sábado, 1 de outubro de 2011

MONTESSORI- EDUCADORES – REVOLUÇÕES NA EDUCAÇÃO:







1-MARIA MONTESSORI


Imaginem que desde o final do século XIX chegando ao ápice nos anos 1960 uma fascinante revolução vem acontecendo na educação em todo o mundo. Educadores criaram metodologias que estão disponíveis até os nossos dias.

Entretanto sabemos que as escolas, como os presídios e quartéis tem a fantástica resistência a mudanças. Desta forma, embora permaneçam sempre iniciativas inteligentes em todas as sociedades através do tempo, a escola em sua maioria é praticamente a mesma do século XVIII descrita por Michael Foucault em “Vigiar e Punir” (tirando a tortura das escolas, é o mesmo sistema tradicional e medíocre, cadeiras enfileiradas e alunos reprimidos).

Entre outros educadores, sobre os quais escreverei numa sequencia de artigos, começo por Maria Montessori. Médica Italiana que desde pequena tem especial interesse em matérias científicas. Após formar-se se dedica trabalhar com crianças com necessidades especiais e deste trabalho cria uma metodologia abrangente com forte cunho pré-científico para at3nder todo tipo de criança.

Profundamente inovadora realizou a famosa experiência “Case dei Bambini” que repercutiu em toda a Europa criando a um só tempo um fascinante material (veja alguns destes em página deste BLOG). Tornou-se também importante movimento educacional no Estados Unidos. A “Casa dos Pequeninos” em Genebra, onde Piaget desenvolveu suas pesquisas, usava o método Montessori de educação.

Maria Montessori vê a educação como uma construção de si mesmo (“Educação Cósmica”) o que impõe uma ação contínua da criança sobre o meio que a rodeia. A “Lição de silêncio, que constrói a auto disciplina (de influência de meditação indiana) e uma exuberante fartura de materiais de todas as áreas facilitam e promovem a integração dos alunos na comunidade e o interesse pelo conhecimento.

Seus materiais e propostas visam o fortalecimento da individualidade e, a um só tempo, a socialização para construção de um mundo melhor. A criatividade e iniciativa são sustentáculos de sua proposta.

Seus materiais ficaram tão famosos e úteis pedagogicamente que foram, muitos deles, reproduzidos pela grande indústria e amplamente utilizados, infelizmente, sem fazerem qualquer referência a grande Mestra.

São 4 áreas de exercícios na “Vida Prática”: cuidados pessoais, cuidados com o ambiente, coordenação dos movimentos, convívio social. Completa seu material todos os recursos do pensamento matemático de linguagem e de ciências.

Todos os materiais de abotoar, dar laços, vassourinhas e material de limpeza, torres, o famoso “Material Dourado”, são criações de Montessori. Quem dera as escolas se abrissem ao menos para o uso estruturado deste farto material pedagógico. Ao invés de provas, deixassem as crianças resolverem problemas, ao invés de “encarteira-las em filas”, deixa-las em grupos discutindo o que será o futuro do mundo.


Para saber mais:

http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/pe2.htm

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

CURSO LINGUAGEM E PENSAMENTO




O aparecimento da linguagem.
Imitações e dramatização
Jogo simbólico e jogo de liquidação
A fala e o símbolo -As representações -pensamento.
Músicas e outras formas de expressão.
Como estimular o pensamento simbólico.
Jogos e brincadeiras.
O Desenho - arte gráfica (estágios e estímulos).

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Meninas, bonecas e misses.


Dra Adriana Oliveira Lima






A americana Kerry Campbell foi manchete do tablóide The Sun ao aparecer fazendo aplicações de botox em sua filha Britney, de 8 anos, em fotografias repugnantes e em entrevistas reproduzidas no youtube.

(http://www.youtube.com/watch?v=auzvSkIk7xg)

Historicamente predominaram as bonecas que reproduziam bebês, com a hipotética função de “preparar” as meninas para seu futuro papel de mamães, sendo, no entanto, o objeto de imitação social da relação entre as mães e as filhas. “Mãezinha” e “Amiguinha” eram o sonho das crianças nos anos 50 e 60 no Brasil.

Eis que aparece a “Barbie”. Encomendada ao designer Jack Ryan, em 1958, a boneca foi lançada oficialmente na Feira Anual de Brinquedos de Nova Iorque, em março de 1959. Com seu grande sucesso de vendas, a boneca passou a refletir os comportamentos de uma época renovando-se constantemente para acompanhar as mudanças sociais das últimas quatro décadas.

