gardner, dependendo das modas americanas e dos últimos “bestsellesrs” na França ou nos Estados Unidos, desde os anos 70. O Brasil sempre procurando uma solução mágica que dependa apenas da “caneta”, uma solução que possa aparecer por meio de um decreto, sem investimento, sem esforço, sem estudo, sem seriedade.

Nas sociedades as mudanças dependem do esforço conjunto de suas populações. Os americanos construíram a mais rica nação do mundo com muito trabalho, arando a terra, construindo estradas de ferros...o esforço americano rumo ao desenvolvimento é inegável. Assim é que se constroem nações. O Brasil precisa sair da “mania” de decreto” e partir para uma ação verdadeira no campo da educação. Precisa resgatar as boas idéias de seus educadores e reinvestir numa prática educativa efetiva. Precisa de VERBAS. Menos corrupção. Menos “achismos” jornalísticos. Mais capacitação. Mais salário e menos devaneio de que bom professor se faz só com idealismo! Mais competência na escola e menos campanhas pedindo os pais para ensinarem aos filhos. Mais sabedoria e menos modismo.

Se ninguém sabe como o construtivismo funciona, como ele estaria sendo aplicado em 60% das nossas escolas? Se fossemos até a universidade com suas modas saberíamos de onde vem e por que vem cada idéia que se diz em prática no Brasil. O fato de Piaget esta no século passado não invalida suas teoria, a menos que sejam suplantadas por um avanço científico de novas pesquisas (o que não é fato). Por este argumento teríamos que abandonar a Lei da gravidade, por exemplo, por ela ser coisa do século XVIII.... Kant estaria fora de cogitação e Aristóteles banido de qualquer estudo.

Devemos lembrar que os estudos de Jean Piaget não são métodos pedagógicos mas uma TEORIA DO CONHECIMENTO e que independe de se concordar ou não. O conhecimento se dar de uma determinada forma e cabe os educadores trazer este conhecimento para a escola, como um médico trás novas teorias e tecnologias para sua prática. Ser contra uma teoria que ajuda a compreender o conhecimento é ser obscurantista e defender o fim da infecção através da “sangria” medieval.

A síntese mal engendrada sobre o construtivismo é passível de muitas críticas, tanto da periferia do artigo de Veja mal escrito, quanto do próprio conteúdo.

Primeiro, referir-se a “um conjunto de pesquisas internacionais” sem cita-las seria inaceitável em qualquer texto que se preze e mais grave ainda no combate a alguma idéia. Neste ponto os ingleses nos ensinam um rigor fantástico.

Citar senhores das universidades com afirmações sem fundamentos e típicas de quem não leu sequer uma página da enorme obra de Jean Piaget, não torna a afirmação mais verdadeira, mas sim mais irresponsável.

Jean Piaget não entrou no Brasil pela via de textos americanos na década de 70, mas através de Lauro de Oliveira Lima, na década de 60, com a publicação do INEP, prefaciada por Anísio Teixeira, do livro de mais de 600 páginas de pesquisas pedagógica, “A Escola Secundária Moderna”. Com certeza os senhores jornalistas não conhecem esta obra (muito menos a de Piaget composta de mais de 50 volumes de pesquisas desenvolvidas em mais de 20 países por centenas de pesquisadores de diversas áreas, da lingüística à computação).

Vygotisky não é discípulo de Jean Piaget, a bem da verdade teriam feito críticas mútuas. Vygotsky adentrou nossas universidades por representar o marxismo dominante de nossas faculdades de pedagogia e não pelo valor de sua obra, pequena e pouco fértil devido sua morte prematura.

Dizer que os países de pior desempenham são os construtivistas é uma irresponsabilidade. Não existem sequer pesquisas desta natureza. Se o tradicionalismo se mantém forte na educação é por que todo processo de mudança é longo e moroso, com idas e vindas tendo que vencer as correntes do reacionarismo que deseja que as coisas fiquem imutáveis.

A falta de espírito crítico tem sido a forma mais comum da modernidade, um mergulho num certo obscurantismo. Não existem canais de debate, não existem formas de discussão pública. Os meios de comunicação estão mais ou menos prisioneiros de seus “achismos” entricheirados em opiniões sem discussão. A TV , por exemplo, faz um programa de humor em cima de sua prórpia novela, sem se dar conta do absurdo sociológico e sem que ninguém encontre o caminho onde se discutir tais abusos de poder.

A “desconstrução do construtivismo” feita delo jornalista não é merecedora de análise, vez que é tão leiga, tão sem fundamento, que seria longo demais explicar, o que sairia do propósitro deste artigo, mas, sobre isto temos já uma rica literatura.

