domingo, 9 de setembro de 2012

ParaOlimpíada: uma lição de vida ou Vitória do espírito humano..


Dra Adriana Oliveira Lima

 
Resolveram chamar de jogos “paralímpicos” fazendo uma síntese americana entre paraplégicos e Olímpicos.... Esqueceram que OLIMPIA era a cidade grega onde ocorriam os jogos na antiguidade e que nada poderia justificar a descaracterização desta origem grega ao nome dos jogos que acima de tudo tornou-se o símbolo da PAZ ENTREM OS POVOS. Mas vamos relevar esta inovação moderna que dificultará no futuro a compreensão destas transformações esdrúxulas em função dos comitês e das políticas.
                Assistir as paraolimpíadas foi uma experiência sensacional. Primeiro me surpreendeu os jornalista que acompanhavam os jogos, em quase sua maioria agiam e falavam sem qualquer preconceito analisando e comentando de forma fantástica. Muito raramente aparecia uma global  dizendo sandices do tipo “incrível que sem os braços ele faça isso ou aquilo...” Em sua maioria falavam de forma absolutamente normal, explicando as categorias, torcendo e, entrevistando e comentando.
                É possível perceber o tamanho da exclusão em nossa sociedade. Como todos nós vivemos numa redoma separatista onde não convivemos com as diferenças de maneira natural e igualitária. Como vivemos dia a dia sem sequer saber de todas estas pessoas, destes sonhos, destas competências.
                Confesso que nem sei o que dizer. Fui invadida por uma onda de calor que aquece a alma em frios dias de inverno. Todos deveriam assistir estes jogos, assistir com seus filhos, trazer tudo isso para dentro de nossas casas e partilhar estes sonhos esta existência.
Penso que a humanidade embora devagar possa ser que esteja melhorando. Com certeza me mostrou fortemente a Vitória do espírito humano.



domingo, 2 de setembro de 2012

INFÂNCIA, JUVENTUDE, MATURIDADE E VELHICE. O QUE É ISSO?

Dra Adriana Oliveira Lima



A idéia de infância só se estabelece muito tardiamente na história da humanidade. Não havia violência contra a criança porque simplesmente não se distinguia infância de idade adulta. Um dia estabeleceu-se esta distinção e mais tarde as leis de proteção as crianças. Estabeleceu-se a idéia de menoridade e maioridade, e responsabilidade civil. Mais adiante se estabeleceu a terceira idade, a idéia do idoso e suas características próprias.
Não vou me alongar nestas características, uma vez que elas já são arroladas na medida em que se definem estes cortes. Queria assinalar aqui um tema interessante para discutirmos: como estes cortes tornam-se tênues e estas idades parecem confundir-se nos dias atuais e parecemos voltar no tempos.
Crianças participam de tal forma da vida adulta, opinando, desrespeitando, obtendo seus desejos sem frustrações, e em contrapartida a sociedade clama pela diminuição da idade de responsabilidade civil, pedindo até mesmo o confinamento, enquanto os pais abandonam cada vez mais os seus filhos na adolescência.
Crianças “mal educadas” que falam de forma grosseira com os pais, ordenam de maneira imperativa as ações dos adultos, vivem “grudadas” em tecnologias (que afinal não desenvolvem as capacidades cognitivas e sociais a contento)são expostas a vida adulta descontroladamente.
Os jovens imaturos, como consequência desta infância desviante, se tornam egocêntricos, pois não sabem lidar com as suas frustrações, violentos (incluem-se a violência do bullying, das torcidas, das drogas), egoístas e incapazes de boa convivência social.
Os adultos, inseridos neste contexto, permanecem com uma dificuldade grande de ouvir críticas e de aceitar qualquer coisa que não seja a satisfação de seus desejos. Tratam os pais duramente e acreditam saber tudo, não movimentam-se em direção a mudanças por estarem absolutamente satisfeitos consigo mesmos.
Por fim os idosos veem-se misturados neste contexto numa sociedade despreparada para assimilá-los. Sua natural características de fácil depressão, irritações, ausências e outras características não são entendidas nem auxiliadas pelos mais jovens que despreparados quase os abandonam.
Fico pensando que toda esta desordem sociológica começa na indefinição dos papéis familiares, nas fraquezas de pais inseguros que não distribuem os papeis com competência, na falta efetiva de limites impostos as crianças desde muito cedo. Paralelo a isso existe também a incompetência do processo educativo que não logra a superação do egocentrismo das crianças até os cerca de 9 anos e o pleno desenvolvimento das estruturas e funções sociais que deveriam ser adquiridas na adolescência.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O CONSTRUTIVISMO CONTRAATACA