A Barbie tornou-se um símbolo de beleza e moda. Ela tem namorado, carro e escritório. Ela faz ginástica e está sempre na última moda, seja nas roupas, sapatos ou cabelos. Ela é rica e famosa. O mundo Barbie é um mundo em cor-de-rosa. Ele remete aos sonhos e fantasias das meninas. O interessante é que Barbie não tem amigas, vive apenas entre posses e desejos.

Em sucessivos visuais, Barbie identifica-se com os anos 70 (hippie), com o glamour dos anos 80 das “Panteras”, os “gliters” e as transparências. Veio o mundo dos negócios e, com ele, o glamour das roupas de festas.

Esta radical mudança nas bonecas inaugura uma era de sexualização precoce das crianças. Além disso, essa mudança reflete os fúteis objetivos que respondem mais aos desejos das mães que das próprias crianças. A boneca agora é o modelo a ser imitado e não o objeto de resoluções afetivas entre mães e filhas. E embora triste, a verdade é que o objeto para a menina imitar é uma mulher de seios, com mais de trinta anos, sexualizada e com um corpo delineado refletindo “desejos” adultos.

Pesquisas acadêmicas afirmam:

“Todas as crianças entrevistadas gostariam de ser como ela. O motivo alegado para isso, que aparece com mais freqüencia, é relacionado à beleza da boneca.”

(Valentim, Mônica Geraldi; Bomtempo, Edda.)

As mamães, que também brincaram com a Barbie, não se apercebem da exposição a que estão colocando suas meninas. Compram pinturas, sapatos de saltos e roupas sexualizadas. Quando as crianças brincavam com saltos, colares e batons, elas de fato imitavam “suas mães”. O modelo exteriorizado, representado pela boneca Barbie, passa a conduzir ao exagero e a criar referências intoleráveis de “magreza”, glamour, superficialidade e futilidade.

As mamães, que teriam o dever de intervir, impor limites e assumir a condução da educação de suas filhas, acabam colaborando com a exacerbação do fútil, que termina nas misses e nos sonhos de “top model”.

domingo, 18 de setembro de 2011

ENEM – Valha-me São Bento!!!!!

Adriana Oliveira Lima

Saber quem somos e tomar consciência de nossa realidade é o primeiro movimento na direção da melhora, do crescimento e da superação. No resultado do Enem, nenhuma escola cearense ficou entre as 100 melhores. E olhem que o critério deste “ranking” absurdo é corroborado por quase todas elas. Aquelas consideradas as “melhores escolas”, “sonho de consumo” de considerável número de famílias cearenses, ficaram lá pelas 400º e tanto... Será que alcançamos o fim do mito de que o Ceará tem as melhores escolas do Brasil e começamos a pensar seriamente na qualidade do nosso ensino? Se o que estivesse em jogo fosse a aprovação ou reprovação, o Ceará estaria reprovado!

O Enem "reprova" 63,64% das escolas; 99% delas são públicas. Em 1992, em minha tese de mestrado, realizei uma pesquisa com provas de crianças do ensino básico de escolas privadas e públicas e entre as análises de dados feitas, foi possível mostrar como estes sistemas são idênticos. A diferença está no aluno que frequenta cada uma destas escolas (pública ou privada).

Oito em cada 10 escolas ficaram abaixo da média no ENEM e, das 20 melhores, 18 são privadas, o que poderia levar os mais ingênuos a supor que a rede privada seria melhor. É possível dizer que o desempenho da rede pública piorou em relação a 2009, mas o que esta em jogo é a proposta pedagógica, vez que as instalações e o número de alunos por sala são bem similares nos dois sistemas (mais de 40 alunos por sala, quadro, discursos e provas).

Pobres crianças e pobres pais que correm atrás de “Rankings”, este ridículo instrumento de discriminação que é um fracasso cada vez mais obvio até mesmo nos Estados Unidos e demais países desenvolvidos, que passam por uma profunda crise na educação.

Dizer que “os alunos do ensino médio público teriam de estudar mais dois anos para ‘alcançar’ os colegas da rede particular de ensino” é supor que o tempo, por si só, é capaz de qualificar a educação... Ora, pode-se ficar 24 horas fazendo bobagens!

Afirmações como: “Nossos simulados são mais difíceis que muitos vestibulares” ou “uma nota cinco aqui é dez em outro colégio” são tão antigas que chegam a doer. Quem não ouviu estas afirmações de escolas “fortes” e “fracas”?


O rigor acadêmico e o regime integral do São Bento, a escola carioca que ficou na primeira colocação do ranking do ENEM, não é o indicador de sua qualidade. Poderíamos dizer que a chave de seu sucesso estaria na seleção elitista feita por ela para aceitar alunos, que provavelmente seriam um sucesso em qualquer outra escola. Incrivelmente, tem gente bem sucedida oriunda de tudo quanto é escola! E com uma mensalidade de até R$ 2.140 mil, pode-se dizer que este aluno tem uma preparação social que ultrapassa o “rigor” e a qualidade da escola.


