quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

LAURO DE OLIVEIRA LIMA II - A VIDA


SAIR DA VIDA PARA ENTRAR NA HISTÓRIA


Dra Adriana Oliveira Lima

                                    Para minhas e meus prôs, pais, amigos, alunos.


          
Saindo da missa em homenagem ao meu pai, o Prof. Lauro de Oliveira Lima, senti uma onda de alegria. Compreender este ângulo da morte de um homem público é fundamental. Pensei na Frase de Getúlio Vargas ao final de sua carta deixada à nação por ocasião de seu suicídio, algo como Saio da vida para entrar na história.
                        Ouvindo as palavras litúrgicas, de maneira diversa, o moto é o mesmo: sair de um tipo de existência para outra. Dou-me conta então de que diante da inexorabilidade da morte é necessário compreender e organizar os assentamentos das memórias. Neste momento então é que penso entender ou pelo menos dar um significado a frase de Getúlio.
                        A vida é cotidiano. É lugar das igualdades, das similitudes que colocam todos num mesmo contexto, com seus defeitos e suas mesquinharias, seus medos e suas coragens, suas invejas e seus rancores, seus heroísmos e sua covardia. Assim são os seres humanos: tão comuns, prisioneiro do seu corpo de suas escolhas de suas necessidades, quase sempre banais. Por vezes especiais, por vezes apenas pessoas movendo-se neste mundo quase insano.
                        A morte então arranca desta complexidade o humano e o coloca na suspensão etérea da eternidade, desvencilhando-o  de tudo e de todos . Assim é que Getúlio deixava a vida amarga das traições, competições, medos e assustamentos para ingressar no lugar das interpretações livres e amplas, intocáveis, atemporais. Nesta instância da intocabilidade restam apenas feitos, atos sejam eles reais ou do mundo dos sonhos.
                        Lauro de Oliveira Lima é agora público, não no sentido da vida comum de sua existência, mas na amplitude de seu legado.  Todos que com ele trabalharam, estudaram, praticaram, são dele então, proprietários. Todos podem adentrar sua intimidade e contar-nos histórias. A todos é dado o direito de estudar-lhe e interpretar suas ideias.  Estas histórias serão todas verdadeiras.  Ideias para debater e escritos para serem expostos. Pode ele ser agora apropriado como o são os imortais.
                        Pela exuberância de suas ideias isto é uma explosão de liberdade e Lauro de fato sai dos limites abusivos e absurdos da vida para entrar na história. Na História da educação, na história de escolas, nas histórias de professores. Lauro definitivamente entra na História brasileira pelas mãos de uma infinidade de atores. Atores cheios de escritos e falas, falas diferentes, falas interpretadas, falas abundantes.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

PROF. LAURO DE OLIVEIRA LIMA - 1 A OBRA

Preciso escrever sobre o Professor Lauro, sobre o meu pai.
São muitas matizes e "aprouches"(como ele usava esta palavra!).
Neste momento em que a perda permite pouca organização, começo por poucas notas sobre sua obra.
Venho estudando com diferentes grupos, por quase 20 anos em Fortaleza, a obra do Lauro que abaixo listo já lembrando que podem haver omissões.
(FOTO -comigo e com o grande amigo Roberto Amaral Vieira)



A obra do Prof LAURO DE OLIVEIRA LIMA  
(Limoeiro do Norte-CE 1921---2013 Rio de Janeiro-RJ)
       
A obra do Laurão é vasta com muitos artigos e libretos. Transcrevo aqui um apanhado geral dos pilares desta obra, apontando o que para mim constituiu os três momentos fundamentais desta produção ( turn point), momentos em que ele dá uma virada teórica de uma profundidade ímpar e trás à baila novos paradigmas para se enxergar o mundo.