Dra Adriana Oliveira Lima



Chegando de viagem de férias me deparo com a revista Época atrasada com uma entrevista com um pesquisador de neurociência  fazendo algumas inferência sobre os processos de alfabetização. Me causa espanto como o processo científico é deteriorado pelo apriorismo, ou seja, o ser contra um tal construtivismo antecede a pesquisa e pode mudar a leitura dos resultados.
Sendo o pesquisador um leigo em educação seus equívocos são cumulativos. Deveria se restringir aos achados neurocientíficos. Mais ele não é sequer original no combate ao genericamente chamado de construtivismo que tem sido alvo já batido na mídia que, de fato, nunca coloca outro ponto de vista em contrapartida do debate.
Ao invés de estarmos voltados para as questões afeitas a qualificação da educação brasileira, um estrondoso e renitente fracasso, fica-se nesta discussão bizarra de uma metodologia que sequer atingiu de fato a escola brasileira estruturada maciçamente sobre os princípios mais mediocremente tradicionais. Escolas de decoreba, provas e carteirinhas enfileiradas do século XVIII.
Ainda por cima esta é uma  interpretação falsa de que qualquer tipo de construtivismo tenha tido qualquer influência na educação brasileira. A qualidade medíocre de nossa escola se deve aos métodos tradicionais que nada ensinam, que superlotam de conteúdos as crianças e jovens, que idealizam uma criança silenciosa e  sem iniciativa...
Quando os métodos globais colocam a palavra no começo, e nisso Paulo freire é sensacional, o que se quer é que o processo de leitura seja algo que nasce da realidade cultural da criança, que seja SIGNIFICATIVA para a criança e não algo que não tem qualquer relação com o mundo do alfabetizando.
A sílaba é nossa unidade linguística e ela é a composição de uma invariante (consoantes) com a s variantes (vogais) e termina por ser definida foneticamente. A
A maturidade para a leitura é uma conquista do processo de desenvolvimento e não um “!know how” apressada numa idade que de nenhum valor será. O uso da leitura depende de um crescimento mais geral do individuo e portanto não deve ser apressado, mais adequado as características do desenvolvimento da criança, ocorrendo este processo entre o 6 e os 8 anos.
Por fim, se fossem os métodos fonéticos (e nem sequer os avalio negativamente) fossem eficazes o Brasil seria alfabetizado pois durante décadas este foi o método oficial em escolas públicas e privadas exato nos tempos em que os índices de fracasso na alfabetização chegavam a bizarras estatísticas de 80%.  Quem não lembra do “Sonho de Talita” ou da “Casinha Feliz”? ou seria o Pesadelo de Talita na casinha infeliz.......

segunda-feira, 16 de julho de 2012

DE FÉRIAS ATÉ AGOSTO.... AGUARDEM!


Uma cidade são seus cheiros, suas ondulações, suas roupagens, seus barulhos e silêncios... O Rio é assim se olhamos para o  chão a sujeira das calçadas chega a ser perturbadora a decepção. Se olharmos em suas paisagens chega a ser perturbadora a emoção. Mais sou impregnada e seduzida por seus cheiros e sua alma, minha identidade, minha vida como flashes nas pessoas nas roupagens nos caminhos. O rostos das pessoas me levam a um mergulho no meu passado um reconhecimento de cada rosto  e de  todos os rostos pelo reconhecimento dos biótipos, das almas, dos comportamentos.
Revisitar cada canto, cada lugar. Sem palavras que descrevam os significados de um retorno da alma as suas mais profundas raízes. Nem há palavras para descrever os cem números dos detalhes que brotam em cada passo em cada revisitação em cada caminho. Estou aqui. Estou no Rio de Janeiro, meu cheiro, minha casa. Recarga de energias de nobres sentimentos. Amor.

