terça-feira, 19 de agosto de 2014

A Federalização da educação municipal. A MALUQUICE DO EX-MINISTRO

A Federalização da educação municipal.     
 A MALUQUICE DO EX-MINISTRO

Dra Adriana Oliveira Lima


Em todos os países desenvolvidos a descentralização foi o elemento primordial e estruturante do desenvolvimento. Comparando os tipos de colonização podemos ver, por exemplo, a sociedade americana completamente descentralizada avançando e se desenvolvendo em contraste com nosso atraso baseado na centralização, em um continente inteiro dividido em umas poucas Capitanias Hereditárias dadas a “donatários” para exploração. Alguns destes beneficiários, num total de quinze, sequer colocaram os pés no Brasil.
Este foi o sistema que demarcou nossa política e a formação de nossa nação - Latifundiária e Coronelista. Nosso par, os norte-americanos, sob a égide da distribuição da terra e da ideia de uma federação, construíram uma sociedade próspera e de pleno exercício da democracia - completamente descentralizada.
         Na constituinte de 1989 a grande luta de todos que trabalhavam nas políticas sociais era juntar assinaturas para conseguir intervir no processo de descentralização. Na ocasião escrevi artigo, traduzido para o inglês, sobre esta questão. Conseguimos avanços consideráveis na educação.
         Eis que então a corrupção, entranhada nas vísceras brasileiras, leva, por exemplo, ao absurdo roubo de merenda escolar, trafico de material didático e outras mazelas. Colhemos enfim dificuldades visíveis nos resultados de nossa educação como a problema de evasão e a baixa qualidade dos resultados escolares, revelados estes, em tudo que é de pesquisa internacional. Nossa dificuldade em construir uma sociedade democrática de fato leva a bizarra solução da centralização. Federalizar a educação municipal é a proposta mais bizarra que se pode colher da incompetência e politização de todas as estruturas educacionais.
         A democracia se constrói no tempo e nas relações dinâmicas da descentralização que permite a diferença e o progresso. Porém, o vício de centralização no Brasil é uma doença maligna. Eu acredito que as raízes desta gana centralizadora se encontram na possibilidade de corrupção que ela propicia e no delírio da prepotência dos que só creem em progresso pela centralização, ou em outras palavras, pela administração da sociedade por uma elite instruída. Se assim fosse a sociedade americana e demais países desenvolvidos seriam grande fracasso.
         Na esteia desta doença do Estado gigante, do grande pai, do provedor, aparecem ex-ministros defendendo a federalização das escolas municipais. Eles acreditam que lá de Brasília os onipresentes técnicos do MEC resolverão as questões da qualidade da educação. Cristovam Buarque, engenheiro mecânico, economista, político e eventual e indevidamente ministro da educação, se arvorou a educador e desandou a dizer tolices sobre a necessidade de federalizar a educação municipal.
         Depois de tantas lutas, assistir esta compulsão centralizadora, esta desenfreada sede de poder, prepotência e roubalheira, só nos desencanta. Atrasaremos o processo democrático brasileiro por mais 50 anos, pois desmontar as estruturas centralizadas é muito difícil, particularmente num país onde a corrupção gera tantos milhões.
         Tenham a santa paciência.


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Os atrasos e insistências dos estudos acadêmicos



Os atrasos e insistências dos estudos acadêmicos

Dra. Adriana Oliveira Lima



A falta de criatividade na educação é assustadora e parece atingir o mundo inteiro. O que aparece como “novidade” é tão velho que amargamos a triste realidade de saber que a  educação esta paralisada (http://adrianaoliveiralima.blogspot.com.br/2014/03/nada-de-novo-nos-prognosticos-para.html )
                Ainda mais triste é ver a perseverança acadêmica de permanecer no atraso. Os estudos de Lev Vygotsky, por exemplo, continua considerado top de linha. Estudos estes carregados de ideologia, que ainda se referem aos tempos “soviéticos”. Fora do tempo e ajustado às composições ideológicas, desconhecem os estudos da neurociência e de Jean Piaget que pesquisou durante mais de 50 anos após a morte do primeiro(!).
 



Um homem que viveu e escreveu pouco - não tem mais que um livro sobre linguagem. Compará-lo à vasta obra de Piaget é uma lástima e uma tristeza. Fora os livros sobre linguística e os processos imagéticos das representações, Piaget tem ainda estudos tão profundos que chegam a analisar a aquisição e uso de categorias gramaticais na linguagem e no pensamento. Pesquisas extensas e complexas como em “O Raciocínio da Criança”,  agregando a elas cientistas de todo o mundo estudando e produzindo vasta obra.
                O “besteirol” do social que persiste no discurso acadêmico é intrigante. Quem criou o INTERACIONISMO foi Jean Piaget e três dos seus quatro fatores do desenvolvimento tratam da interação entre o sujeito e meio (isso mostra que sequer leram o mais básico dos livros de Piaget, “A Psicologia da Criança”).
                Imaginem que Jean Piaget viveu mais 50 anos após Vygotsky em intensas pesquisas que aglutinaram pesquisadores do mundo inteiro. Os mais recentes estudos da neurociência têm mostrado cada vez mais os acertos de suas pesquisas sobre a inteligência humana. Por sinal a neurociência seria melhor objeto para os estudiosos revoltados contra Jean Piaget, o que ate hoje não entendi (será que é devido a obra ser vasta e a superficialidade dos nossos dias focam autores de “poucos livros”?). Vamos estudar neurociência que talvez contribua mais para revolucionar a educação.
                Mas este frenesi vygotskiano pode dever-se tão somente aos hábitosde misturar com politica, politicamente correto, e mergulhar no campo da  ideologia que sufoca a universidade brasileira e demanda em uníssono o que deve e como deve ser estudado.
                Sem “mediações”, sem interação sócio-cultural as crianças brasileiras seguem sem saber ler, escrever e contar...