Vamos CONSTRUIR um CONSTRUTIVISMO sério e competente. Vamos estudar mais, pesquisar mais. O Brasil não precisa de polêmicas de posturas falsas ou verdadeiras. Nosso país precisa investir mais na educação. Os professores precisam melhorar sua situação financeira e cultural. As universidades precisam de programas mais objetivos. Os pais precisam participar mais da educação dos filhos.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A PASSAGEM PARA O ENSINO MÉDIO

Dra. Adriana Oliveira Lima

Com alguma freqüência encontro ex-pais da escola que reportam as dificuldades que os filhos tiveram ao sair da escola para entrar no ensino médio. Algumas vezes deixam transparecer certa “culpa” da escola por estas dificuldades. Não sabem eles que todos os jovens, de todas as escolas, têm esta dificuldade, vez que os conteúdos são inteiramente novos e exigem alto nível de abstração. De fato a maioria seria reprovada, da própria escola, caso fossem submetidos a estes testes (que, inclusive, variam de importância dependendo do número de vagas disponíveis). Por outro lado, são estas escolas que alimentam o sistema de educação paralelo chamado AULAS PARTICULARES ou REFORÇO ESCOLAR.

O que diferencia nossos alunos é a “volta por cima”, eles se adaptam com mais ou menos tempo, e tornam-se pessoas competentes, participantes e estudiosas na medida de suas escolhas (conscientes). Não temos dúvida de que a dificuldade que poucos alunos sentem, ao deixar nossa escola, são idênticas a de qualquer um em qualquer escola (mentem eles ao dizer que os outros alunos da própria escola estariam mais bem preparados, em escolas de massa estes são minorias), mas estamos certos de que, a despeito de tudo isto, nossos alunos, ao entrarem no sistema, serão brilhantes, estudiosos e cultos e com certeza buscarão ser felizes em suas escolhas.

Os pais amedrontados chegam a culpar a escola por estas dificuldades dos filhos e, às vezes, até a antecipar a saída deles da escola, abrindo mão do fechamento de estruturas importantes, para adaptá-los à mediocridade da educação brasileira. Nenhum pai/mãe de uma escola tradicional ousa culpar a escola da má performance do filho. Algumas vezes levam o irmão mais jovem, quando da saída do mais velho, sem ter maior preocupação com a individualização e atendimento às especificidades de cada filho.

Nossa escola prepara para algo mais grandioso, forma um cidadão responsável e competente. Basta que os pais aguardem um pouco e terão o retorno de todo o investimento feito em seus filhos e filhas.

Por outro lado, a grande preocupação com os conteúdos é infundada, pois os conteúdos são os mesmo indicados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais. Nossa diferença consiste na METODOLOGIA empregada e na ordenação compatível com as estruturas do desenvolvimento. Assim, não existe conteúdo que outra escola tenha dado e nós não.

Algumas vezes, a criança em nossa escola tira uma nota baixa ou indicamos a repetição de um estágio (interpretado pelos pais como reprovação) que a criança não alcançou satisfatoriamente. A dificuldade dos pais em aceitar é, às vezes, perturbadora. Os pais fazem uma intervenção junto à escola que, muitas vezes, prejudica o bom andamento das atividades.

Precisamos da parceria dos pais neste trabalho. Num país onde a qualidade da educação é muito baixa, nosso trabalho se destaca em cuidados e recursos empregados. Os investimentos feitos numa metodologia de trabalho como a nossa é a certeza de um retorno conseqüente. O jovem aqui formado é, no mínimo, mais culto, tem maior capacidade de liderança, sabe se colocar em situações adversas e tem maior espírito de responsabilidade individual e social que a maioria dos jovens de sua idade.

sábado, 25 de abril de 2009

O Vestibular esta no fim???????

O vestibular

O invencionismo na educação brasileira

Adriana Oliveira Lima

Que lástima ver a movimentação de um ministro em torno de um engodo nacional. Qualquer exame que suceda o vestibular cairá na mesma malha, a da desvalorização e intensa corrupção do ensino médio no Brasil.

Tudo em nosso país é folclórico. A Inclusão é uma ordem de entulhar crianças sem qualquer assistência, preparação técnica ou mesmo material; não é comprado sequer um material específico para as crianças com necessidades especiais... simplesmente se ordena que elas adentrem as salas de aula.

As cotas: não é precisa ir longe! Os absurdos já estão à tona, e o ridículo logo aparecerá, pois um país miscigenado não possui cor, possui apenas pobreza. Agora o governo quer arrecadar mais através do ENEM (seria esta a explicação?). Qualquer exame que suceda o vestibular fará brotar novos cursos preparatórios nos mesmos moldes, com o agravante de que se pegará a criança ainda mais jovem para submetê-la às barbaridades dos “decorebas” para preparação para exames.