DE FÉRIAS ATÉ AGOSTO.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

RITALINA E OBEDIÊNCIA


Dra Adriana Oliveira Lima




Uma Escola de segunda categoria e pais omissos fazem do Brasil o segundo país no mundo no consumo de RITALINA
Vale a pena reservar estes 10 minutos para assistir este vídeo. Mas vale também pontuarmos algumas questões que merecem ser a ele agregadas:
1-      A mania de não localizar responsabilidades individuais em nossa sociedade é um dos fatores que levam a estas práticas abusivas. Esta é prática mais comum em nossos dias. Uma pessoa mata e busca-se as causas nas condições sociais do individuo, rouba-se e coloca num conjunto indiscriminado... OS  PAIS são os únicos que podem obedecer os médicos. Professores não prescrevem medicamentos eles não diagnosticam....
2-      O fato é que os pais aceitam dar os medicamentos imaginando que podem enquadrar os filhos no contexto escolar. Sabem que a escola é péssima, mais queremos filhos  enquadrados ao conjunto social. Pouco sabem do sofrimento dos filhos...
3-      Dão medicamentos para os filhos “aprenderem” perdidos na incompetência das escolas. Entre criticar a escola e dar o remédio, preferem dizer que seus filhos é que estão desajustados pois a escola “funciona” para todos os outros... Funciona ????? E o que se dizer de tanta ignorância, falta de cultura e violência, falta de solidariedade e responsabilidade?????
4-      Testemunha o absurdo ainda o fato de quando a criança realmente não se enquadra ai os pais procuram a “pequena” escola que no fundo desqualificam, quase se escondem e querem que sirva apenas de “oficina” onde os consertos são feitos para que a criança retorne ao sistema “BOM” = ESCOLA TRADICIONAL ENORME ONDE OS FILHOS SÃO NÚMEROS E DIZEM PREPARAR PARA VESTIBULARES...
5-      Estes pais, apesar dos números da educação brasileiras, das críticas diárias ao sistema de educação, permanecem sonhando que os filhos estudem onde estudaram, estudem nos “ícones” de uma sociedade atrasada em educação.
vejam o video:


quinta-feira, 5 de julho de 2012

CARLOS DRUMOND DE ANDRADE






AUSÊNCIA
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

A VERDADE
A porta da verdade estava aberta,
Mas só deixava passar
Meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
Porque a meia pessoa que entrava
Só trazia o perfil de meia verdade,
E a sua segunda metade
Voltava igualmente com meios perfis
E os meios perfis não coincidiam verdade...
Arrebentaram a porta.
Derrubaram a porta,
Chegaram ao lugar luminoso
Onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
Diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual
a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela
E carecia optar.
Cada um optou conforme
Seu capricho,
sua ilusão,
sua miopia.

domingo, 1 de julho de 2012

A FAMÍLIA PODE AJUDAR NA APRENDIZAGEM.


 Dra Adriana Oliveira Lima
O domínio de certos conteúdos, a aquisição de cultura e mesmo de certas posturas, habilidades e competências são construídas nos primeiros anos da vida escolar, pela escola e pelos pais.
            A relação dos pais com a aprendizagem dos filhos tem se centrado, cada vez mais, em notas e resultados (“passar ou não passar”). Os pais preocupam-se cada vez menos em estimular a leitura ou acompanhar se os seus filhos estão aprendendo realmente. A leitura, por exemplo, quando existe, se restringe aos livros cobrados pelas escolas. Há mais cobrança que incentivo.
            O nível de ensino das escolas brasileiras, mesmo as de elite, é baixo, em comparação com os países mais avançados. Só 14% dos nossos jovens estão em universidades.
            Especialista em “efeitos do dever de casa” sobre a aprendizagem, a prof. Harris Cooper, da Duke University, mostra que ensinar “coisas prontas” aos filhos pode ser pior do que não fazer nada. Muitos pais fazem as lições pelos filhos enquanto outros obrigam enfadonhos segundos turnos de treinamentos e “reforços escolares” que, longos em excesso, terminam por não contribuírem em nada para a aprendizagem.
            O segundo turno de uma escola deve comtemplar aspectos gerais e complementares da educação e ter como foco a criação de rotinas, o estimulo à disciplina e a construção da “responsabilidade” nos alunos.
            Aos pais cabe acompanhar a vida escolar dos filhos e incentivar sua curiosidade (impulso básico na busca do conhecimento). A forma de fazer isto deve contemplar a valorização dos livros, a leitura para e com os filhos e o apoio à expressão dos filhos para lhes incutir autoconfiança. Desligue um pouco a TV para jogar e brincar com seus filhos e esteja sempre presente na escola deles para acompanhar seus eventos, agendas, boletins, etc.