quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Somos todos iguais? – 1


Profª Drª Adriana Oliveira Lima




Este é apenas um mito sociológico. De fato, do ponto de vista biológico poder-se-ia dizer que somos semelhantes, vez que possuímos as mesmas estruturas básicas (os mesmos órgãos: coração, cérebro...), o mesmo podendo-se dizer dos aspectos psicológicos (se pensarmos nas estruturas do desenvolvimento). Entretanto somos absolutamente diferentes, tanto fisicamente quanto, e principalmente, psicologicamente (emocional e cognitivamente).

Somos singulares. O igualitarismo pregado pelo sociologismo não resulta uma verdade aplicável aos seres humanos. Nenhuma sociedade humana dispensou as hierarquias nas construções sociais. Entretanto nos acostumamos a achar que “somos iguais” e terminamos mesmo achando este, um ideal humano.

Todo igualitarismo é uma redução, pois se um nível inferior não é apto a igualar-se ao superior provoca a redução do superior ao inferior, em outras palavras, todo nivelamento reduz o nível geral do grupo. Nivela-se por baixo. Assim devemos aprender a distinguir o que significa OPORTUNIDADES IGUAIS (direitos dos cidadãos) de um igualitarismo mediocrizante.

A educação, sendo um direito igualitário, deveria ser a arte de distinguir, ser capaz de fazer prevalecer a convivência das diferenças, promover as possibilidades de cada cidadão singular e sua socialização no grupo social. Entretanto, ao contrário disso, nossa educação procura a redução do indivíduo ao coletivo baixando o nível geral dos indivíduos em processos de massificação.

As crianças são colocadas nas escolas tardiamente, são superprotegidas, ou negligenciadas, educadas segundo uma subordinação da inteligência ao desenvolvimento biológico (é mais importante comer que desenvolver a inteligência e o espírito)... na suposição de que somos todos iguais... Na vida adulta parecemos ser todos iguais (sic!). Não somos!

A inteligência mais desenvolvida pode significar empregos melhores, relacionamentos melhores, criatividade maior, melhor articulação da língua, melhor performance lógica... MUITAS pessoas (mesmo nas universidades!) são incapazes de compreender um pensamento hipotético ou uma formulação filosófica. Os pais, entretanto, creem poder preocupar-se com a inteligência somente por volta dos sete anos(!) quando já se passaram os mais preciosos anos para a formação das conexões cerebrais e a oportunidade das variações de experiências.

A maioria das escolas, pelo seu lado, na mesma crença de um igualitarismo, negligencia os primeiros anos da criança fazendo da escola um lugar onde as prioridades são as mamadeiras e um brincar repetitivo, sem plano pedagógico. As crianças são freqüentemente, tanto nas escolinhas como em casa, apenas “tomadas de conta”, olhadas em um conjunto de ações repetidas, vez que dependente da iniciativa da própria criança.
  


 
 
“O homem está sempre disposto a negar tudo aquilo que não compreende.” 
(Pascal)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O País da “canetada”



O País da “canetada”

          Mensalões e Bônus

                                   Dra. Adriana Oliveira Lima





Acompanhando o insistente besteirol televisivo sobre educação, retomei o livro do professor Lauro, “Estórias da Educação Brasileira, de Pombal a Passarinho”. Afora seu belíssimo título, reli suas duras e irônicas críticas ao método histórico brasileiro de se fazer mudanças: A CANETA. A liderança  brasileira parece sempre acreditar que cada nova lei pode trazer consigo mudanças sociais. O pior é que essas mudanças não tem sua origem das demandas da sociedade, mas de ideias mirabolantes e “egocêntricas” de um pequeno grupo.
Nosso período imperial tão curto, de 1822 a 1889, foi capaz de editar mais de 15.000 projetos de leis. Entre eles, a construção de uma escola em cada província brasileira. Ao término do império sequer UMA escola fora construída nestes mais de 70 anos! Vivemos a mania de avaliar, aplicar provas e gerar dados estatísticos. Agora, o desespero da incompetência nos levou a outro vicio: acreditar que se muda por meio de “pagamento”.
No esteio desse vício encontramos o mensalão e as bonificações, isto é, a ideia absurda de se dar “incentivos” para as pessoas fazerem o que não passa de suas obrigações. Diretores recebem mais verbas por melhores resultados, professores receberem um “extra” pelos resultados dos alunos.
Parece mesmo um desespero total. Hoje pela manhã o jornal anunciava uma nova lei sobre comida “saudável” nas cantinas e cardápios escolares e a noticia seguinte dava conta de escolas que não recebiam merenda. Não há nem merenda, quem dirá saudável.
Esta confusão se dá pelo desvinculo total entre o poder e as demandas sociais. Os pais das crianças cegas NÃO querem o fim do Instituto Benjamim Constant, os pais das crianças com síndrome de down NÃO querem o fim das APAEs. Que maluquice é esta de se extinguir algo sem ter qualquer solução para a inclusão efetiva das crianças com necessidades especiais no processo educacional.
De absurdo em absurdo vamos perdendo um tempo fundamental para inserção do Brasil em referências mais avançadas de desenvolvimento humano.

                           Saudável reler Anísio Teixeira e sua vasta escrita sobre os abismos no Brasil entre os discursos e as práticas.
                        Pois é, De absurdo em absurdo vamos perdendo um tempo fundamental para inserção do Brasil em referências mais avançadas de desenvolvimento humano.