A desmontagem do sistema corrupto do vestibular é muito mais séria que a vontade eleitoreira de um ministro sem história... já houve vestibular unificado, já houve tudo que o ministro vê como novidade e não deu certo... sabe por quê? Porque o âmago da questão é a estrutura educacional que profissionaliza no ensino superior, jogando todo o contingente de estudantes para as universidades; é também não acreditar em seu próprio sistema desqualificado de educação, impedindo que o aluno acumule pontos em sua vida acadêmica como ocorre nos Estados Unidos, por exemplo.

O fracasso de nossa educação é o resultado de burocratas arrogantes que ditam os currículos colocando no ensino médio uma quantidade de conteúdos que por sua impossibilidade lógica de se efetivar terminam por ser uma grande hipocrisia, onde o aluno aprende a passar em provas, uma vez que seria mesmo impossível aprender o conteúdo que se pretende ensinar.

Currículos e programas absurdos, conhecimentos desnecessários, escolaridades longas sem resultados práticos, universidades medíocres, incapazes de profissionalizar decentemente. Uma estrutura podre que demanda uma reforma mais profunda, mas sensata.

Não sabendo o que fazer, talvez o melhor seja deixar o vestibular como está e ir tratar dos processos de cotas mal resolvidas e da inclusão incompetente e mal sucedida.

terça-feira, 31 de março de 2009

BULLYING: O QUE É ISTO?

BULLYING

ADRIANA OLIVEIRA LIMA

Infelizmente não temos um termo em nossa língua que defina claramente o que é o BULLYING. Mas podemos indicar palavras que o descrevem tais como: colocar apelidos, humilhar, gozar, discriminar, intimidar, assediar, aterrorizar, chutar, empurrar, etc.. Em suma, são todas as formas agressivas, intencionais (sem motivação evidente) que crianças cometem contra colegas na escola. Esta violência pode ser física ou psicológica sendo esta última difícil de ser percebida pelos adultos que convivem com as crianças. Hoje pesquisas indicam que a cada dia mais de 250.000 crianças no mundo estão sofrendo algum tipo de BULLYING. A inocente brincadeira de antigamente virou agressão social...

Tem crescido o debate em todo o mundo sobre este fenômeno que levou estudantes a entrarem em escolas atirando nos colegas. O menino Samuel, em São Paulo, morreu por excesso de pancadas na cabeça decorrente de uma “brincadeira“ dos colegas. Este é um fenômeno não apenas mundial, mas que atinge todo tipo de escola, seja pública ou privada. Pais e professores devem estar atentos a este fenômeno, pois a intervenção dos pais ou da escola pode ajudar na superação deste comportamento e na proteção das crianças “perseguidas”. Mas grave ainda é que TODOS os envolvidos sofrem seqüelas deste comportamento.

As crianças que sofrem o BULLYING podem ficar marcadas para sempre, podem apresentar sentimentos depressivos ou podem tornar-se agressivos quando adultos, apresentando dificuldades de relacionamento. São crianças tristes, caladas e jovens que muitas vezes apresentam agressividade com a família, lugar que encontra para a “vingança”, o que faz os pais sequer suspeitarem de que sofre BULLYING na escola.

As crianças que cometem o BULLYING podem crescer com atitudes anti-sociais e mesmo tornar-se “delinqüente”, podem também tornarem-se depressivas (se são tomados por culpa mais tarde) e correm grande risco de contrariarem as regras sociais.A dificuldade de aceitar as regras e os limites sociais podem causar dificuldades de inserção profissional e afetiva na idade adulta.

Por fim, existem as “testemunhas”, aquelas crianças que não são vitima nem as que cometem o BULLYING, mas assistem quase sempre passivamente. Estas crescem, principalmente, com temor de tornarem-se sempre a próxima vítima. São crianças que por “não fazer nada” podem crescer inseguras e cheias de culpas e medos.

Em nosso dia a dia muitas vezes não percebemos que o simples “isolamento” de um colega na sala de aula já se enquadra no quadro de BULLYING e que as famílias e a escola devem agir desde cedo. Várias atitudes anti-sociais crescem em nossos dias e, sem percebermos, fazem parte dos nossos comportamentos, como: escolher os amigos que convidamos para nossas casas, centrar sempre nas mesmas crianças sem perceber que existem outras e reconhecer a riqueza que seria se nosso filho brincasse com todos os “tipos” de crianças de sua escola.

Fechar grupos sociais que não permitem a inclusão de novos membros e, até mesmo, discriminar por fatores religiosos, raciais ou econômicos são fatores de incentivo ao aparecimento do BULLYING no comportamento das crianças. Todos estes são gestos que precisam ser observados desde muito cedo e estar juntos família-escola no combate a todo tipo de BULLYING que possa aparecer em nossa vida social.