A Escola secundária Popular
A Escola Secundária Moderna – Primeiro marco de sua obra. Prefaciado por Anísio       Teixeira. Trata da experiência desenvolvida no Ginásio Agapito dos Santos, em Fortaleza, na década de 1950.  Faz oassentamento   de toda a estrutura de seu pensamento pedagógico.
Formação do Professor Primário
Educar para a Comunidade
Conflitos no Lar e na Escola
Crise no ensino: Brasília
Estórias da Educação no Brasil: de Pombal a Passarinho
Impasse na Educação – segundo marco de sua obra Propostas para a gestão educacional          brasileira frente aos impasses do movimento estudantil entre  1964 e 1968.
Escola no Futuro
Educación por la Inteligencia
Tecnologia Educação e Democracia
Mutações em Educação segundo McLuhan (seu livro mais vendido, mais de 50 edições).
Enfant Sauvage de Illich numa sociedade sem Escola
Mutaciones en Educacion según McLuhan
Treinamento em Dinâmica de Grupo – o segundo marco de sua obra. Cobriu o sul            do Brasil com cursos através do qual   construiu uma obra revolucionária   inclusive no formato de hipertexto.
A juventude como motor da História – material apresentado na SBPC
Pedagogia, Reprodução e Transformação
Por Que Piaget
Os mecanismos da Liberdade - o terceiro e último marco de sua obra um verdadeiro       tratado de sociologia e educação.
Piaget para Principiantes
Revista: Educação pela Inteligência
Uma Escola Piagetiana
Introdução a Pedagogia
Temas Piagetianos
A construção homem segundo Piaget – Um resumo abrangente de todo o seu                           pensamento.
Na Ribeira do Rio das Onças (resgate da história de sua terra)
Para que servem as Escolas
Piaget: Sugestão aos Educadores



(FOTO acima com o Neto Davi)

sábado, 12 de janeiro de 2013

A FALTA E A PERDA



Dra Adriana Oliveira Lima


 Crianças precisam de frustrações
 

Muitas vezes aparecem fotos de crianças sem braços ou outras anomalias no Facebook tentando nos alertar sobre como somos sortudos e como deveríamos ser felizes por não termos tais dificuldades - explorando o desespero de imaginar-se em tais situações. Primeiro devemos ter a clareza de que existem duas circunstancias distintas neste contexto.

Primeiro, as pessoas que já nascem com as deficiências. Estas não sofrem como imaginamos ao vê-las em tal situação.  Não podemos sentir falta do que não conhecemos. Assim, uma criança que nasce sem braço ou cega não faz ideia de como seria sua vida de outra forma. Quando pesquisas e próteses lhes dão maior mobilidade e possibilidade de inclusão social, essas configuram-se como “upgrades” em suas vidas. O desejo de ter o outro braço ou enxergar se configura no âmbito do desejo de “ser igual” e não no âmbito da necessidade (desejo que vem do verbal e do imaginário e não da prática social).


Segundo, analisar o que de fato traz o sentimento de PERDA. Ter e perder é um grande desafio humano e isto serve para todos os sentidos de perda. Perder a visão, um braço, dinheiro ou um amor leva os sujeitos a um processo de sofrimento ou mesmo de luto, muitas vezes insuperável (depressões profundas, suicídios). É grande a diferença entre a “falta” e a “perda”.
Podemos sentir inveja e falta de algo, mas não sabemos absolutamente como seria tê-las se nunca a tivemos. Se tivermos e perdermos, este será um sentimento infinitamente mais preciso, fonte de desesperos e adaptações complexas.


Devemos nos preocupar com a educação das crianças. Deixar os desejos aparecerem. Frustrá-las, isto é, mostrar que não podem ter tudo o que querem, não podem ter todos os seus desejos satisfeitos. A criança que recebe um NÃO, que é contrariada em algumas de suas vontades, aprende passo a passo a fazer adaptações e ajustes que lhes serão fundamentais no processo vital. Terão maior mobilidade e capacidade de enfrentar os reveses que a vida impõe a todos.