O Colégio de Aplicação no Rio é mais honesto em sua análise, quando afirma:

“Outra diferença é que, em muitos casos, os colégios de aplicação selecionam seus alunos por meio de uma prova, já que a procura é maior do que a oferta de vagas. Nesse caso, o próprio corpo discente já tem um nível mais alto do que em uma escola comum, que não escolhe os alunos que serão matriculados.”


A diferença entre a rede pública e a particular não é um desafio de compreensão para o sistema de educação brasileiro. Comecemos analisando a diferença entre os alunos para repor na rede púbica o que o a criança e o jovem da rede privada tem:

Tem viagens, tem jogos, tem livros, tem teatros, tem cinema, tem refeições ricas e fartas, tem brinquedos, tem tecnologias, tem atenção, tem médicos, flúor e dentistas, e tantas coisas. E nos perguntamos como pode a escola privada, com tantas vantagens em sua clientela ser tão incompetente e não ensinar quase nada a nossas crianças.

PS. Devemos lembrar ainda que as escolas de São Paulo não estão representadas nesse ranking, pois as grandes universidades paulistas não adotam o ENEM. Por isso o resultado paulista é tão fraco. Fosse o ENEM adotado em São Paulo e suas escolas e alunos participassem do mesmo, o resultado das escolas cearenses seria ainda mais trágico!

domingo, 11 de setembro de 2011

NEGLIGÊNCIA INVOLUNTÁRIA


Dra. Adriana Oliveira Lima


O nascimento de uma criança deficiente traz muitas complicações para a família, como a negação, a rejeição ou a culpa. Estas são reações comuns. O mais grave é quando a necessidade especial da criança não tem uma “visibilidade” óbvia (deficiências físicas, síndrome de down, etc.) deixando os pais sem tomar providências que poderiam ajudar suas crianças a se desenvolverem por anos. Essa é uma forma inconsciente de negligência.

As formas de negligência com as crianças são tantas que daria para escrevermos uma tese de pesquisas apenas sobre suas formas e manifestações. Eu gostaria de abordar aqui um tópico apenas: a “cegueira” dos pais quanto ao desenvolvimento de seus filhos.

Em muitos artigos de revistas de grande circulação vemos abordadas questões de dificuldades de aprendizagem (dislexia, disgrafia, descalculias, etc.). Em muitas dessas reportagens os pais alegam só terem percebido a dificuldade do filho após 9 anos (alguns somente na adolescência!!!). Tal fato só pode ser justificado por um alto grau de inaceitação e/ou rejeição. As pessoas não querem ter filhos com dificuldades. Se essas dificuldades forem comportamentais, então são absolutamente inaceitáveis, pois os conduziria à área da psicologia, que ainda é vista como “coisa para malucos”.

Cria-se uma guerra entre a escola, que tenta mostrar as dificuldades da criança e pedir auxílio, e os pais, que tentam escondê-las ou justificá-las. Os pais atribuem as dificuldades de seus filhos à “preguiça” ou à identidade com algum parente “que também era assim”. Para completar, encontramos uma resistência por parte de profissionais da área clínica (fonos, psicopedagogos, psicólogos, neuropsicólogos, entre outros) em fazer diagnósticos.

Assim, a lentidão em assumir as necessidades especiais da criança leva ao atraso e a dificuldades muito concretas no desenvolvimento da mesma. Ouvimos todos os dias, na medicina principalmente, que quanto mais cedo se diagnostica um problema, mais chances temos de cura ou melhora. Os pais, no entanto, adiam ao máximo um diagnostico ou o tratamento, perdendo as melhores janelas para o desenvolvimento de seus filhos.

Clínicas de estimulação para crianças com necessidades especiais não seriam bem sucedidas por aqui. Muitos pais jamais enxergam os progressos das suas crianças, por jamais enxergar as necessidades especiais das mesmas, para começar. Eles não respeitam o “tempo” de desenvolvimento de cada criança e suas diferenças e, tão logo percebem progressos, tratam de modificar todo o seu cotidiano, julgando-as “curadas”. Colocam suas crianças em situações adversas, na tentativa de torná-las “IGUAIS” às outras. A criança com necessidades especiais geralmente anda de escola em escola procurando ser reconhecida não por sua diferença, mas por suas imitações de igualdade, e isso é um grande desperdício de oportunidades para o desenvolvimento pleno das mesmas. Reconhecer suas limitações é o primeiro passo para a superação de suas dificuldades.